Rang e Dale: Farmacologia
5 Como Agem os Fármacos | Biofármacos e Terapia Gênica
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Neste capítulo, discutimos as propriedades de um grupo de agentes
terapêuticos conhecidos coletivamente como biofármacos. Estes são
adições relativamente recentes ao nosso arsenal terápico, mas eles já
tiveram grande impacto no tratamento de doenças como artrite reumatoide e
câncer. O número de biofármacos aprovados para uso clínico está
aumentando, e o setor irá assumir mais significado no futuro. Neste
capítulo, introduzimos primeiro biofármacos baseados em proteínas e em
oligonucleotídios, evidenciamos as maiores diferenças com relação aos
fármacos de moléculas pequenas “convencionais” e explicamos como são
produzidos, como funcionam e como são metabolizados. A seguir,
apresentamos os conceitos centrais de terapia gênica, discutimos as
vantagens e os problemas associados a esta modalidade terapêutica e
evidenciamos alguns sucessos limitados.
INTRODUÇÃO
Este capítulo lida com as características gerais farmacológicas dos
medicamentos baseados em proteínas e ácidos nucleicos produzidos usando
técnicas de engenharia genética (i. e., biotecnologia, distinta da química
sintética). Esses agentes são atualmente responsáveis por 20 a 25% de
novos registros, e são cada vez mais importantes no que se refere a terapias.
Os agentes individuais são discutidos em capítulos posteriores.
De forma irritante para autores e leitores de livros didáticos, não existe
consenso sobre o que realmente constitui um “biofármaco” em oposição a
um fármaco convencional. Uma característica diferenciadora aparentemente
óbvia é se ele é predominantemente de natureza “química” (como quase
todos os fármacos de pequenas moléculas neste livro) ou de origem
“biológica” (como a insulina ou o hormônio de crescimento). Infelizmente,
esta distinção simplista desmorona rapidamente quando consideramos que
alguns fármacos de “pequenas moléculas” (como a morfina ou a
penicilina) são produtos oriundos de plantas ou fungos enquanto outras
“moléculas biológicas”, como pequenos peptídios ou oligonucleotídios
antisense, são produzidas por técnicas sintéticas de química orgânica.
Outro problema é a posição adotada pelas principais agências
reguladoras de fármacos. A FDA e seus pares europeus usam definições um
pouco diferentes quando classificam os “biofármacos”, e isso tem
profundos efeitos nas companhias que os produzem, afetando suas
obrigações de regulação, seus modelos de negócio, registro de patentes,
fundos de investimento e até mesmo relações públicas. Como um
comentarista (Rader, 2008) referiu, “o resultado é uma situação tipo Babel,
com caos e anarquia terminológicos confundindo a comunicação, análises
comparativas de indústria, compreensão e regulação”.
Para simplificar a situação, adotaremos uma definição amplamente
pragmática neste capítulo; não há dúvida de que os biofármacos1 são diferentes em vários aspectos dos fármacos de moléculas pequenas