Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 486 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Dopamina

formam parte da via reflexa barorreceptora, porque a estimulação ou o

antagonismo dos α2-adrenorreceptores, nessa parte do encéfalo, têm efeito poderoso na atividade dos reflexos barorreceptores.

As fibras noradrenérgicas ascendentes direcionam-se para o hipotálamo;

e as fibras descendentes, para a região do corno lateral da medula espinal,

atuando para aumentar a descarga simpática na periferia. Sugeriu-se que

esses neurônios reguladores poderiam liberar epinefrina, em vez de

norepinefrina, como inibidora da feniletanolamina N-metil transferase, a

enzima que converte a norepinefrina em epinefrina, que interfere no reflexo

barorreceptor.

A moxonidina e a rilmenidinasão descritas como agonistas do receptor

I 1 com menor atividade sobre os receptores α2-adrenérgicos; atuam centralmente para reduzir a atividade simpática periférica, diminuindo,

portanto, a resistência vascular periférica (ver Capítulo 23).

 

DOPAMINA

A dopamina é particularmente importante para a neurofarmacologia, porque

está envolvida em várias alterações comuns da função cerebral,

notadamente a doença de Parkinson, a esquizofrenia e o transtorno do

déficit de atenção, bem como na dependência de fármacos e em certas

alterações endócrinas. Muitos dos fármacos usados clinicamente para tratar

essas situações atuam influenciando a transmissão da dopamina.

A distribuição da dopamina no encéfalo é mais restrita que a da

norepinefrina. A dopamina é mais abundante no corpus striatum (corpo

estriado), uma parte do sistema motor extrapiramidal envolvida na

coordenação dos movimentos (ver Capítulo 41), e elevadas concentrações

também ocorrem em certas partes do córtex frontal, do sistema límbico e do hipotálamo (onde sua liberação no suprimento sanguíneo hipofisário inibe a

secreção de prolactina; ver Capítulo 34).

A síntese de dopamina segue a mesma rota que a da norepinefrina (ver

Figura 15.1), especificamente a conversão de tirosina para dopa (o passo

limitador da velocidade), seguida de descarboxilação para formar

dopamina. Os neurônios dopaminérgicos não contêm a dopamina β-

hidroxilase e, assim, não convertem dopamina em norepinefrina.

Norepinefrina no sistema nervoso central

 

• Os mecanismos para síntese, armazenamento, liberação e recaptação da norepinefrina no

SNC são essencialmente os mesmos da periferia, bem como o são os receptores (ver

Capítulo 15)

• Os corpos celulares noradrenérgicos direcionam-se, em grupos discretos, principalmente

para a ponte e o bulbo, sendo o locus coeruleus um desses importantes grupos celulares

• As vias noradrenérgicas, que se dirigem principalmente para o feixe prosencefálico medial

e os tratos medulares descendentes, terminam difusamente no córtex, no hipocampo, no

hipotálamo, no cerebelo e na medula espinal

• As ações da norepinefrina são mediadas pelos receptores α1, α2, β1 e β2

• Acredita-se que a transmissão noradrenérgica seja importante:

– No sistema “de alerta”, controlando o despertar e o alerta

– Na regulação da pressão sanguínea

– No controle do humor (a de ciência funcional contribui para a depressão).

• Os fármacos psicotrópicos que atuam parcial ou principalmente na transmissão

noradrenérgica no SNC incluem antidepressivos, cocaína e anfetamina. Alguns

fármacos anti-hipertensivos (p. ex., clonidina, metildopa) agem, principalmente, na

transmissão noradrenérgica no SNC.

 

A dopamina é amplamente capturada, após sua liberação dos terminais

nervosos, por um transportador específico para a dopamina, pertencente à

grande família dos transportadores de monoaminas (ver Capítulo 15). Ela é

metabolizada pela monoamina oxidase e pela catecol-O-metiltransferase

(Figura 40.2), sendo os principais produtos o ácido di-hidroxifenilacético

(ADHFA) e o ácido homovanílico (AHV), o derivado metoxi do ADHFA.

O conteúdo de AHV do encéfalo é frequentemente usado em experimentos com animais como índice de renovação da dopamina. Os fármacos que