Rang e Dale: Farmacologia
Dopamina
formam parte da via reflexa barorreceptora, porque a estimulação ou o
antagonismo dos α2-adrenorreceptores, nessa parte do encéfalo, têm efeito poderoso na atividade dos reflexos barorreceptores.
As fibras noradrenérgicas ascendentes direcionam-se para o hipotálamo;
e as fibras descendentes, para a região do corno lateral da medula espinal,
atuando para aumentar a descarga simpática na periferia. Sugeriu-se que
esses neurônios reguladores poderiam liberar epinefrina, em vez de
norepinefrina, como inibidora da feniletanolamina N-metil transferase, a
enzima que converte a norepinefrina em epinefrina, que interfere no reflexo
barorreceptor.
A moxonidina e a rilmenidinasão descritas como agonistas do receptor
I 1 com menor atividade sobre os receptores α2-adrenérgicos; atuam centralmente para reduzir a atividade simpática periférica, diminuindo,
portanto, a resistência vascular periférica (ver Capítulo 23).
DOPAMINA
A dopamina é particularmente importante para a neurofarmacologia, porque
está envolvida em várias alterações comuns da função cerebral,
notadamente a doença de Parkinson, a esquizofrenia e o transtorno do
déficit de atenção, bem como na dependência de fármacos e em certas
alterações endócrinas. Muitos dos fármacos usados clinicamente para tratar
essas situações atuam influenciando a transmissão da dopamina.
A distribuição da dopamina no encéfalo é mais restrita que a da
norepinefrina. A dopamina é mais abundante no corpus striatum (corpo
estriado), uma parte do sistema motor extrapiramidal envolvida na
coordenação dos movimentos (ver Capítulo 41), e elevadas concentrações
também ocorrem em certas partes do córtex frontal, do sistema límbico e do hipotálamo (onde sua liberação no suprimento sanguíneo hipofisário inibe a
secreção de prolactina; ver Capítulo 34).
A síntese de dopamina segue a mesma rota que a da norepinefrina (ver
Figura 15.1), especificamente a conversão de tirosina para dopa (o passo
limitador da velocidade), seguida de descarboxilação para formar
dopamina. Os neurônios dopaminérgicos não contêm a dopamina β-
hidroxilase e, assim, não convertem dopamina em norepinefrina.
Norepinefrina no sistema nervoso central
• Os mecanismos para síntese, armazenamento, liberação e recaptação da norepinefrina no
SNC são essencialmente os mesmos da periferia, bem como o são os receptores (ver
Capítulo 15)
• Os corpos celulares noradrenérgicos direcionam-se, em grupos discretos, principalmente
para a ponte e o bulbo, sendo o locus coeruleus um desses importantes grupos celulares
• As vias noradrenérgicas, que se dirigem principalmente para o feixe prosencefálico medial
e os tratos medulares descendentes, terminam difusamente no córtex, no hipocampo, no
hipotálamo, no cerebelo e na medula espinal
• As ações da norepinefrina são mediadas pelos receptores α1, α2, β1 e β2
• Acredita-se que a transmissão noradrenérgica seja importante:
– No sistema “de alerta”, controlando o despertar e o alerta
– Na regulação da pressão sanguínea
– No controle do humor (a de ciência funcional contribui para a depressão).
• Os fármacos psicotrópicos que atuam parcial ou principalmente na transmissão
noradrenérgica no SNC incluem antidepressivos, cocaína e anfetamina. Alguns
fármacos anti-hipertensivos (p. ex., clonidina, metildopa) agem, principalmente, na
transmissão noradrenérgica no SNC.
A dopamina é amplamente capturada, após sua liberação dos terminais
nervosos, por um transportador específico para a dopamina, pertencente à
grande família dos transportadores de monoaminas (ver Capítulo 15). Ela é
metabolizada pela monoamina oxidase e pela catecol-O-metiltransferase
(Figura 40.2), sendo os principais produtos o ácido di-hidroxifenilacético
(ADHFA) e o ácido homovanílico (AHV), o derivado metoxi do ADHFA.
O conteúdo de AHV do encéfalo é frequentemente usado em experimentos com animais como índice de renovação da dopamina. Os fármacos que