Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 680 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Inibidores de neuraminidase e inibidores de desmontagem do capsídio viral

Uso clínico de fármacos para os herpes-vírus (p. ex., aciclovir, fanciclovir,

 

valaciclovir)

 

• Infecções por varicela-zóster (catapora, herpes-zóster):

– Via oral (p. ex., fanciclovir), nos pacientes imunocompetentes

– Via intravenosa (p. ex., na encefalite, aciclovir), incluindo nos pacientes

imunocomprometidos

• Infecções por herpes simples: herpes genital (tratamento sistêmico e/ou tópico

dependendo da gravidade, se está ou não imunocomprometido e se é ou não um primeiro

ataque), herpes mucocutâneo (p. ex., aciclovir ou, se não responsivo, foscarnete) e

encefalite herpética (p. ex., aciclovir intravenoso)

• Pro laticamente:

– Em pacientes que serão tratados com fármacos imunossupressores ou radioterapia e

que correm risco de infecção pelo herpes-vírus devido à reativação do vírus latente

– Em indivíduos que sofrem de recorrências frequentes de infecção genital pelos

herpes-vírus simples

• Citomegalovírus (CMV)

– O CMV, embora seja um herpes-vírus, é menos sensível ao aciclovir do que o herpes

simples ou o herpes-zóster. O valaciclovir está autorizado para a prevenção do CMV

durante a imunossupressão após transplante de órgão. O ganciclovir e o

valganciclovir são mais ativos contra o CMV do que o aciclovir, mas são mais tóxicos;

eles são usados por especialistas para problemas graves como a retinite por CMV em

pacientes com AIDS.

 

INIBIDORES DE NEURAMINIDASE E INIBIDORES DE DESMONTAGEM DO CAPSÍDIO VIRAL

A neuraminidase viral é uma das três proteínas transmembrana codificadas

pelo genoma do vírus influenza. A infecção por esses vírus RNA começa

com a ligação da hemaglutinina viral aos resíduos do ácido neuramínico

(siálico) nas células do hospedeiro. A partícula viral, então, entra na célula

por endocitose. O endossomo é acidificado após o influxo de H+ por

intermédio de outra proteína viral, o canal iônico M2. Isso facilita a

desmontagem da estrutura viral, permitindo que o RNA entre no núcleo do

hospedeiro, iniciando, assim, a etapa de replicação viral. Os vírions recém-

replicados escapam da célula do hospedeiro por brotamento através da

membrana celular. Isso é promovido pela neuraminidase viral por meio da

ruptura das ligações entra a capa de partículas e o ácido siálico do

hospedeiro. A neuraminidase viral faz isso pela alteração das ligações entre

a capa viral e o ácido siálico do hospedeiro.

Os inibidores de neuraminidase oseltamivir e zanamivir são ativos

contra os vírus influenza A e B, e estão licenciados para uso nos estágios

iniciais da infecção, ou quando o uso da vacina é impossível. O zanamivir

está disponível como pó para inalação, e o oseltamivir, como preparação

oral. Embora o oseltamivir seja “armazenado” pelos governos quando há

previsão de pandemias de gripe (p. ex., gripe “suína” [H1N1]), os ensaios

clínicos sugerem que sua eficácia em reduzir a gravidade da doença é muito

limitada.

Os efeitos adversos do oseltamivir incluem sintomas GI (náuseas,

vômitos, dispepsia e diarreia), porém esses são menos frequentes e graves

na preparação para inalação. O zanamivir geralmente causa erupção

cutânea.

A amantadina,3 fármaco bastante antigo (1966) e raramente

recomendado na atualidade, bloqueia, de modo efetivo, os canais iônicos

M2, inibindo, assim, a reorganização viral. Trata-se de uma substância ativa sobre o vírus influenza A (um vírus de RNA), porém não exerce ação sobre