Rang e Dale: Farmacologia
Modafinila
Anfetaminas
• Os principais efeitos são:
– Aumento da atividade motora
– Euforia e excitação
– Insônia –Anorexia
– Com administração prolongada, comportamento estereotipado e psicótico
• Os efeitos devem-se principalmente à liberação de catecolaminas, em especial DA e NE
• O efeito estimulante dura algumas horas e é seguido de depressão e ansiedade
• A tolerância com relação aos efeitos estimulantes desenvolve-se rapidamente, porém os
efeitos periféricos simpaticomiméticos podem persistir
• As anfetaminas induzem forte dependência psicológica
• A psicose por anfetamina, que é bastante semelhante à esquizofrenia, pode se
desenvolver após o uso prolongado
• As anfetaminas podem ser úteis no tratamento de narcolepsia e, também
(paradoxalmente), para controlar crianças hipercinéticas. Elas não são mais prescritas
como inibidores do apetite
• Sua principal importância é no uso abusivo.
MODAFINILA
Modafinila é o principal metabólito do adrafinila, um fármaco que foi
introduzido como tratamento para narcolepsia nos anos 1980. A modafinila
tem estado disponível desde 1994 como um fármaco por si própria. Inibe a
recaptação de DA ao ligar-se ao DAT, porém com baixa potência. No
cérebro humano, a modafinila bloqueia o DAT e aumenta os níveis
extracelulares de DA em núcleo caudado, putame e núcleo accumbens. Também produz uma variedade de outros efeitos, incluindo ativação de α1-adrenorreceptor, aumento da liberação de 5-hidroxitriptamina (5-HT),
glutamato e histamina, e inibição da liberação de GABA, assim como
otimização do acoplamento eletrônico entre neurônios. A contribuição de
cada ação para os efeitos comportamentais de modafinila ainda está por
esclarecer. Modafinila melhora alguns aspectos do desempenho cognitivo
(p. 633), ganhando popularidade como substãncia relacionada ao “estilo de
vida” (ver Capítulo 59).
Apresenta boa absorção a partir do intestino, é metabolizada no fígado e
tem meia-vida de 10 a 14 horas. Apesar de ser conhecida por “melhorar o
humor”, há pouca evidência de que produza níveis significativos de euforia
quando administrada por via oral, mas os comprimidos podem ser
esmagados e cheirados para se obter efeito mais rápido. Modafinila é muito
insolúvel para que a injeção intravenosa seja prática.
Uso clínico de estimulantes
Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)
O principal uso das anfetaminas e do metilfenidato é no tratamento de
TDAH, uma condição comum e cada vez mais diagnosticada, estimando-se
que ocorra em até 9% das crianças cuja hiperatividade e capacidade de
atenção limitada prejudiquem sua educação e desenvolvimento social. A
eficácia do tratamento medicamentoso (p. ex., com metilfenidato) tem sido
confirmada em ensaios controlados, mas existe preocupação em relação a
possíveis efeitos adversos a longo prazo, uma vez que o tratamento algumas
vezes continua até a adolescência ou depois disso. O tratamento
medicamentoso deve fazer parte de um programa que inclua intervenção
psicológica, caso disponível, e ser iniciado após o diagnóstico ter sido feito
por um especialista. Acredita-se que as alterações das vias da NE e DA no córtex frontal e nos núcleos da base sejam o fundamento da sintomatologia
do TDAH, mas ainda há controvérsia sobre a importância relativa de cada
monoamina e das regiões cerebrais específicas envolvidas nas ações dos
fármacos usados para aliviar os sintomas do TDAH.
Formulações de liberação lenta de anfetamina e metilfenidato têm sido
desenvolvidas para proporcionar concentrações mais estáveis do fármaco,
mais baixas que as necessárias para produzir euforia. A D-anfetamina
conjugada à lisina (lisdexanfetamina) é um profármaco inativo que é
clivado enzimaticamente para liberar D-anfetamina após administração
oral, resultando em um início de ação mais lento e um provável potencial de
uso abusivo reduzido.
▼ Outros tratamentos medicamentosos para o TDAH incluem o inibidor
de recaptação de NE atomoxetina (ver Capítulo 48) e agonistas do α2-
adrenorreceptor como clonidina e guanfacina. O inibidor de recaptação
de monoamina modafinila não está aprovado para uso pediátrico, mas
pode ser eficaz no TDAH do adulto, a exemplo da bupropiona. A
melatonina (ver Capítulo 40) melhora os padrões de sono nos que
sofrem de TDAH. A farmacologia dos fármacos usados para o
tratamento do TDAH foi revisada por Heal et al. (2009).
Narcolepsia
Este é um transtorno do sono raro e debilitante, em que o paciente
adormece de maneira súbita e imprevisível em intervalos frequentes durante
o dia, ao mesmo tempo que sofre insônia noturna. A anfetamina é útil, mas
não totalmente efetiva. A modafinila também é eficaz na redução dos
ataques. A narcolepsia é geralmente acompanhada de cataplexia
(aparecimento abrupto de paralisia de extensão variável, em geral
desencadeada por emoção, algumas vezes com uma postura “congelada”). Na maior parte das vezes, o tratamento é feito com fluoxetina, um inibidor