Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 542 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Dor neuropática

Modulação da transmissão de dor

 

• As vias descendentes provenientes do mesencéfalo e do tronco encefálico exercem forte

efeito inibitório sobre a transmissão no corno posterior. A estimulação elétrica da área

cinzenta periaquedutal causa analgesia por meio deste mecanismo

• A inibição descendente é mediada principalmente pelas encefalinas, 5-hidroxitriptamina

(serotonina), norepinefrina e adenosina. Os opioides promovem analgesia, em parte por

ativarem essas vias descendentes, em parte por inibirem a transmissão no corno dorsal e

em parte por inibirem a excitação das terminações nervosas sensitivas na periferia

• A atividade repetitiva das bras C facilita a transmissão através do corno posterior

(somação temporal – wind-up) por mecanismos que envolvem a ativação de receptores

de NMDA e de substância P.

 

DOR NEUROPÁTICA

Doença neurológica que afeta a via sensitiva e pode produzir dor crônica

intensa – a denominada dor neuropática – não relacionada com qualquer

lesão de tecido periférico. Isso ocorre com alterações no sistema nervoso

central (SNC), como AVE e esclerose múltipla, ou com afecções associadas

a lesões de nervos periféricos, como traumatismos mecânicos, neuropatia

diabética ou infecção por herpes-zóster. Os mecanismos fisiopatológicos

subjacentes a esse tipo de dor são pouco entendidos, embora se acredite que

a atividade espontânea nos neurônios sensitivos lesados, em virtude da

expressão exagerada ou de redistribuição dos canais de sódio controlados

por voltagem, seja um fator. Além disso, ocorre sensibilização central. A

parte simpática do sistema nervoso também desempenha algum papel,

porque os neurônios sensitivos lesados podem expressar receptores alfa-

adrenérgicos e desenvolver sensibilidade à norepinefrina que, em condições normais, não possuem. Desse modo, estímulos fisiológicos que provocam