Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 591 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Mecanismos neuroendócrinos

consideram mais faces como sendo felizes (i. e., sua percepção do que é

feliz [positivo] mudou). Sugere-se que os pacientes deprimidos podem não

ter inicialmente a percepção consciente do efeito produzido pelo fármaco

antidepressivo, mas, ao longo do tempo e com a administração prolongada

do fármaco, eles reconsideram subconscientemente o que percebem como

feliz e, portanto, o seu humor melhora.

 

MECANISMOS NEUROENDÓCRINOS

Várias tentativas têm sido feitas para testar o déficit funcional das vias das

monoaminas na depressão. Os neurônios hipotalâmicos que controlam a

função hipofisária recebem aferências noradrenérgicas e de 5-HT, que

controlam a descarga dessas células. As células hipotalâmicas liberam fator

liberador de corticotrofina (CRF; também conhecido como hormônio

liberador de corticotrofina), que estimula as células hipofisárias a secretar

hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), levando, por sua vez, à secreção de

cortisol (ver Capítulo 33). A concentração plasmática de cortisol

geralmente é elevada nos pacientes depressivos. Outros hormônios no

plasma também são afetados; por exemplo, a concentração de hormônio do

crescimento se reduz e a de prolactina aumenta. Ainda que essas alterações

sejam compatíveis com deficiências na transmissão de monoaminas, não

são específicas de síndromes depressivas.

O CRF distribui-se amplamente no cérebro e tem efeitos

comportamentais que são distintos de suas funções endócrinas. Injetado no

cérebro de animais de experimentação, o CRF simula alguns aspectos da

depressão no homem, tais como diminuição da atividade, perda de apetite e

aumento dos sinais de ansiedade. Além disso, as concentrações de CRF no

cérebro e no líquido cerebrospinal de pacientes depressivos estão aumentadas. Portanto, a hiperfunção do CRF, bem como a hipofunção das

monoaminas, pode associar-se à depressão. O aumento nos níveis de CRF

está associado ao estresse e, em muitos casos, a depressão é precedida por

períodos de estresse crônico. No entanto, os antagonistas dos receptores

CRF1 não provaram, até agora, ser eficazes como fármacos antidepressivos.

 

Figura 48.1 Reconhecimento das expressões faciais de felicidade por pacientes

deprimidos. A. Exemplo ilustrativo de expressões faciais de felicidade e tristeza. B. Quando apresentado um conjunto de faces, como as em (A), os pacientes deprimidos consideraram menos faces como sendo felizes do que os indivíduos do grupo-controle. Após uma dose aguda de reboxetina, os pacientes deprimidos consideraram mais das expressões faciais como sendo felizes. (Faces em [A] são reimpressas da P1vital Oxford Emotional Test Battery, P1vital Products Ltd. Dados em [B] são adaptados a partir de Harmer et al., 2009. Am. J. Psychiatry. 166:1178–1184.)