Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 613 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Modafinila

Anfetaminas

 

• Os principais efeitos são:

– Aumento da atividade motora

– Euforia e excitação

– Insônia –Anorexia

– Com administração prolongada, comportamento estereotipado e psicótico

• Os efeitos devem-se principalmente à liberação de catecolaminas, em especial DA e NE

• O efeito estimulante dura algumas horas e é seguido de depressão e ansiedade

• A tolerância com relação aos efeitos estimulantes desenvolve-se rapidamente, porém os

efeitos periféricos simpaticomiméticos podem persistir

• As anfetaminas induzem forte dependência psicológica

• A psicose por anfetamina, que é bastante semelhante à esquizofrenia, pode se

desenvolver após o uso prolongado

• As anfetaminas podem ser úteis no tratamento de narcolepsia e, também

(paradoxalmente), para controlar crianças hipercinéticas. Elas não são mais prescritas

como inibidores do apetite

• Sua principal importância é no uso abusivo.

 

MODAFINILA

Modafinila é o principal metabólito do adrafinila, um fármaco que foi

introduzido como tratamento para narcolepsia nos anos 1980. A modafinila

tem estado disponível desde 1994 como um fármaco por si própria. Inibe a

recaptação de DA ao ligar-se ao DAT, porém com baixa potência. No

cérebro humano, a modafinila bloqueia o DAT e aumenta os níveis

extracelulares de DA em núcleo caudado, putame e núcleo accumbens. Também produz uma variedade de outros efeitos, incluindo ativação de α1-adrenorreceptor, aumento da liberação de 5-hidroxitriptamina (5-HT),

glutamato e histamina, e inibição da liberação de GABA, assim como

otimização do acoplamento eletrônico entre neurônios. A contribuição de

cada ação para os efeitos comportamentais de modafinila ainda está por

esclarecer. Modafinila melhora alguns aspectos do desempenho cognitivo

(p. 633), ganhando popularidade como substãncia relacionada ao “estilo de

vida” (ver Capítulo 59).

Apresenta boa absorção a partir do intestino, é metabolizada no fígado e

tem meia-vida de 10 a 14 horas. Apesar de ser conhecida por “melhorar o

humor”, há pouca evidência de que produza níveis significativos de euforia

quando administrada por via oral, mas os comprimidos podem ser

esmagados e cheirados para se obter efeito mais rápido. Modafinila é muito

insolúvel para que a injeção intravenosa seja prática.

 

Uso clínico de estimulantes

 

Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

O principal uso das anfetaminas e do metilfenidato é no tratamento de

TDAH, uma condição comum e cada vez mais diagnosticada, estimando-se

que ocorra em até 9% das crianças cuja hiperatividade e capacidade de

atenção limitada prejudiquem sua educação e desenvolvimento social. A

eficácia do tratamento medicamentoso (p. ex., com metilfenidato) tem sido

confirmada em ensaios controlados, mas existe preocupação em relação a

possíveis efeitos adversos a longo prazo, uma vez que o tratamento algumas

vezes continua até a adolescência ou depois disso. O tratamento

medicamentoso deve fazer parte de um programa que inclua intervenção

psicológica, caso disponível, e ser iniciado após o diagnóstico ter sido feito

por um especialista. Acredita-se que as alterações das vias da NE e DA no córtex frontal e nos núcleos da base sejam o fundamento da sintomatologia

do TDAH, mas ainda há controvérsia sobre a importância relativa de cada

monoamina e das regiões cerebrais específicas envolvidas nas ações dos

fármacos usados para aliviar os sintomas do TDAH.

Formulações de liberação lenta de anfetamina e metilfenidato têm sido

desenvolvidas para proporcionar concentrações mais estáveis do fármaco,

mais baixas que as necessárias para produzir euforia. A D-anfetamina

conjugada à lisina (lisdexanfetamina) é um profármaco inativo que é

clivado enzimaticamente para liberar D-anfetamina após administração

oral, resultando em um início de ação mais lento e um provável potencial de

uso abusivo reduzido.

▼ Outros tratamentos medicamentosos para o TDAH incluem o inibidor

de recaptação de NE atomoxetina (ver Capítulo 48) e agonistas do α2-

adrenorreceptor como clonidina e guanfacina. O inibidor de recaptação

de monoamina modafinila não está aprovado para uso pediátrico, mas

pode ser eficaz no TDAH do adulto, a exemplo da bupropiona. A

melatonina (ver Capítulo 40) melhora os padrões de sono nos que

sofrem de TDAH. A farmacologia dos fármacos usados para o

tratamento do TDAH foi revisada por Heal et al. (2009).

 

Narcolepsia

Este é um transtorno do sono raro e debilitante, em que o paciente

adormece de maneira súbita e imprevisível em intervalos frequentes durante

o dia, ao mesmo tempo que sofre insônia noturna. A anfetamina é útil, mas

não totalmente efetiva. A modafinila também é eficaz na redução dos

ataques. A narcolepsia é geralmente acompanhada de cataplexia

(aparecimento abrupto de paralisia de extensão variável, em geral

desencadeada por emoção, algumas vezes com uma postura “congelada”). Na maior parte das vezes, o tratamento é feito com fluoxetina, um inibidor