Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 386 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Glucagon

nucleares, levando à expressão de genes que estão envolvidos tanto com

o crescimento celular quanto com o metabolismo intermediário.

O uso da insulina para tratamento do diabetes melito é discutido adiante.

 

GLUCAGON

 

Síntese e secreção

O glucagon é um polipeptídio de cadeia única composto de 21 resíduos de

aminoácidos, sintetizado principalmente nas células α das ilhotas, embora

também possa ser produzido no TGI superior. Apresenta homologia

considerável com outros hormônios do TGI, incluindo a secretina, o

peptídio intestinal vasoativo e o GIP (ver Capítulo 31).

Os aminoácidos (principalmente a L-arginina) estimulam a secreção do

glucagon, como na ingestão de uma refeição de teor proteico elevado;

entretanto, a variação diurna nas concentrações plasmáticas de glucagon é

menor que para a insulina. A secreção de glucagon é estimulada por baixas

concentrações de glicose e de ácidos graxos no plasma e inibida por

elevadas concentrações dos mesmos. A atividade nervosa simpática e a

epinefrina circulante estimulam a liberação de glucagon por intermédio dos

receptores beta-adrenérgicos. A atividade nervosa parassimpática também

eleva a secreção, enquanto a somatostatina, liberada pelas células δ

adjacentes às células α secretoras de glucagon na periferia das ilhotas, inibe

a liberação de glucagon.

Pâncreas endócrino e glicemia

 

• As ilhotas de Langerhans secretam insulina pelas células β (ou B), glucagon pelas células α

e somatostatina pelas células δ

Muitos fatores estimulam a secreção de insulina, sendo a glicemia o principal deles. As

•

incretinas, principalmente o peptídio inibidor gástrico (GIP) e o peptídio glucagon-símile-

1 (GLP-1), secretados, respectivamente, pelas células K e L no intestino, são também

fatores importantes

• A insulina exerce ações metabólicas essenciais como hormônio de armazenamento de

combustível e afeta o crescimento e a diferenciação celular. Ela também reduz a glicemia

por meio de:

– Aumento da captação de glicose pelo músculo e pelo tecido adiposo através do Glut-

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– Aumento da síntese de glicogênio

– Diminuição da gliconeogênese

– Redução da degradação de glicogênio

• O glucagon é um hormônio de mobilização de fontes energéticas que estimula a

gliconeogênese e a glicogenólise, bem como a lipólise e a proteólise. Ele eleva a glicemia e

aumenta a força de contração do coração

• O diabetes melito é uma doença metabólica crônica caracterizada por hiperglicemia.

Existem dois tipos principais:

– Tipo 1 (insulinodependente), com de ciência absoluta de insulina

– Tipo 2 (não insulinodependente), com de ciência relativa de insulina associada a

uma redução da sensibilidade à sua ação (resistência à insulina).

 

Ações O glucagon eleva a glicemia e promove degradação da gordura e de

proteínas. Ele age sobre receptores acoplados à proteína G específicos,

estimulando a adenililciclase, e seus efeitos são, de algum modo,

semelhantes àqueles exercidos pela epinefrina por ligação a receptores beta-

adrenérgicos. No entanto, diferentemente da epinefrina, seus efeitos

metabólicos são mais pronunciados do que suas ações cardiovasculares. O

glucagon é proporcionalmente mais ativo sobre o fígado, enquanto os

efeitos metabólicos da epinefrina são mais pronunciados no músculo e no

tecido adiposo. Ele ainda estimula a degradação de glicogênio e a

gliconeogênese, e inibe a síntese de glicogênio e a oxidação da glicose.

Assim, suas ações metabólicas sobre os tecidos-alvo são opostas àquelas

exercidas pela insulina. O glucagon eleva a frequência e a força de

contração do coração, embora de maneira menos marcante do que a

epinefrina.

Suas indicações clínicas estão resumidas no boxe “Usos clínicos do

glucagon”.

 

Usos clínicos do glucagon

 

• O glucagon pode ser administrado por via intramuscular ou subcutânea, bem como

intravenosa

• Tratamento da hipoglicemia em pacientes inconscientes, os quais não conseguem ingerir

líquidos; diferentemente da glicose intravenosa, ele pode ser administrado por indivíduos

que não são médicos (p. ex., cônjuge ou equipe da ambulância). É útil quando há

di culdade em se obter um acesso venoso

• Tratamento da insu ciência cardíaca aguda desencadeada por antagonistas dos receptores

beta-adrenérgicos.