Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 61 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

5 Como Agem os Fármacos | Biofármacos e Terapia Gênica

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Neste capítulo, discutimos as propriedades de um grupo de agentes

terapêuticos conhecidos coletivamente como biofármacos. Estes são

adições relativamente recentes ao nosso arsenal terápico, mas eles já

tiveram grande impacto no tratamento de doenças como artrite reumatoide e

câncer. O número de biofármacos aprovados para uso clínico está

aumentando, e o setor irá assumir mais significado no futuro. Neste

capítulo, introduzimos primeiro biofármacos baseados em proteínas e em

oligonucleotídios, evidenciamos as maiores diferenças com relação aos

fármacos de moléculas pequenas “convencionais” e explicamos como são

produzidos, como funcionam e como são metabolizados. A seguir,

apresentamos os conceitos centrais de terapia gênica, discutimos as

vantagens e os problemas associados a esta modalidade terapêutica e

evidenciamos alguns sucessos limitados.

 

INTRODUÇÃO

Este capítulo lida com as características gerais farmacológicas dos

medicamentos baseados em proteínas e ácidos nucleicos produzidos usando

técnicas de engenharia genética (i. e., biotecnologia, distinta da química

sintética). Esses agentes são atualmente responsáveis por 20 a 25% de

novos registros, e são cada vez mais importantes no que se refere a terapias.

Os agentes individuais são discutidos em capítulos posteriores.

De forma irritante para autores e leitores de livros didáticos, não existe

consenso sobre o que realmente constitui um “biofármaco” em oposição a

um fármaco convencional. Uma característica diferenciadora aparentemente

óbvia é se ele é predominantemente de natureza “química” (como quase

todos os fármacos de pequenas moléculas neste livro) ou de origem

“biológica” (como a insulina ou o hormônio de crescimento). Infelizmente,

esta distinção simplista desmorona rapidamente quando consideramos que

alguns fármacos de “pequenas moléculas” (como a morfina ou a

penicilina) são produtos oriundos de plantas ou fungos enquanto outras

“moléculas biológicas”, como pequenos peptídios ou oligonucleotídios

antisense, são produzidas por técnicas sintéticas de química orgânica.

Outro problema é a posição adotada pelas principais agências

reguladoras de fármacos. A FDA e seus pares europeus usam definições um

pouco diferentes quando classificam os “biofármacos”, e isso tem

profundos efeitos nas companhias que os produzem, afetando suas

obrigações de regulação, seus modelos de negócio, registro de patentes,

fundos de investimento e até mesmo relações públicas. Como um

comentarista (Rader, 2008) referiu, “o resultado é uma situação tipo Babel,

com caos e anarquia terminológicos confundindo a comunicação, análises

comparativas de indústria, compreensão e regulação”.

Para simplificar a situação, adotaremos uma definição amplamente

pragmática neste capítulo; não há dúvida de que os biofármacos1 são diferentes em vários aspectos dos fármacos de moléculas pequenas