Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 294 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Fármacos que inibem a absorção do colesterol

Usos clínicos dos bratos (p. ex., gen brozila, feno brato)

 

• Dislipidemia mista (p. ex., elevação dos triglicerídios séricos, bem como do colesterol),

desde que essas taxas não tenham sido causadas por consumo excessivo de álcool. O

feno brato é uricosúrico, o que pode ser útil quando coexistir hiperuricemia com

dislipidemia mista

• Em pacientes com baixo nível de HDL e alto risco de doença ateromatosa (muitas vezes

diabéticos tipo 2; ver Capítulo 32)

• Combinados com outros redutores de lipídios em pacientes com dislipidemia grave

resistente a tratamento. Este esquema, contudo, aumenta o risco de rabdomiólise.

 

FÁRMACOS QUE INIBEM A ABSORÇÃO DO

COLESTEROL

Historicamente, as resinas de ligação a sais biliares (p. ex., colestiramina,

colestipol) eram os únicos agentes disponíveis para reduzir a absorção do

colesterol e estavam entre os poucos meios para redução do colesterol

plasmático. Administrados VO, sequestram sais biliares no intestino e

previnem sua reabsorção e recirculação êntero-hepática (ver Figura 24.1). A

concentração de HDL não se altera, e eles causam aumento indesejado de

triglicerídios.

▼ O ensaio realizado pela American Lipid Research Clinics em homens

de meia-idade com hipercolesterolemia primária mostrou que a adição

de uma resina ao tratamento dietético levou a uma redução do colesterol

plasmático e à queda de 20 a 25% de doenças coronarianas crônicas

após 7 anos, porém nenhum estudo demonstrou melhora na sobrevida.

A redução na absorção de colesterol exógeno e o aumento do

metabolismo do colesterol endógeno em sais biliares no fígado elevam a

expressão de receptores de LDL nos hepatócitos e, portanto, aumentam

a depuração de LDL do sangue, com redução da concentração

plasmática de LDL. As resinas são viscosas, de gosto desagradável e

muitas vezes causam diarreia. Interferem na absorção de vitaminas

lipossolúveis e de diuréticos tiazídicos (ver Capítulo 30), digoxina (ver

Capítulo 22) e varfarina (ver Capítulo 25). Esses fármacos devem,

portanto, ser administrados 1 h antes ou 4 a 6 h após a resina. Com a

introdução das estatinas, seu uso no tratamento de dislipidemia foi

amplamente relegado a tratamento adicional em casos de pacientes com

doença grave (p. ex., HF) e (um uso separado) para o tratamento de

sintomas associados aos sais biliares como prurido e diarreia – ver o

boxe clínico adiante. O colesevelam está disponível na forma de

comprimido e é menos viscoso (a dose diária é de até 4 g, em

comparação com a dose de até 36 g da colestiramina), porém mais caro.

Subsequentemente, esteróis e estanóis de plantas estão sendo

comercializados; estes são isolados da polpa da madeira e usados na

fabricação de margarinas e iogurtes. Causam discreta redução do

colesterol plasmático e possuem sabor melhor do que as resinas. Os

ésteres de fitosterol e o fitostanol interferem na apresentação micelar

dos esteróis à superfície do enterócito, reduzindo a absorção de

colesterol e, portanto, a via exógena.

 

Ezetimiba

A ezetimiba pertence ao grupo de azetidinonas inibidoras da absorção de

colesterol e é usada como coadjuvante à dieta e ao uso de estatinas na

hipercolesterolemia. No duodeno, inibe a absorção de colesterol (e de estanóis vegetais) por bloqueio de uma proteína transportadora (NPC1L1)

nas microvilosidades (borda em escova) dos enterócitos, sem afetar a

absorção de vitaminas lipossolúveis, triglicerídios ou ácidos biliares. Em

virtude de sua alta potência em comparação com as resinas (uma dose diária

de 10 mg), esta representa um avanço útil como substituta das resinas na

complementação do tratamento com estatinas em pacientes com

dislipidemia grave.

A ezetimiba é administrada por via oral e absorvida nas células

epiteliais do intestino, onde se localiza nas microvilosidades, que se

presume serem seu ponto de ação. Também é extensamente (> 80%)

metabolizada, originando um metabólito ativo. A recirculação êntero-

hepática faz com que sua eliminação seja lenta. A meia-vida terminal é de

aproximadamente 22 h. Passa para o leite (pelo menos em estudos animais)

e está contraindicada para lactantes. É em geral bem tolerada, mas pode

causar diarreia, dor abdominal ou cefaleia; foram relatados rash e

angioedema.