Rang e Dale: Farmacologia
Inibidores de neuraminidase e inibidores de desmontagem do capsídio viral
Uso clínico de fármacos para os herpes-vírus (p. ex., aciclovir, fanciclovir,
valaciclovir)
• Infecções por varicela-zóster (catapora, herpes-zóster):
– Via oral (p. ex., fanciclovir), nos pacientes imunocompetentes
– Via intravenosa (p. ex., na encefalite, aciclovir), incluindo nos pacientes
imunocomprometidos
• Infecções por herpes simples: herpes genital (tratamento sistêmico e/ou tópico
dependendo da gravidade, se está ou não imunocomprometido e se é ou não um primeiro
ataque), herpes mucocutâneo (p. ex., aciclovir ou, se não responsivo, foscarnete) e
encefalite herpética (p. ex., aciclovir intravenoso)
• Pro laticamente:
– Em pacientes que serão tratados com fármacos imunossupressores ou radioterapia e
que correm risco de infecção pelo herpes-vírus devido à reativação do vírus latente
– Em indivíduos que sofrem de recorrências frequentes de infecção genital pelos
herpes-vírus simples
• Citomegalovírus (CMV)
– O CMV, embora seja um herpes-vírus, é menos sensível ao aciclovir do que o herpes
simples ou o herpes-zóster. O valaciclovir está autorizado para a prevenção do CMV
durante a imunossupressão após transplante de órgão. O ganciclovir e o
valganciclovir são mais ativos contra o CMV do que o aciclovir, mas são mais tóxicos;
eles são usados por especialistas para problemas graves como a retinite por CMV em
pacientes com AIDS.
INIBIDORES DE NEURAMINIDASE E INIBIDORES DE DESMONTAGEM DO CAPSÍDIO VIRAL
A neuraminidase viral é uma das três proteínas transmembrana codificadas
pelo genoma do vírus influenza. A infecção por esses vírus RNA começa
com a ligação da hemaglutinina viral aos resíduos do ácido neuramínico
(siálico) nas células do hospedeiro. A partícula viral, então, entra na célula
por endocitose. O endossomo é acidificado após o influxo de H+ por
intermédio de outra proteína viral, o canal iônico M2. Isso facilita a
desmontagem da estrutura viral, permitindo que o RNA entre no núcleo do
hospedeiro, iniciando, assim, a etapa de replicação viral. Os vírions recém-
replicados escapam da célula do hospedeiro por brotamento através da
membrana celular. Isso é promovido pela neuraminidase viral por meio da
ruptura das ligações entra a capa de partículas e o ácido siálico do
hospedeiro. A neuraminidase viral faz isso pela alteração das ligações entre
a capa viral e o ácido siálico do hospedeiro.
Os inibidores de neuraminidase oseltamivir e zanamivir são ativos
contra os vírus influenza A e B, e estão licenciados para uso nos estágios
iniciais da infecção, ou quando o uso da vacina é impossível. O zanamivir
está disponível como pó para inalação, e o oseltamivir, como preparação
oral. Embora o oseltamivir seja “armazenado” pelos governos quando há
previsão de pandemias de gripe (p. ex., gripe “suína” [H1N1]), os ensaios
clínicos sugerem que sua eficácia em reduzir a gravidade da doença é muito
limitada.
Os efeitos adversos do oseltamivir incluem sintomas GI (náuseas,
vômitos, dispepsia e diarreia), porém esses são menos frequentes e graves
na preparação para inalação. O zanamivir geralmente causa erupção
cutânea.
A amantadina,3 fármaco bastante antigo (1966) e raramente
recomendado na atualidade, bloqueia, de modo efetivo, os canais iônicos
M2, inibindo, assim, a reorganização viral. Trata-se de uma substância ativa sobre o vírus influenza A (um vírus de RNA), porém não exerce ação sobre