Rang e Dale: Farmacologia
Supressores do apetite que atuam centralmente
Figura 33.3 Efeito do tratamento com supressor de apetite que atua centralmente, a
sibutramina, isolada ou em combinação com a modificação do estilo de vida. Neste estudo, 224 pacientes obesos foram tratados somente com sibutramina, ou somente tiveram aconselhamento para modificar o estilo de vida, ou foram tratados com a sibutramina em conjunto com um “breve” ou mais extenso programa de aconselhamento do estilo de vida. O eixo Y mostra a perda de peso em kg ( erro padrão) por tempo (eixo X). É evidente que a sibutramina é muito mais eficaz como terapia para perda de peso quando combinada com alterações no estilo de vida do paciente. Isso é uma experiência comum quando se trata de obesidade. Nota: A sibutramina foi retirada do mercado em alguns países devido aos efeitos adversos cardiovasculares. (Modificada de Wadden et al., 2005.)
SUPRESSORES DO APETITE QUE ATUAM CENTRALMENTE
Têm ocorrido muitas tentativas de usar fármacos que atuem centralmente
no controle do apetite, e essa é uma área que ainda está sendo ativamente
explorada pelos caçadores de substâncias. A sibutramina (atualmente
retirada do mercado na maioria dos países devido à evidência clínica
demonstrando um risco cardiovascular aumentado) inibe a recaptação de 5-HT e norepinefrina nas localizações hipotalâmicas que regulam a ingestão
de alimentos.10 Seus efeitos principais são reduzir a ingestão de alimentos e
causar uma perda de peso dependente da dose (Figura 33.3). Ela aumenta a
saciedade e foi relatado que causa redução na circunferência abdominal,
diminuição no plasma de triglicerídeos e lipoproteínas de muito baixa
densidade, mas aumento nas de alta densidade. Como muitos outros
regimes farmacológicos similares, a sibutramina era muito mais efetiva
quando combinada com modificações do estilo de vida (Wadden et al.,
2005).
Contudo, outros fármacos serotoninérgicos mostraram ser promissores.
A lorcasserina, um agonista do receptor 5-HT 2C (ver Capítulos 16 e 38), foi aprovada nos EUA em 2012 para utilização como supressor do apetite em
alguns pacientes. Ela atua aumentando os níveis de POMC no hipotálamo.
Em ensaios clínicos, aumentou a perda de peso pela dieta, mas os pacientes
o reconquistaram após suspenderem o fármaco. Qsymia®, uma mistura de
um antigo supressor de apetite, a fentermina e um anticonvulsivante, o
topiramato, foi aprovada nos EUA em 2012, apesar de algumas reservas
acerca de efeitos adversos cardiovasculares e outros. O fármaco estimula a
liberação sináptica de serotonina, assim como de norepinefrina e dopamina
(e aumenta a ação de GABA).
Outros fármacos que atuam centralmente e são também utilizados em
alguns países para tratar a obesidade incluem Contrave®, uma mistura de
um antagonista de receptores opioides, a naltrexona, e um inibidor da
captação-recaptação de norepinefrina-dopamina, a bupropiona. A via
canabinoide era o alvo do antagonista do receptor CB 1 rimonabanto, que foi originalmente desenvolvido para promover cessação tabágica (ver
Capítulo 20). Esse fármaco foi introduzido como supressor do apetite após
alguns ensaios clínicos encorajadores; porém, foi retirado do mercado posteriormente dos EUA em 2008, devido aos efeitos adversos sobre o