Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 722 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Inibidores de quinases proteicas

cancerosas em geral.

 

INIBIDORES DE QUINASES PROTEICAS

 

■ Imatinibe

Aclamado como descoberta conceitual na quimioterapia direcionada, o

imatinibe (Savage e Antman, 2002) é inibidor de pequenas moléculas das

quinases da via de sinalização. Inibe uma quinase citoplasmática

oncogênica (Bcr/Abl quinase; ver Figuras 57.1 e 57.8), considerada um

fator singular na patogênese da leucemia mieloide crônica (LMC).

Transformou o prognóstico (até aqui ruim) dos pacientes com LMC.

Também inibe o receptor do fator de crescimento derivado das plaquetas

(um receptor de tirosinoquinase; ver Figura 57.1) e o receptor c-kit

(CD117), cujo ligante é um fator de células-tronco (SCF; do inglês stem cell

factor), e está autorizado para o tratamento dos tumores do estroma

gastrintestinal (GIST; do inglês, GastroIntestinal Stromal Tumours) c-kit-

positivos, não suscetíveis à cirurgia.

O fármaco é administrado por via oral. A meia-vida dura, em média, 18

horas, e o principal sítio de metabolismo é o fígado, em que cerca de 75%

do fármaco são convertidos em um metabólito que também é

biologicamente ativo. A maioria (81%) do fármaco metabolizado é

eliminada nas fezes.

Os efeitos adversos incluem sintomas GI (dor, diarreia, náuseas), fadiga,

cefaleia e, às vezes, erupções cutâneas. A resistência ao imatinibe,

resultante de mutação nos genes das quinases, é um problema crescente.

Isso resulta em ausência de – ou pequena resistência cruzada a – outros

inibidores de quinases. Vários inibidores de tirosinoquinase Bcr/Abl de

segunda (nilotinibe, dasatinibe, bosutinibe) e terceira (ponatinibe) geração foram desenvolvidos para combater, em vários graus, uma mutação

de resistência farmacológica típica no Bcr/Abl (T315l) que ocorre nos

pacientes com LMC tratados com imatinibe.

▼ Recentemente, muitos inibidores da tirosinoquinase semelhantes

têm sido desenvolvidos, incluindo axitinibe, crizotinibe, erlotinibe,

gefitinibe, imatinibe, lapatinibe, pazopanibe, sunitinibe e

vandentanibe. O ruxolitinibe inibe as quinases JAK1 e JAK2,

enquanto o vemurafenibe inibe a quinase BRAF. Sorafenibe,

everolimo e tensirolimo são inibidores panquinase com utilidade

semelhante. O ibrutinibe e o acalabrutinibe inibem a tirosinoquinase de

Bruton (BTK) (ver Capítulo 7). Eles modificam de forma covalente o

resíduo C481 na BTK e inibem de forma irreversível as suas ações

celulares, que incluem quimiotaxia e secreção de fatores necessários

para a adesão ao microambiente. De forma interessante, sua efetividade

nas leucemias linfoides B e linfomas deriva da capacidade de prevenir a

migração e adesão dessas células de câncer aos seus tecidos residentes.

A linfocitose (a extrusão de células B dos gânglios linfáticos, baço e

medula óssea para o sangue periférico) é um dos primeiros efeitos

desses fármacos, e é um marcador do seu efeito quimioterápico. Assim,

esses fármacos anticâncer com respostas celulares que não as simples

ações citotóxicas representam uma nova abordagem à quimioterapia.

Fármacos anticâncer | Anticorpos monoclonais e inibidores de

 

proteinoquinases

 

• Muitos tumores superexpressam receptores de fatores de crescimento que, por sua vez,

estimulam a proliferação celular e o crescimento do tumor. Isso pode ser iniciado por:

Anticorpos monoclonais que se ligam ao domínio extracelular do receptor do fator de

–

crescimento epidérmico (EGF) (p. ex., panitumumabe), ao receptor oncogênico do

fator de crescimento epidérmico humano tipo 2 (HER2) (p. ex., trastuzumabe) ou

que neutralizam os próprios fatores de crescimento (p. ex., fator de crescimento

endotelial vascular [VEGF]; bevacizumabe)

– Inibidores de proteinoquinases que impedem a sinalização a jusante ativada pelos

fatores de crescimento, por meio da inibição de quinases oncogênicas especí cas (p.

ex., imatinibe; bcr/abl) ou da inibição de receptores especí cos das tirosinoquinases

(p. ex., receptor EGF; erlotinibe) ou de diversas quinases associadas a receptores (p.

ex., sorafenibe)

• Alguns anticorpos monoclonais atuam diretamente nas proteínas de superfície das células

linfocitárias, causando lise (p. ex., rituximabe) e, portanto, prevenindo a proliferação.