Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 394 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Obesidade como um problema de saúde

em definir o peso “saudável” para determinada população, a OMS classifica

adultos com IMC 25 como acima do peso e aqueles com IMC 30 como

obesos. A obesidade infantil é de avaliação mais difícil.

Como o IMC obviamente depende do balanço calórico total, outra

definição operacional de obesidade seria a de alteração multifatorial do

balanço calórico, na qual a ingestão calórica, a longo prazo, excede o gasto

de calorias.

 

OBESIDADE COMO UM PROBLEMA DE SAÚDE

A obesidade é um problema de saúde global crescente e dispendioso. Em

2016, a OMS estimou que ela havia duplicado mundialmente desde 1980 e

que haveria mais de 1,9 bilhão de adultos com excesso de peso,

aproximadamente um terço dos quais (quantificando mais de 13% da

população mundial) era obeso de acordo com os critérios definidos

anteriormente. Os níveis nacionais de obesidade variam muito, sendo

menos de 4% no Japão e em algumas partes da África; contudo, alguns são

tão impressionantes quanto 40% ou mais em partes da Polinésia. Os níveis

de obesidade em adultos nos EUA, na Europa e no Reino Unido (entre

outros) aumentaram 3 vezes desde 1980, com valores de 34% citados pela

OMS (2016) para os EUA e cerca de 25% em muitas outras nações

industrializadas, incluindo o Reino Unido. A doença não está confinada aos

adultos: estima-se que cerca de 42 milhões de crianças ou bebês com menos

de 5 anos de idade tenham excesso de peso. Nos EUA, a quantidade de

crianças com excesso de peso duplicou e a de adolescentes triplicou desde

1980, embora os sinais atuais sejam de estabilização, por volta dos 17%

(dados do US Center for Disease Control and Prevention [CDC], 2015). De

modo irônico, a obesidade frequentemente coexiste com desnutrição em muitos países em desenvolvimento, indicando que todas as classes

socioeconômicas são afetadas. Nos países mais pobres, é nas mais altas

classes que a obesidade é prevalente; porém, no rico Ocidente, geralmente é

o inverso.

Em geral, morrem mais pessoas no mundo por estarem acima do peso

ou obesas do que por estarem abaixo do peso, e os encargos financeiros

para o sistema de saúde são enormes. Um relatório influente (Mckinsey

Global Institute, 2014) calculou que o encargo econômico global foi

estimado em 2,1 trilhões de dólares em 2014, 2,9% do produto interno bruto

(PIB), ou seja, mais do que os custos despendidos com violência armada,

guerra e terrorismo, todos em conjunto.

▼ Apesar de a própria obesidade raramente ser fatal, ela frequentemente

coexiste com distúrbios metabólicos e outros, particularmente

hipertensão, hipercolesterolemia e diabetes melito tipo 2,

compreendendo todos a síndrome metabólica. Isso acarreta um elevado

risco de afecções cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC),

cânceres (principalmente dependentes de hormônios), doenças

respiratórias (em especial apneia do sono) e problemas digestivos, além

da osteoartrite. Um comentarista (Kopelman, 2000) observou que a

obesidade “está começando a substituir a subnutrição e as doenças

infecciosas como o gerador de doença mais significativo”. Cada vez

mais os indivíduos obesos sofrem com os estigmas sociais, o que leva a

uma sensação de isolamento psicológico.

O risco de desenvolver diabetes melito tipo 2, que representa 85% de

todos os casos da doença, aumenta nitidamente com a elevação do IMC.

A OMS relata que cerca de 90% daqueles diagnosticados com a doença

são obesos. Em um estudo da afecção em mulheres, o risco relacionou-

se estreitamente com o IMC, aumentando 5 vezes quando ele era de 25