Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 339 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Retinoides

longo de fases sucessivas do ciclo celular (ver Capítulo 6). Os folículos

existentes, geralmente paralisados na sua fase de repouso (telógeno), devem

primeiro “cair” para dar lugar a novos folículos que crescem rapidamente.

Assim, a perda de cabelo inicial após o tratamento é uma ação frequente,

indesejada – e bastante alarmante – do fármaco. Os demais efeitos

indesejados são poucos, mas pode ocorrer alguma irritação local. A perda

de cabelo ocorre quando a aplicação tópica é descontinuada.

 

RETINOIDES

Sabe-se que os distúrbios do metabolismo da vitamina A resultam em

patologia da pele. A vitamina A é normalmente adquirida na forma éster

por meio de fontes da dieta. Ela é convertida a retinol no intestino,

parecendo ser esta a forma de armazenamento dessa vitamina.

A vitamina A tem vários papéis biológicos. Como retinol, é um

componente essencial da rodopsina e, portanto, crucial para uma visão

normal. No entanto, pode também sofrer uma oxidação irreversível a ácido

retinoico, que não tem quaisquer efeitos no sistema visual, mas tem

potentes efeitos na homeostasia da pele.

Os fármacos retinoides são derivados do ácido retinoico (Figura 28.2).

Os principais exemplos são a acitretina, o adapaleno, a alitretinoína, a

isotretinoína, a tretinoína e o tazaroteno. São amplamente utilizados (por

vezes em combinação com outros fármacos) para o tratamento de acne,

eczema e psoríase. A aplicação tópica é o método usado para a

administração, mas a VO é por vezes usada para casos graves.

A maior parte dos cientistas acredita que os retinoides atuem por meio

da sua ligação aos receptores nucleares RXR e RAR (ver Capítulo 3 e

Figura 28.2) nas suas células-alvo, que incluem os queratinócitos e as

células das glândulas sebáceas, embora alguns tenham questionado este mecanismo (Arechalde e Saurat, 2000). As proteínas de ligação aos

retinoides (RBP; do inglês, retinoid binding proteins) presentes na

superfície e dentro das células ajudam no transporte da molécula para o seu

receptor e facilitam o seu catabolismo final (Napoli, 2017). As principais

ações dermatológicas dos retinoides incluem a modulação do crescimento

celular epidérmico, a redução da atividade das glândulas sebáceas e a

produção de sebo. Eles também têm ações pleiotrópicas no sistema imune

inato e adaptativo, que produzem um efeito anti-inflamatório (Fisher e

Voorhees, 1996; Orfanos et al., 1997).

Efeitos adversos. Após a administração oral, os retinoides podem

provocar pele seca ou escamosa, sensação de ardor ou queimação e dores

articulares, possivelmente porque podem ativar o receptor TRPV1 (Yin et

al., 2013). Os retinoides são teratogênicos (isso está relacionado com os

efeitos dos retinoides na diferenciação epidérmica que fundamentam a sua

eficácia) e podem ser utilizados em mulheres apenas na presença de

contracepção adequada (ver Capítulos 36 e 58).