Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 193 de 751

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Hipertensão pulmonar

O diagnóstico clínico pode ser confirmado pela avaliação da excreção urinária do metabólito principal da 5-HT, o 5-HIAA. Este pode estar aumentado cerca de 20 vezes quando a doença está ativa e está elevado mesmo quando o

tumor é assintomático. Os antagonistas 5-HT2 e o antagonista misto 5-HT/histamina cipro-heptadina são efetivos no controle de alguns sintomas da síndrome carcinoide, mas um fármaco mais útil é a octreotida (um agonista de longa ação nos receptores de somatostatina), que suprime a segregação de

hormônios pelas células neuroendócrinas, incluindo as carcinoides (ver Capítulo

34).

 

HIPERTENSÃO PULMONAR

A hipertensão pulmonar (ver também Capítulo 23) é uma doença extremamente grave caracterizada pela remodelação progressiva da árvore vascular pulmonar, levando a rigidez e estreitamento da árvore vascular. Isso conduz a um aumento inexorável da pressão arterial pulmonar, o qual, se não tratado (e o tratamento é difícil), causa, inevitavelmente, insuficiência cardíaca direita e morte. Há vários tipos de hipertensão pulmonar, e o papel da 5-HT foi sugerido pelo fato de pelo menos uma forma da condição ter sido precipitada por supressores do apetite (p. ex., dexfenfluramina e fenfluramina) que em uma dada época foram amplamente prescritos como auxiliares para “perda de peso” ou “emagrecimento”. Esses fármacos aparentemente bloqueiam o SERT e, como a 5-HT promove o crescimento e a proliferação das células de músculo liso pulmonares arteriais e produz também um efeito vasoconstritor efetivo nesse leito vascular, a hipótese parece razoável. O uso de antidepressivos ISRS (ver

Capítulo 48) na gravidez avançada pode levar à hipertensão pulmonar no recém-nascido (Grigoriadis et al., 2014).

Alguns tipos de hipertensão pulmonar (idiopática e familiar) são mais prevalentes nas mulheres, pelo que os hormônios sexuais podem ter relevância na sua patogênese. O leitor interessado pode encontrar uma descrição acessível

sobre as ideias atuais nesta área em MacLean e Dempsie (2010) e no Capítulo

23, em que esse tópico é também discutido.

 

Tabela 16.3 Fármacos antimigranosos.a

Aspectos

Uso Fármaco(s) Modo de ação Efeitos adversos Notas

farmacocinéticos

Má absorção oral,

consequentemente,

resposta atrasada Efetiva em cerca de

70% das crises de

Agonista receptor 5- Pode ser enxaqueca

 

Agudo HT administrado por Contrai 1B/1D/1F Vasoconstrição A duração curta da via subcutânea Sumatriptana grandes artérias, coronária, arritmias ação é uma inibe a transmissão Não atravessa a desvantagem nervosa trigeminal barreira

hematencefálica Contraindicado na

doença coronária

Meia-vida

plasmática de 1,5 h

Almotriptana

Eletriptana Biodisponibilidade e Similares à

duração de ação

Frovatriptana Efeitos adversos melhoradas Como acima; ações sumatriptana; mas farmacocinéticas

Agudo menores do que

Naratriptana Capazes de com sumatriptana adicionais no SNC melhoradas e

efeitos adversos

atravessar a barreira

Rizatriptana cardíacos reduzidos hematencefálica

Zolmitriptana

Agudo Ergotamina Agonista parcial do Vasoconstrição Absorção pobre Efetiva, mas de uso

receptor 5-HT ; periférica, incluindo limitado pelos 1

Pode ser dado por

também afeta de vasos coronários efeitos adversos

supositório, inalação

Náuseas e vômitos etc.

receptores α-

Contrai o útero e Duração de ação 12

adrenérgicos

pode lesar o feto a 24 h

Vasoconstritor

Bloqueia a

transmissão nervosa

trigeminal

Náuseas, vômitos,

diarreia. Efetiva, mas

Antagonista/agonista raramente usada

Pro laxia Fibrose Metisergida parcial do receptor 5- Utilizado oralmente devido aos efeitos

HT retroperitoneal ou adversos e 2

mediastínica (rara, toxicidade insidiosa

mas grave)

Antagonista Aumento de peso e

Pro laxia Pizotifeno receptores 5-HT e efeitos adversos Utilizado oralmente – 2

histamina antimuscarínicos

Atua nos canais Sedação, tonturas, iônicos (p. ex., Na +) e perda de peso, Usados para tratar a

Pro laxia Topiramato Utilizado oralmente possivelmente no receptor náuseas, enxaqueca crônica

GABA (ver Capítulo 46) parestesias, diarreia

A

Efetivo e

amplamente

Antagonistas β-

utilizados para a

adrenérgicos

Propranolol e enxaqueca Fadiga,

Pro laxia Utilizado oralmente fármacos similares Mecanismo do efeito broncoconstrição

Outros

antimigranoso pouco

antiepilépticos

claro

também podem ter

valor

Pro laxia Toxina botulínica Atua provavelmente Paralisia de Administrado via Um único

A evitando a liberação músculos e outros injeção SC, tratamento pode

neuronal de CGRP e distúrbios intramuscular ou atuar até cerca de 1 outros neuromusculares se intradérmica ano neuropeptídios

utilizado

incorretamente

aOutros fármacos utilizados para o tratamento agudo da enxaqueca incluem os fármacos anti-in amatórios não esteroides (AINE) ou

fármacos analgésicos opiáceos (ver Capítulos 27, 43 e 48). Outros fármacos utilizados para a pro laxia da enxaqueca incluem os

bloqueadores de canais de cálcio (p. ex., nifedipino, ver Capítulo 23), antidepressivos (p. ex., amitriptilina, ver Capítulo 48) e os anti-

hipertensivos clonidina e amilorida (ver Capítulo 15). Sua e cácia é limitada.

5-HT, 5-hidroxitriptamina; SNC, sistema nervoso central; CGRP, peptídio associado ao gene da calcitonina.

 

REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR

 

5-hidroxitriptamina

Agosti, R.M., 2007. 5HT1F- and 5HT7-receptor agonists for the treatment of migraines. CNS Neurol.

Disord. Drug Targets 6, 235–237. (Descreve a investigação no campo da utilização no tratamento da

enxaqueca de agonistas para os receptores clonados de 5-HT)

Barnes, N.M., Sharp, T., 1999. A review of central 5-HT receptors and their function. Neuropharmacology

38, 1083–1152. (Revisão geral útil concentrando-se no SNC)

Beattie, D.T., Smith, J.A., 2008. Serotonin pharmacology in the gastrointestinal tract: a review. Naunyn

Schmiedebergs Arch. Pharmacol. 377, 181–203. (Revisão muito abrangente que aborda um tópico

complexo. De fácil leitura)

Bonasera, S.J., Tecott, L.H., 2000. Mouse models of serotonin receptor function: towards a genetic

dissection of serotonin systems. Pharmacol. Ther. 88, 133–142. (Revisão de estudos sobre o

camundongo transgênico com ausência de receptores 5-HT ou 5-HT ; mostra o quanto pode ser difícil 1 2

interpretar tais experiências)

Branchek, T.A., Blackburn, T.P., 2000. 5-HT receptors as emerging targets for drug discovery. Annu. Rev. 6

Pharmacol. Toxicol. 40, 319–334. (Salienta potenciais oportunidades terapêuticas nesta área)

Gershon, M.D., 2004. Review article: serotonin receptors and transporters – roles in normal and abnormal

gastrointestinal motility. Aliment. Pharmacol. Ther. 20 (Suppl. 7), 3–14.

Spiller, R., 2008. Serotonergic agents and the irritable bowel syndrome: what goes wrong? Curr. Opin.

Pharmacol. 8, 709–714. (Uma descrição muito interessante sobre o desenvolvimento e a degradação de

antagonistas 5-HT na síndrome do cólon irritável e uma discussão sobre o papel de polimorfismos 3/4

SERT na doença. Ilustra o tipo de problemas encontrados quando se tenta desenvolver fármacos úteis

que atuam nos receptores 5-HT)

 

Enxaqueca e outras patologias Aurora, S.K., Brin, M.F., 2017. Chronic migraine: an update on physiology, imaging, and the mechanism of

action of two available pharmacologic therapies. Headache 57, 109–125. (Este artigo, juntamente com

o seguinte, sumariza perspectivas recentes nas causas de enxaqueca e discute os mecanismos de ação

de alguns fármacos. Ambos são de uma perspectiva bastante clínica, mas de fácil leitura)

Buture, A., Gooriah, R., Nimeri, R., Ahmed, F., 2016. Current understanding on pain mechanism in

migraine and cluster headache. Anesth. Pain. Med. 6, e35190. (Excelente revisão concisa destas duas

patologias, concentrando-se nas ideias mais recentes sobre os mecanismos da dor)

Charles, A., 2013. The evolution of a migraine attack – a review of recent evidence. Headache 53, 413–

419. (Descrição excelente e de fácil leitura do pensamento moderno sobre as causas da enxaqueca)

Creutzfeld, W., Stockmann, F., 1987. Carcinoids and carcinoid syndrome. Am. J. Med. 82 (Suppl. 58), 4–

16.

Dahlof, C.G., Rapoport, A.M., Sheftell, F.D., Lines, C.R., 1999. Rizatriptan in the treatment of migraine.

Clin. Ther. 21, 1823–1836.

Dodick, D.W., Goadsby, P.J., Spierings, E.L., Scherer, J.C., Sweeney, S.P., Grayzel, D.S., 2014. Safety and

efficacy of LY2951742, a monoclonal antibody to calcitonin gene-related peptide, for the prevention of

migraine: a phase 2, randomised, double-blind, placebo-controlled study. Lancet Neurol. 13, 885–892.

Eadie, M.J., 2005. The pathogenesis of migraine – 17th to early 20th century understandings. J. Clin.

Neurosci. 12, 383–388. (Descrição fascinante da história do desenvolvimento de teorias das causas da

enxaqueca. Bom se estiver interessado na história da medicina!)

Farinelli, I., Missori, S., Martelletti, P., 2008. Proinflammatory mediators and migraine pathogenesis:

moving towards CGRP as a target for a novel therapeutic class. Expert Rev. Neurother. 8, 1347–1354.

Grigoriadis, S., Vonderporten, E.H., Mamisashvili, L., et al., 2014. Prenatal exposure to antidepressants and

persistent pulmonary hypertension of the newborn: systematic review and meta-analysis. BMJ 348,

f6932.

Goadsby, P.J., 2005. Can we develop neurally acting drugs for the treatment of migraine? Nat. Rev. Drug

Discov. 4, 741–750. (Revisão útil das causas e tratamentos da enxaqueca)

Hershey, A.D., 2017. CGRP – the next frontier for migraine. N. Engl. J. Med. 377, 2190–2191. Juhasz, G., Zsombok, T., Jakab, B., Nemeth, J., Szolcsanyi, J., Bagdy, G., 2005. Sumatriptan causes

parallel decrease in plasma calcitonin gene-related peptide (CGRP) concentration and migraine

headache during nitroglycerin induced migraine attack. Cephalalgia 25, 179–183.

Lauritzen, M., 1987. Cerebral blood flow in migraine and cortical spreading depression. Acta Neurol.

Scand. Suppl. 113, 1–40. (Revisão de avaliações clínicas do fluxo sanguíneo cerebral na enxaqueca,

que invalidaram hipóteses anteriores)

Maclean, M.R., Dempsie, Y., 2010. The serotonin hypothesis of pulmonary hypertension revisited. Adv.

Exp. Med. Biol. 661, 309–322. (Uma descrição da evidência que suporta um papel da 5-HT na

hipertensão pulmonar por um dos líderes neste campo)

Mota, J.M., Sousa, L.G., Riechelmann, R.P., 2016. Complications from carcinoid syndrome: review of the

current evidence. Ecancermedicalscience 10, 662. (Boa descrição da síndrome carcinoide escrita de

uma perspectiva clínica. De fácil leitura)

Pellesi, L., Guerzoni, S., Pini, L.A., 2017. Spotlight on anti-CGRP monoclonal antibodies in migraine: the

clinical evidence to date. Clin. Pharmacol. Drug Dev. 6, 534–547. (Lista uma série de ensaios clínicos

em curso de monoclonais anti-CGRP para o tratamento da enxaqueca)

Tfelt-Hansen, P., 2012. Clinical pharmacology of current and future drugs for the acute treatment of

migraine: a review and an update. Curr. Clin. Phar-macol. 7, 66–72. (Uma boa descrição de fármacos

antienxaqueca. Recomendado)

Waeber, C., Moskowitz, M.A., 2005. Migraine as an inflammatory disorder. Neurology 64, S9–S15.

(Revisão útil da teoria da inflamação da enxaqueca)

 

Livros

Sjoerdsma, A.G., 2008. Starting With Serotonin: How a High-Rolling Father of Drug Discovery

Repeatedly Beat the Odds. Improbable Books, Silver Spring, MD. (Biografia de um farmacologista

impressionante, pela sua filha. Muito bem revisada)

____________

1 Isso tornou-se conhecido na Idade Média como o Fogo de Santo Antônio, porque acreditava-se que ele poderia ser curado por uma visita ao Santuário de Santo Antônio (que convenientemente se situava em uma região de França sem ergot).

2 Em inglês, migraine, é uma palavra aparentemente de origem francesa, sendo provavelmente uma derivação de hemicrania, o nome em latim da doença.

Capítulo 16

 

16.1 TEMA

A 5-hidroxitriptamina (5-HT) é um importante neurotransmissor e hormônio que regula uma variedade de funções siológicas no corpo.

Qual das seguintes a rmativas sobre a biossíntese, a distribuição e o metabolismo da 5-HT é correta?

A. A 5-HT surge a partir de uma via de síntese semelhante à norepinefrina e é sintetizada a partir

da tirosina nas células croma ns e nos neurônios

B. O precursor é descarboxilado nas plaquetas pela enzima ácido L-aromático descarboxilase para

formar 5-HT ativa

C. A presença de níveis elevados de ácido 5-hidroxi-indolacético (5-HIAA) na urina é diagnóstica de

síndrome carcinoide

D. As plaquetas apresentam um mecanismo de captação efetivo, de modo que podem acumular 5-

HT de origem dietética no sangue

E. A concentração sérica de 5-HT do sangue coagulado é baixa, devido à perda dos grânulos

plaquetários durante a agregação

 

Resposta A A via é semelhante, porém o precursor da 5-HT é o triptofano.

Alternativa B incorreta: As plaquetas captam a 5-HT já sintetizada, porém não a sintetizam in situ.

Alternativa C incorreta: A presença de níveis elevados de ácido 5-hidroxi-indolacético (5-HIAA) na urina é diagnóstica de síndrome carcinoide.

A 5-HT é metabolizada pela monoamina oxidase A e, em seguida, oxidada a 5-HIAA. Por

conseguinte, os níveis de 5-HIAA na urina fornecem uma indicação dos níveis de 5-HT no sangue circulante.

Alternativa D incorreta: A maior parte da 5-HT dietética é rapidamente metabolizada, de modo que as plaquetas captam a 5-HT recém-sintetizada a partir das células croma ns intestinais.

Alternativa E incorreta: Devido à perda de 5-HT dos grânulos plaquetários, a concentração sérica de 5-HT no sangue coagulado é elevada.

 

Concluir questão

 

16.2 TEMA

A complexidade dos efeitos siológicos da 5-HT é reforçada pela existência de muitos subtipos de receptores, e a farmacologia de muitos deles ainda não está totalmente elucidada.

Qual das seguintes opções não constitui uma resposta caracterizada de subtipos de receptores de 5-HT.

A. Os receptores 5-HT1A atuam como receptores pré-sinápticos inibitórios no sistema nervoso

central (SNC)

 

B. A ativação dos receptores 5-HT1B resulta em vasodilatação dos vasos sanguíneos cerebrais

C. Os receptores 5-HT 3 medeiam a percepção sensorial

D. Os receptores 5-HT4 medeiam o peristaltismo

E. Os receptores 5-HT2A medeiam grande parte do efeito periférico da 5-HT sobre o músculo liso

 

Resposta A Os receptores 5-HT1A são receptores inibitórios neuronais acoplados a G1/G0 no SNC, que regulam o humor e o sono.

Alternativa B incorreta: A ativação dos receptores 5-HT1B resulta em vasodilatação dos vasos sanguíneos cerebrais.

O receptor 5-HT1B inibitório pré-sináptico, que sinaliza por meio da adenilato ciclase, resulta em vasodilatação dos vasos sanguíneos cerebrais, de modo que os agonistas constituem fármacos antienxaqueca efetivos.

Alternativa C incorreta: Os receptores 5-HT 3 são canais iônicos operados por ligantes, que são envolvidos na percepção sensorial.

Alternativa D incorreta: Os receptores 5-HT4 são acoplados a Gs ligada à adenilato ciclase e são excitatórios, causando aumento da motilidade intestinal.

Alternativa E incorreta: Os receptores 5-HT 2A estão ligados à fosfolipase C (PLC) e ao inositol (1,4,5) trifosfato (IP3) e medeiam a contração do músculo liso.

 

Concluir questão

 

16.3 TEMA

A etiologia e a siopatologia da enxaqueca não estão totalmente elucidadas, porém obtém-se melhora da condição pela manipulação das vias serotoninérgicas. Qual dos seguintes agentes não deveria ser utilizado terapeuticamente para reduzir os sintomas de uma crise de enxaqueca?

A. Ergotamina

B. Rizatriptana

C. Pizotifeno

D. Lasmiditana

E. Anti-in amatórios não esteroides (AINE)

Resposta A A ergotamina é um antagonista/agonista parcial nos receptores 5-HT1, que medeia a vasoconstrição e, portanto, reduz a vasodilatação induzida pela enxaqueca.

Alternativa B incorreta: A rizatriptana é um agonista dos receptores 5-HT1B/D, que causa vasoconstrição e, portanto, reduz a vasodilatação mediada pela enxaqueca.

Alternativa C incorreta: Pizotifeno.

O pizotifeno, um antagonista 5-HT 2, pode ser utilizado de modo pro lático para prevenção das crises de enxaqueca, mas não terapeuticamente.

Alternativa D incorreta: A lasmiditana é um agonista 5-HT 1F efetivo para impedir crises de enxaqueca.

Alternativa E incorreta: Os AINE são utilizados pelas suas propriedades analgésicas em enxaqueca.

 

Concluir questão

 

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