Rang e Dale: Farmacologia
Obesidade como um problema de saúde
em definir o peso “saudável” para determinada população, a OMS classifica
adultos com IMC 25 como acima do peso e aqueles com IMC 30 como
obesos. A obesidade infantil é de avaliação mais difícil.
Como o IMC obviamente depende do balanço calórico total, outra
definição operacional de obesidade seria a de alteração multifatorial do
balanço calórico, na qual a ingestão calórica, a longo prazo, excede o gasto
de calorias.
OBESIDADE COMO UM PROBLEMA DE SAÚDE
A obesidade é um problema de saúde global crescente e dispendioso. Em
2016, a OMS estimou que ela havia duplicado mundialmente desde 1980 e
que haveria mais de 1,9 bilhão de adultos com excesso de peso,
aproximadamente um terço dos quais (quantificando mais de 13% da
população mundial) era obeso de acordo com os critérios definidos
anteriormente. Os níveis nacionais de obesidade variam muito, sendo
menos de 4% no Japão e em algumas partes da África; contudo, alguns são
tão impressionantes quanto 40% ou mais em partes da Polinésia. Os níveis
de obesidade em adultos nos EUA, na Europa e no Reino Unido (entre
outros) aumentaram 3 vezes desde 1980, com valores de 34% citados pela
OMS (2016) para os EUA e cerca de 25% em muitas outras nações
industrializadas, incluindo o Reino Unido. A doença não está confinada aos
adultos: estima-se que cerca de 42 milhões de crianças ou bebês com menos
de 5 anos de idade tenham excesso de peso. Nos EUA, a quantidade de
crianças com excesso de peso duplicou e a de adolescentes triplicou desde
1980, embora os sinais atuais sejam de estabilização, por volta dos 17%
(dados do US Center for Disease Control and Prevention [CDC], 2015). De
modo irônico, a obesidade frequentemente coexiste com desnutrição em muitos países em desenvolvimento, indicando que todas as classes
socioeconômicas são afetadas. Nos países mais pobres, é nas mais altas
classes que a obesidade é prevalente; porém, no rico Ocidente, geralmente é
o inverso.
Em geral, morrem mais pessoas no mundo por estarem acima do peso
ou obesas do que por estarem abaixo do peso, e os encargos financeiros
para o sistema de saúde são enormes. Um relatório influente (Mckinsey
Global Institute, 2014) calculou que o encargo econômico global foi
estimado em 2,1 trilhões de dólares em 2014, 2,9% do produto interno bruto
(PIB), ou seja, mais do que os custos despendidos com violência armada,
guerra e terrorismo, todos em conjunto.
▼ Apesar de a própria obesidade raramente ser fatal, ela frequentemente
coexiste com distúrbios metabólicos e outros, particularmente
hipertensão, hipercolesterolemia e diabetes melito tipo 2,
compreendendo todos a síndrome metabólica. Isso acarreta um elevado
risco de afecções cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC),
cânceres (principalmente dependentes de hormônios), doenças
respiratórias (em especial apneia do sono) e problemas digestivos, além
da osteoartrite. Um comentarista (Kopelman, 2000) observou que a
obesidade “está começando a substituir a subnutrição e as doenças
infecciosas como o gerador de doença mais significativo”. Cada vez
mais os indivíduos obesos sofrem com os estigmas sociais, o que leva a
uma sensação de isolamento psicológico.
O risco de desenvolver diabetes melito tipo 2, que representa 85% de
todos os casos da doença, aumenta nitidamente com a elevação do IMC.
A OMS relata que cerca de 90% daqueles diagnosticados com a doença
são obesos. Em um estudo da afecção em mulheres, o risco relacionou-
se estreitamente com o IMC, aumentando 5 vezes quando ele era de 25