Rang e Dale: Farmacologia
Mecanismos neuroendócrinos
consideram mais faces como sendo felizes (i. e., sua percepção do que é
feliz [positivo] mudou). Sugere-se que os pacientes deprimidos podem não
ter inicialmente a percepção consciente do efeito produzido pelo fármaco
antidepressivo, mas, ao longo do tempo e com a administração prolongada
do fármaco, eles reconsideram subconscientemente o que percebem como
feliz e, portanto, o seu humor melhora.
MECANISMOS NEUROENDÓCRINOS
Várias tentativas têm sido feitas para testar o déficit funcional das vias das
monoaminas na depressão. Os neurônios hipotalâmicos que controlam a
função hipofisária recebem aferências noradrenérgicas e de 5-HT, que
controlam a descarga dessas células. As células hipotalâmicas liberam fator
liberador de corticotrofina (CRF; também conhecido como hormônio
liberador de corticotrofina), que estimula as células hipofisárias a secretar
hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), levando, por sua vez, à secreção de
cortisol (ver Capítulo 33). A concentração plasmática de cortisol
geralmente é elevada nos pacientes depressivos. Outros hormônios no
plasma também são afetados; por exemplo, a concentração de hormônio do
crescimento se reduz e a de prolactina aumenta. Ainda que essas alterações
sejam compatíveis com deficiências na transmissão de monoaminas, não
são específicas de síndromes depressivas.
O CRF distribui-se amplamente no cérebro e tem efeitos
comportamentais que são distintos de suas funções endócrinas. Injetado no
cérebro de animais de experimentação, o CRF simula alguns aspectos da
depressão no homem, tais como diminuição da atividade, perda de apetite e
aumento dos sinais de ansiedade. Além disso, as concentrações de CRF no
cérebro e no líquido cerebrospinal de pacientes depressivos estão aumentadas. Portanto, a hiperfunção do CRF, bem como a hipofunção das
monoaminas, pode associar-se à depressão. O aumento nos níveis de CRF
está associado ao estresse e, em muitos casos, a depressão é precedida por
períodos de estresse crônico. No entanto, os antagonistas dos receptores
CRF1 não provaram, até agora, ser eficazes como fármacos antidepressivos.
Figura 48.1 Reconhecimento das expressões faciais de felicidade por pacientes
deprimidos. A. Exemplo ilustrativo de expressões faciais de felicidade e tristeza. B. Quando apresentado um conjunto de faces, como as em (A), os pacientes deprimidos consideraram menos faces como sendo felizes do que os indivíduos do grupo-controle. Após uma dose aguda de reboxetina, os pacientes deprimidos consideraram mais das expressões faciais como sendo felizes. (Faces em [A] são reimpressas da P1vital Oxford Emotional Test Battery, P1vital Products Ltd. Dados em [B] são adaptados a partir de Harmer et al., 2009. Am. J. Psychiatry. 166:1178–1184.)