Rang e Dale: Farmacologia
Natureza da epilepsia
crises em cerca de 70% dos casos, mas seu uso costuma ser limitado pelos seus efeitos adversos. Além de seu uso em pacientes com epilepsia, os
antiepilépticos são usados para tratar ou impedir convulsões causadas por outras doenças cerebrais, tais como traumatismo (inclusive após
neurocirurgia), infecção (como adjunto de terapia antimicrobiana), tumores cerebrais e AVE. Por essa razão, algumas vezes são denominados
anticonvulsivantes, e não antiepilépticos. Cada vez mais fármacos antiepilépticos vêm sendo descobertos como benéficos em alterações não
convulsivas, como dor neuropática (ver Capítulo 43), depressão bipolar (ver
Capítulo 48) e ansiedade (ver Capítulo 45). Muitos novos antiepilépticos foram desenvolvidos nos últimos 25 anos ou mais, na tentativa de melhorar sua
eficácia e perfil de efeitos adversos, por exemplo, modificando a sua farmacocinética. Os avanços têm sido constantes, não espetaculares, e, assim, a
epilepsia continua a ser um problema difícil, embora controlar despolarizações neuronais reverberantes pareça ser situação muito mais simples que controlar
aqueles aspectos da função cerebral que determinam as emoções, o humor e a função cognitiva.
NATUREZA DA EPILEPSIA
O termo “epilepsia” é utilizado para definir um grupo de alterações
neurológicas nas quais ocorrem convulsões periódicas. Para informações sobre as causas responsáveis pela epilepsia e os fatores que precipitam os episódios
convulsivos, consultar Browne e Holmes (2008). Como explicado anteriormente, nem todas as crises envolvem convulsões. Estas associam-se à
despolarização episódica de alta frequência de impulsos por um grupo de neurônios (algumas vezes referido como foco) no cérebro. O que se inicia como despolarização local anômala pode propagar-se para outras áreas do cérebro. O local da despolarização primária e o grau de sua propagação determinam os sintomas que virão a ocorrer, os quais variam de um breve