Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 54 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Contração muscular

Canais iônicos e excitabilidade elétrica

 

• As células excitáveis geram um potencial de ação do tipo “tudo ou nada” em resposta à

despolarização da membrana. Isso ocorre na maioria dos neurônios e células musculares e

em algumas células glandulares. A base iônica e a evolução temporal da resposta variam

conforme o tecido

• A resposta regenerativa resulta de uma corrente de despolarização associada à abertura

dos canais de cátions (principalmente Na+ e Ca2+) dependentes de voltagem. É

terminada por inativação desses canais, acompanhada da abertura dos canais de potássio

Existem muitas variantes moleculares de canais operados por voltagem, com funções

• especí cas em diferentes tipos celulares

• A membrana da célula “em repouso” é relativamente permeável ao K+, mas impermeável

ao Na+ e ao Ca2+. Fármacos ou mediadores que abrem os canais de potássio reduzem a

excitabilidade da membrana. Os inibidores dos canais de Na+ ou Ca2+ têm o mesmo

efeito. O bloqueio de canais de K+ ou a ativação dos canais de Na+ ou Ca2+ produzem

aumento da excitabilidade

• As células do músculo cardíaco, alguns neurônios e algumas células musculares lisas

geram potenciais de ação espontâneos cujos ritmo, amplitude e frequência são afetados

por fármacos que afetam a função dos canais iônicos.

 

CONTRAÇÃO MUSCULAR

Os efeitos dos fármacos sobre o mecanismo contrátil do músculo liso

formam a base de muitas aplicações terapêuticas, pois o músculo liso é um

componente importante da maioria dos sistemas fisiológicos, incluindo os

vasos sanguíneos e os tratos gastrintestinal, respiratório e urinário. Por

muitas décadas, a farmacologia do músculo liso, com sua marca registrada

tecnológica – o banho de órgão isolado –, manteve-se no centro do palco farmacológico, e nem o tema nem a tecnologia têm mostrado sinais de

cansaço, mesmo com o palco bem mais cheio. A contratilidade do músculo

cardíaco e esquelético também é alvo de importantes efeitos dos fármacos.

 

Tabela 4.2 Tipos e funções dos canais de potássio.

 

estrutural a Funções Efeitos de fármacos Comentários b funcionais Classe Subtipos

 

Bloqueados por No coração, os subtipos tetraetilamônio e 4- incluem os canais HERG e

 

Controlados por potencial de ação potássio arritmias congênitas ou Determinados subtipos são voltagem (6T, 1 controlados por Canais de Repolarização do aminopiridina LQT, que estão envolvidos em

P) Limita a frequência bloqueados pelas induzidas por fármacos.

voltagem Outros subtipos podem estar

máxima de disparo dendrotoxinas (do veneno

envolvidos em formas

da serpente mamba-

hereditárias de epilepsia

verde)

Importantes em muitos

Determinados subtipos são

+ tecidos excitáveis para

Canais de K bloqueados por apamina

ativados por (do veneno de abelha) e 2+ que aumentam [Ca ] repetitivos; presentes 2+ Inibição após estímulos limitar os disparos Ca i caribdotoxina (do veneno

também nas células

de escorpião)

secretoras

 

Medeiam efeitos de GPCR Agonistas e antagonistas

Reti cadores de dos GPCR + acoplados a Gi/Go que Outros canais de K

entrada (2T, 1 causam inibição por reti cadores de entrada são Alguns são bloqueados por proteína G Ativados pela

 

P) aumento da condutância importantes nos rins tertiapina (do veneno de + ao K abelha-de-mel)

Sensíveis ao ATP Encontrados em muitas A associação de um

células. Os canais abrem- subtipo com o receptor de

sulfonilureia (SUR) resulta

se quando a [ATP] está na modulação por esses baixa, causando inibição fármacos (p. ex.,

glibenclamida), que

Importante no controle

fecham os canais, e pelos

da secreção de insulina

fármacos que abrem os

no pâncreas + canais de K (p. ex.,

diazóxido, minoxidil), que

relaxam o músculo liso

A maioria é insensível à

voltagem; alguns

 

Domínio de ativados por anestésicos A nomenclatura é enganosa, subtipos foram normalmente e especialmente quando estes voláteis (p. ex., iso urano) Diversos encontram-se abertos Certos subtipos são

 

dois poros (4T, 2 identi cados contribuem para a são referidos como canais de P) (TWIK, TRAAK, + condutância ao K “em Não existem agentes dois poros TREK, TASK etc.) repouso” bloqueadores seletivos

Modulados por GPCR

a As estruturas dos canais de potássio (ver Figura 3.20) são de nidas de acordo com o número de hélices transmembrana (T) e de

alças formadoras de poros (P) em cada subunidade α. Os canais funcionais contêm diversas subunidades (em geral, quatro), que

podem ser idênticas ou diferentes, e que geralmente estão associadas a subunidades acessórias (β).

bForam identi cadas diversas variantes moleculares em cada subtipo funcional, que, em geral, estão restritas a determinadas

células e tecidos. Ainda não se sabe o signi cado siológico e farmacológico dessa heterogeneidade.

GPCR, receptor acoplado à proteína G (Gprotein-coupled receptor).

 

Apesar de o fundamento molecular básico da contração ser semelhante

em cada caso, ou seja, a interação de actina e miosina com a energia

derivada do ATP é iniciada pelo aumento da [Ca2+] , existem diferenças i entre esses três tipos de músculo responsáveis pelas distintas reações a

fármacos e mediadores químicos.

Essas diferenças (Figura 4.9) envolvem (a) a conexão entre os eventos

na membrana e o aumento da [Ca2+] 2+ i. e (b) o mecanismo pelo qual a [Ca]i regula a contração.