Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 608 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Fármacos antiepilépticos

A toxicidade aguda pelo lítio resulta em vários efeitos neurológicos,

evoluindo de confusão e comprometimento motor para coma, convulsões e

morte, se a concentração plasmática chegar a 3 a 5 mmol/l.

 

FÁRMACOS ANTIEPILÉPTICOS

Carbamazepina, valproato e lamotrigina (ver Capítulo 46) apresentam

menos efeitos adversos que o lítio e mostraram-se eficazes para o

tratamento de transtorno bipolar.

É assumido que os mecanismos de ação dos fármacos

anticonvulsivantes em reduzir os transtornos bipolares estão relacionados

com as suas atividades anticonvulsivantes. Enquanto cada fármaco

apresenta múltiplas ações (ver Tabela 46.1), os fármacos antiepilépticos

eficazes no tratamento do transtorno bipolar compartilham a propriedade de

bloqueio dos canais de sódio, embora existam diferenças sutis na sua

eficácia, nas várias fases do transtorno bipolar. O valproato e a

carbamazepina são eficazes no tratamento de crises agudas de mania e para

o tratamento a longo prazo dessa patologia, embora a carbamazepina possa

não ser tão eficaz para o tratamento na fase depressiva. Algumas vezes, o

valproato é administrado junto com outro fármaco como o lítio. A

lamotrigina é eficaz na prevenção de recorrência tanto da mania quanto da

depressão.

 

ANTIPSICÓTICOS DE SEGUNDA GERAÇÃO

Um número cada vez maior de fármacos antipsicóticos de segunda geração

(p. ex., olanzapina, risperidona, quetiapina, aripiprazol, cariprazina,

brexipiprazol, asenapina) (ver Capítulo 47) está provando ser efetivo no

tratamento da depressão bipolar. Tais agentes têm propriedades antagonistas

dos receptores D 2 da dopamina e 5-HT2A, bem como ações em outros receptores e transportadores de aminas que podem contribuir para a sua

eficácia. Todos parecem ser eficazes contra a mania, enquanto alguns

também podem ser eficazes contra a depressão bipolar. Na depressão

bipolar, eles são frequentemente usados em combinação com o lítio ou o

valproato. A olanzapina é administrada em combinação com o

antidepressivo fluoxetina. O haloperidol, um fármaco antipsicótico de

primeira geração, é também por vezes usado para tratar depressão bipolar.

 

Tratamento do transtorno bipolar

 

• Lítio, um íon inorgânico, administrado por via oral como carbonato de lítio

• O mecanismo de ação não é compreendido. As principais possibilidades bioquímicas são:

– Interferência na formação de trisfosfato de inositol

– Inibição de quinases

• Fármacos antiepilépticos (p. ex., carbamazepina, valproato, lamotrigina)

– Melhor per l de efeitos adversos e de segurança

• Fármacos antipsicóticos atípicos (p. ex., olanzapina, risperidona, quetiapina,

aripiprazol) e também haloperidol.

Usos clínicos dos estabilizadores do humor

 

• O lítio (como carbonato) é o principal fármaco. É usado:

– Na pro laxia e no tratamento da mania e na pro laxia do transtorno bipolar ou

unipolar (depressão maníaca ou depressão recorrente)

• Os pontos a observar incluem:

– A janela terapêutica é estreita e a duração de ação é longa

– Os efeitos tóxicos agudos incluem efeitos cerebelares, diabetes insípido nefrogênico

(ver Capítulo 30) e insu ciência renal

– A dose precisa ser ajustada de acordo com a concentração plasmática

– A eliminação é através do rim e está reduzida pela reabsorção tubular proximal. Os

diuréticos aumentam a atividade do mecanismo de reabsorção e, assim, podem

precipitar a toxicidade pelo lítio

– Ocorrem distúrbios da tireoide e leve comprometimento cognitivo durante o uso

crônico

• São usados valproato de carbamazepina e lamotrigina (bloqueadores dos canais de

sódio com ação antiepiléptica; ver Capítulo 46) para:

– Pro laxia e tratamento de crises maníacas em pacientes com transtorno bipolar

– Tratamento do transtorno bipolar (valproato, lamotrigina)

• Olanzapina, risperidona, quetiapina, aripiprazol (fármacos antipsicóticos atípicos)

são usados principalmente no tratamento da mania.

 

REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR

Patogênese da doença depressiva

Harmer, C.J., Duman, R.S., Cowen, P.J., 2017. How do antidepressants work? New perspectives for

refining future treatment approaches. Lancet Psychiatry 4, 409–418. (Revisa as várias teorias de

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Ionescu, D.F., Papakostas, G.I., 2017. Experimental medication treatment approaches for depression.

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Mullins, N., Lewis, C.M., 2017. Genetics of depression: progress at last. Curr. Psychiatry Rep. 19,

43. (Descreve desenvolvimentos recentes na determinação das causas genéticas da depressão)

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Fármacos antidepressivos

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em longo prazo no cérebro induzidas pelos antidepressivos que podem ser responsáveis pelo

benefício terapêutico)

Sharma, T., Guski, L.S., Freund, N., Gøtzsche, P.C., 2016. Suicidality and aggression during

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podem induzir ideação suicida e agressão em pessoas jovens)

Lítio

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789–813. (Revisão de um tema que ainda é pouco compreendido)

____________

1 Neurogênese (ver Capítulo 41) – a formação de novos neurônios a partir

de precursores das células-tronco – ocorre em grau significativo no

hipocampo do adulto e, possivelmente, em outras partes do encéfalo,

contradizendo o antigo dogma de que ocorre somente durante o

desenvolvimento do encéfalo.

2 Os céticos podem pensar que esses mecanismos – nos quais glutamato,

fatores neurotróficos, monoaminas e esteroides interagem todos para

controlar a morte neuronal, a sobrevida e a plasticidade – estão sendo

invocados de maneira tão entusiástica que seriam responsáveis por quase

todos os distúrbios neurológicos e psiquiátricos em que se possa pensar, do

acidente vascular encefálico à doença de Parkinson e à esquizofrenia.

“Estamos deixando de perceber alguma coisa”, podem pensar, “ou essas

doenças todas são basicamente a mesma? Se assim for, por que seus efeitos

são tão diferentes? Isso é apenas um ’trem da alegria’ científico ou essa

convergência de mecanismos aponta para alguns princípios fundamentais de

organização neuronal?”. Não temos as respostas, é claro, mas é um campo

que vale a pena observar.

3 Embora relativamente livre de efeitos adversos, a hiperforina ativa o

citocromo P450, resultando em perda da eficácia (ver Capítulo 10), com

sérias consequências, de muitos fármacos importantes, incluindo

ciclosporina, contraceptivos orais, alguns fármacos anti-HIV e anticâncer, e

anticoagulantes orais – partindo do princípio de que os fitoterápicos não são

por natureza seguros, precisam ser utilizados com o mesmo nível de

precaução como qualquer outro fármaco.

4 Portanto, controversamente, os ISRS podem ser utilizados no tratamento

de ejaculação precoce. A dapoxetina apresenta curta meia-vida plasmática e é tomada 1 a 3 horas antes da atividade sexual.

5 O declínio do uso do lítio pode estar sendo influenciado pelo desequilíbrio

da comercialização desse simples íon inorgânico em relação a outros

agentes farmacológicos mais rentáveis.

Capítulo 48

 

48.1 TEMA

A depressão é o transtorno afetivo mais comum, e foram propostas numerosas

hipóteses para explicar sua causa.

Qual das seguintes alterações siológicas não está associada à depressão?

A. Aumento nas concentrações de hormônio de liberação da corticotro na (CRH) no sistema

nervoso central (SNC)

 

B. Redução na expressão do fator neurotró co derivado do cérebro (BDNF)

 

C. Dé cit funcional nos transmissores de monoamina

 

D. Diminuição da neurotransmissão glutamatérgica

 

E. Perda neuronal no hipocampo

 

Resposta A Níveis elevados de CRH estão associados ao estresse, e a presença de altos

níveis em animais simula alguns dos sintomas depressivos observados em seres

humanos.

Alternativa B incorreta: Níveis diminuídos de BDNF ou a disfunção de seu receptor

têm sido implicados no comportamento depressivo.

Alternativa C incorreta: Embora não haja provas conclusivas, a e cácia dos agentes

que aumentam a transmissão monoaminérgica forneceu apoio para essa hipótese.

Alternativa D incorreta: Diminuição da neurotransmissão glutamatérgica.

Foi constatado que os indivíduos que sofrem de depressão apresentam níveis corticais

elevados de glutamato.

Alternativa E incorreta: Embora ainda seja uma hipótese, ela é sustentada por

evidências em modelos animais, estudos post mortem e efeitos neurogênicos dos

agentes antidepressivos.

 

Concluir questão

 

48.2 TEMA

A formulação da hipótese das monoaminas para a etiologia da depressão levou

ao desenvolvimento de diversos agentes para modular a transmissão

monoaminérgica.

Qual dos seguintes agentes não seria útil no tratamento da depressão?

 

A. Reserpina

 

B. Desipramina

 

C. Venlafaxina

 

D. Mirtazapina

 

E. Moclobemida

 

Resposta A Reserpina.

A reserpina desloca as monoaminas das vesículas neuronais e provoca depleção gradual

na concentração neuronal.

Alternativa B incorreta: Os antidepressivos tricíclicos, como a desipramina,

bloqueiam a recaptação de norepinefrina (NE) e de 5-hidroxitriptamina (5-HT),

aumentando a transmissão.

Alternativa C incorreta: A venlafaxina inibe a recaptação com seletividade

aumentada para a inibição da recaptação de 5-HT, embora a ação seja menor que a dos

inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS).

Alternativa D incorreta: A mirtazapina é um antagonista do receptor de

monoaminas, que bloqueia os receptores α2 pré-sinápticos, que diminuem a liberação

de NE. Diminui também os efeitos 5-HT2A e 5-HT3 indesejáveis, deixando a sinalização 5-

HT1A pós-sináptica intacta.

Alternativa E incorreta: A moclobemida é um inibidor seletivo da monoamina

oxidase (MAO)-A, que diminui a degradação.

 

Concluir questão

 

48.3 TEMA

Uma abordagem fundamental ao tratamento da depressão consiste no uso de

agentes farmacológicos que aumentam a concentração extracelular de

monoaminas por meio da inibição da recaptação.

Qual das seguintes a rmativas sobre a uoxetina é incorreta?

 

A. Tem menos probabilidade de causar “reações ao queijo” do que um inibidor da MAO

B. Tem menos probabilidade de causar efeitos colaterais anticolinérgicos do que um

antidepressivo tricíclico (ADT)

 

C. É frequentemente administrada em associação a um ADT

 

D. Exibe seletividade para a inibição da recaptação de 5-HT

 

E. É frequentemente utilizada no tratamento de transtornos de ansiedade

Resposta A Como não afeta a atividade da MAO, não impede a degradação da tiramina

ingerida.

Alternativa B incorreta: Diferentemente dos ADT, a uoxetina não interfere no

controle autônomo ou nos receptores muscarínicos.

Alternativa C incorreta: É frequentemente administrada em associação a um ADT.

Não é administrada com ADT, visto que a uoxetina interage com a enzima CYP2D6

hepática, envolvida no metabolismo dos ADT. Por conseguinte, a coadministração

poderia resultar em toxicidade dos ADT.

Alternativa D incorreta: Embora exiba alguma inibição da recaptação de NE, é

consideravelmente mais seletiva para transportador da captação de 5-HT.

Alternativa E incorreta: Mostra-se efetiva no tratamento da ansiedade.

 

Concluir questão

 

48.4 TEMA

Embora agora tenha sido suplantado, em grande parte, por outros

tratamentos mais seguros para a mania aguda, o lítio continua sendo utilizado

de modo pro lático no tratamento do transtorno maníaco-depressivo.

Qual das seguintes a rmativas sobre o uso do lítio é correta?

 

A. + O lítio simula o papel do K nos tecidos excitáveis

 

B. O lítio ativa a glicogênio sintase quinase (GSK)3

C. O lítio pode causar lesão tubular renal em virtude dos altos níveis de reabsorção no túbulo

proximal

 

D. O lítio aumenta a resposta ao hormônio antidiurético (ADH)

E. O lítio estimula a sensibilidade aumentada da tireoide ao hormônio estimulante da

tireoide (TSH), resultando em hipertireoidismo

 

Resposta A O lítio simula o papel do Na+ nos tecidos excitáveis, porém é acumulado na

célula.

Alternativa B incorreta: O lítio inibe a atividade da GSK3, competindo com o cofator

Mg2+.

Alternativa C incorreta: O lítio pode causar lesão tubular renal em virtude dos altos

níveis de reabsorção no túbulo proximal.

A depleção de Na+ causada pelo lítio reduz a taxa de excreção e aumenta a reabsorção

do lítio, causando maior acúmulo e toxicidade.

Alternativa D incorreta: O lítio bloqueia a resposta das células tubulares renais ao

ADH, causando diurese.

Alternativa E incorreta: O lítio bloqueia a resposta das células da tireoide ao TSH,

causando hipotireoidismo.

 

Concluir questão

 

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