Rang e Dale: Farmacologia
Efeitos vasculares
O NO pode ativar a GC nas mesmas células que o produzem, dando
origem a efeitos autócrinos, como, por exemplo, sobre a função de barreira
do endotélio. O NO também se difunde a partir de seu local de síntese e
ativa a GC em células vizinhas. O consequente aumento de GMPc afeta a
proteinoquinase G, canais iônicos e possivelmente outras proteínas, e inibe
a contração da musculatura lisa induzida pelo [Ca2+]i e a agregação plaquetária. O NO hiperpolariza a musculatura lisa vascular, em decorrência
da ativação dos canais de potássio, e inibe a adesão e a migração de
monócitos, a adesão e a agregação de plaquetas, e a proliferação da
musculatura lisa e de fibroblastos. Esses efeitos celulares provavelmente
estão subjacentes à ação antiaterosclerótica do NO (ver Capítulo 24).
Grandes quantidades de NO (liberadas após indução da NOS ou da
excessiva estimulação de receptores NMDA no cérebro, ver Capítulos 40 e
41) causam efeitos citotóxicos (diretamente ou por meio da formação de
peroxinitrito). Essa citotoxicidade contribui para a defesa do hospedeiro,
mas também para a morte das celulas neuronais que ocorre por ocasião da
estimulação excessiva dos receptores NMDA pelo glutamato (ver Capítulos
39 e 41). Paradoxalmente, o NO é também citoprotetor em certas
circunstâncias (ver Capítulo 41).
EFEITOS VASCULARES (ver também Capítulo 23)
A via L-arginina/NO é tonicamente ativa nos vasos de resistência,
reduzindo a resistência vascular periférica e, portanto, a pressão arterial
sistêmica. Os camundongos mutantes que não apresentam o gene que
codifica a NOS3 são hipertensos, um fato consistente com uma função da
biossíntese de NO no controle fisiológico da pressão arterial. Além disso, o
NO proveniente da atividade NOS1 é implicado no controle do tônus
vascular basal de resistência no antebraço humano e em leitos vasculares da musculatura cardíaca (Seddon et al., 2008, 2009). Acredita-se que o NO