Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 517 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Doença de Huntington

na substância negra (ver Figura 41.4)

• Fatores neurotróficos como o neurturin, um análogo do gene para a

linha da célula glia derivado do fator neurotrófico (GDNF; do inglês,

glial-derived neurotrophic factor).

A estimulação elétrica do núcleo subtalâmico com eletrodos implantados

(os quais inibem a atividade neural, equivalente à remoção reversível) é

utilizada em casos graves e pode melhorar a disfunção motora na DP, porém

não melhora os sintomas cognitivos ou outros e não interrompe o processo

neurodegenerativo (Okun, 2012).

 

DOENÇA DE HUNTINGTON

▼ A DH é uma alteração hereditária (autossômica dominante) que

resulta em degeneração cerebral progressiva, começando na idade

adulta e causando rápida deterioração e morte. Tal como a demência,

provoca graves sintomas motores sob a forma de movimentos

coreiformes (i. e., involuntários e rápidos, súbitos) principalmente de

dedos, face ou língua. Ela é a mais comum de um grupo chamado de

doenças neurodegenerativas por repetição de trinucleotídios, associados

à expansão do número de repetições da sequência CAG em genes

específicos, por isso o número (50 ou mais) de resíduos consecutivos de

N-terminal da glutamina na proteína expressada (Walker, 2007). Quanto

maior o número de repetições, mais precoce o aparecimento dos

sintomas. A proteína codificada pelo gene da DH, huntingtina, que

normalmente contém cadeia de menos de 30 resíduos de glutamina, é

uma proteína citosólica solúvel, de função desconhecida, encontrada em

todas as células. A DH desenvolve-se quando a proteína mutante

contém 40 ou mais repetições. As cadeias longas poli-Gln reduzem a

solubilidade da huntingtina e favorecem a formação de agregados, os

quais são formados por clivagem proteolítica da proteína mutante,

liberando fragmentos N-terminal que incluem a região poli-Gln. Assim

como na DA e na DP, a agregação provavelmente é responsável pela

perda neuronal, que afeta principalmente o córtex e o estriado,

resultando em demência progressiva e em movimentos involuntários

(coreiformes) e graves. Os estudos com cérebros post mortem

mostraram que o conteúdo de dopamina do estriado estava normal ou

levemente aumentado, enquanto havia redução de 75% na atividade de

ácido glutâmico descarboxilase, a enzima responsável pela síntese de

GABA (ver Capítulo 39). Acredita-se que a perda da inibição mediada

pelo GABA nos núcleos da base produza hiperatividade nas sinapses

dopaminérgicas, de forma que a síndrome é, em alguns aspectos,

imagem em espelho da DP (ver Figura 41.4).

Os efeitos dos fármacos que influenciam a transmissão dopaminérgica

são correspondentemente os opostos dos observados na DP, com os

antagonistas da dopamina sendo efetivos na redução dos movimentos

involuntários, enquanto fármacos como a levodopa e a bromocriptina

provocam piora do quadro. Os fármacos usados para aliviar os sintomas

motores incluem a tetrabenazina (inibidor do transporte vesicular de

monoamina; ver Capítulo 15), que reduz o armazenamento de

dopamina; antagonistas da dopamina, como a clorpromazina e o

haloperidol(ver Capítulo 47); e o agonista do receptor GABAB,

baclofeno (ver Capítulo 39). Outros tratamentos com fármacos incluem

antidepressivos, estabilizadores de humor (ver Capítulo 48) e

benzodiazepinas (ver Capítulo 45) na redução da depressão, alterações

de humor e ansiedade associados a essa doença. Nenhum desses

fármacos altera a demência ou atrasa o curso da doença. É possível que

os fármacos que inibem a excitotoxicidade, antisense para reduzir a