Rang e Dale: Farmacologia
Fisiopatologia da obesidade humana
em vez de na produção de ATP. Como se poderia prever, a exposição ao frio
ou a administração de leptina aumenta a atividade e (depois de estimulação
prolongada) a quantidade de UCP-1 na gordura marrom. A norepinefrina,
atuando sobre os receptores β-adrenérgicos (principalmente β3) na gordura marrom, aumenta a atividade do fator de transcrição do receptor-γ ativado
pelo proliferador peroxissômico (PPAR ; do inglês, peroxisome
proliferator-activated receptor- ), que, por sua vez, ativa o gene para UCP-
1. A expressão dos receptores β 3-adrenérgicos diminui em camundongos geneticamente obesos.
FISIOPATOLOGIA DA OBESIDADE HUMANA
Na maioria dos adultos, a gordura e o peso corporal continuam mais ou
menos constantes durante muitos anos, até décadas, mesmo com grandes
variações da ingestão alimentar e do gasto calórico – chegando a cerca de 1
milhão de calorias por ano. O estado de equilíbrio do peso corporal e o IMC
de um indivíduo, como foi enfatizado anteriormente, dependem do
resultado da integração de múltiplas vias regulatórias que interagem entre
si. Como, então, sobrevém a obesidade? Por que é tão difícil para o obeso
perder peso e mantê-lo mais baixo?
O principal determinante, manifestamente, é o desequilíbrio dos
mecanismos homeostáticos que controlam o balanço calórico e os fatores
genéticos subjacentes a essa alteração. Também contribuem outros fatores,
como a elevada disponibilidade alimentar e a falta de atividade física.
Adicionalmente, é claro, sobrepõem-se aspectos sociais, culturais e
psicológicos, que não serão abordados neste livro. Foram discutidos aqui
apenas os mecanismos fisiológicos e genéticos.