Rang e Dale: Farmacologia
Retinoides
longo de fases sucessivas do ciclo celular (ver Capítulo 6). Os folículos
existentes, geralmente paralisados na sua fase de repouso (telógeno), devem
primeiro “cair” para dar lugar a novos folículos que crescem rapidamente.
Assim, a perda de cabelo inicial após o tratamento é uma ação frequente,
indesejada – e bastante alarmante – do fármaco. Os demais efeitos
indesejados são poucos, mas pode ocorrer alguma irritação local. A perda
de cabelo ocorre quando a aplicação tópica é descontinuada.
RETINOIDES
Sabe-se que os distúrbios do metabolismo da vitamina A resultam em
patologia da pele. A vitamina A é normalmente adquirida na forma éster
por meio de fontes da dieta. Ela é convertida a retinol no intestino,
parecendo ser esta a forma de armazenamento dessa vitamina.
A vitamina A tem vários papéis biológicos. Como retinol, é um
componente essencial da rodopsina e, portanto, crucial para uma visão
normal. No entanto, pode também sofrer uma oxidação irreversível a ácido
retinoico, que não tem quaisquer efeitos no sistema visual, mas tem
potentes efeitos na homeostasia da pele.
Os fármacos retinoides são derivados do ácido retinoico (Figura 28.2).
Os principais exemplos são a acitretina, o adapaleno, a alitretinoína, a
isotretinoína, a tretinoína e o tazaroteno. São amplamente utilizados (por
vezes em combinação com outros fármacos) para o tratamento de acne,
eczema e psoríase. A aplicação tópica é o método usado para a
administração, mas a VO é por vezes usada para casos graves.
A maior parte dos cientistas acredita que os retinoides atuem por meio
da sua ligação aos receptores nucleares RXR e RAR (ver Capítulo 3 e
Figura 28.2) nas suas células-alvo, que incluem os queratinócitos e as
células das glândulas sebáceas, embora alguns tenham questionado este mecanismo (Arechalde e Saurat, 2000). As proteínas de ligação aos
retinoides (RBP; do inglês, retinoid binding proteins) presentes na
superfície e dentro das células ajudam no transporte da molécula para o seu
receptor e facilitam o seu catabolismo final (Napoli, 2017). As principais
ações dermatológicas dos retinoides incluem a modulação do crescimento
celular epidérmico, a redução da atividade das glândulas sebáceas e a
produção de sebo. Eles também têm ações pleiotrópicas no sistema imune
inato e adaptativo, que produzem um efeito anti-inflamatório (Fisher e
Voorhees, 1996; Orfanos et al., 1997).
Efeitos adversos. Após a administração oral, os retinoides podem
provocar pele seca ou escamosa, sensação de ardor ou queimação e dores
articulares, possivelmente porque podem ativar o receptor TRPV1 (Yin et
al., 2013). Os retinoides são teratogênicos (isso está relacionado com os
efeitos dos retinoides na diferenciação epidérmica que fundamentam a sua
eficácia) e podem ser utilizados em mulheres apenas na presença de
contracepção adequada (ver Capítulos 36 e 58).