Rang e Dale: Farmacologia
Glucagon
nucleares, levando à expressão de genes que estão envolvidos tanto com
o crescimento celular quanto com o metabolismo intermediário.
O uso da insulina para tratamento do diabetes melito é discutido adiante.
GLUCAGON
Síntese e secreção
O glucagon é um polipeptídio de cadeia única composto de 21 resíduos de
aminoácidos, sintetizado principalmente nas células α das ilhotas, embora
também possa ser produzido no TGI superior. Apresenta homologia
considerável com outros hormônios do TGI, incluindo a secretina, o
peptídio intestinal vasoativo e o GIP (ver Capítulo 31).
Os aminoácidos (principalmente a L-arginina) estimulam a secreção do
glucagon, como na ingestão de uma refeição de teor proteico elevado;
entretanto, a variação diurna nas concentrações plasmáticas de glucagon é
menor que para a insulina. A secreção de glucagon é estimulada por baixas
concentrações de glicose e de ácidos graxos no plasma e inibida por
elevadas concentrações dos mesmos. A atividade nervosa simpática e a
epinefrina circulante estimulam a liberação de glucagon por intermédio dos
receptores beta-adrenérgicos. A atividade nervosa parassimpática também
eleva a secreção, enquanto a somatostatina, liberada pelas células δ
adjacentes às células α secretoras de glucagon na periferia das ilhotas, inibe
a liberação de glucagon.
Pâncreas endócrino e glicemia
• As ilhotas de Langerhans secretam insulina pelas células β (ou B), glucagon pelas células α
e somatostatina pelas células δ
Muitos fatores estimulam a secreção de insulina, sendo a glicemia o principal deles. As
•
incretinas, principalmente o peptídio inibidor gástrico (GIP) e o peptídio glucagon-símile-
1 (GLP-1), secretados, respectivamente, pelas células K e L no intestino, são também
fatores importantes
• A insulina exerce ações metabólicas essenciais como hormônio de armazenamento de
combustível e afeta o crescimento e a diferenciação celular. Ela também reduz a glicemia
por meio de:
– Aumento da captação de glicose pelo músculo e pelo tecido adiposo através do Glut-
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– Aumento da síntese de glicogênio
– Diminuição da gliconeogênese
– Redução da degradação de glicogênio
• O glucagon é um hormônio de mobilização de fontes energéticas que estimula a
gliconeogênese e a glicogenólise, bem como a lipólise e a proteólise. Ele eleva a glicemia e
aumenta a força de contração do coração
• O diabetes melito é uma doença metabólica crônica caracterizada por hiperglicemia.
Existem dois tipos principais:
– Tipo 1 (insulinodependente), com de ciência absoluta de insulina
– Tipo 2 (não insulinodependente), com de ciência relativa de insulina associada a
uma redução da sensibilidade à sua ação (resistência à insulina).
Ações O glucagon eleva a glicemia e promove degradação da gordura e de
proteínas. Ele age sobre receptores acoplados à proteína G específicos,
estimulando a adenililciclase, e seus efeitos são, de algum modo,
semelhantes àqueles exercidos pela epinefrina por ligação a receptores beta-
adrenérgicos. No entanto, diferentemente da epinefrina, seus efeitos
metabólicos são mais pronunciados do que suas ações cardiovasculares. O
glucagon é proporcionalmente mais ativo sobre o fígado, enquanto os
efeitos metabólicos da epinefrina são mais pronunciados no músculo e no
tecido adiposo. Ele ainda estimula a degradação de glicogênio e a
gliconeogênese, e inibe a síntese de glicogênio e a oxidação da glicose.
Assim, suas ações metabólicas sobre os tecidos-alvo são opostas àquelas
exercidas pela insulina. O glucagon eleva a frequência e a força de
contração do coração, embora de maneira menos marcante do que a
epinefrina.
Suas indicações clínicas estão resumidas no boxe “Usos clínicos do
glucagon”.
Usos clínicos do glucagon
• O glucagon pode ser administrado por via intramuscular ou subcutânea, bem como
intravenosa
• Tratamento da hipoglicemia em pacientes inconscientes, os quais não conseguem ingerir
líquidos; diferentemente da glicose intravenosa, ele pode ser administrado por indivíduos
que não são médicos (p. ex., cônjuge ou equipe da ambulância). É útil quando há
di culdade em se obter um acesso venoso
• Tratamento da insu ciência cardíaca aguda desencadeada por antagonistas dos receptores
beta-adrenérgicos.