Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 20 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Outras formas de antagonismo

Figura 2.11 Agonismo tendencioso. Em (A), o receptor R está acoplado a duas respostas intracelulares – resposta 1 e resposta 2. Quando os diferentes agonistas, indicados em vermelho e verde, ativam o receptor, desencadeiam as duas respostas de maneira similar. Isso é o que podemos considerar agonismo convencional. Em (B), está ilustrado o agonismo tendencioso, no qual dois agonistas se ligam ao mesmo local do receptor, mas o agonista vermelho é melhor em desencadear a resposta 1, enquanto o agonista verde é melhor em desencadear a resposta 2.

 

 

OUTRAS FORMAS DE ANTAGONISMO

Outros mecanismos também podem ser responsáveis por interações

inibitórias entre os fármacos.

 

Agonistas, antagonistas e e cácia

 

• Os fármacos que agem sobre os receptores podem ser agonistas ou antagonistas

• Os agonistas dão origem a alterações no funcionamento celular que produzem efeitos de

vários tipos; os antagonistas ligam-se a receptores sem originar tais alterações

• A potência dos agonistas depende de dois parâmetros: a nidade (i. e., a tendência do

agonista de se ligar a receptores) e e cácia (i. e., a capacidade de, uma vez ligado a um

receptor, dar início a alterações que provocam efeitos)

• A e cácia dos antagonistas é igual a zero

• Os agonistas plenos (que são capazes de produzir efeitos máximos) apresentam alta

e cácia; os agonistas parciais (que são capazes de produzir apenas efeitos submáximos)

têm e cácia intermediária

• De acordo com o modelo dos dois estados, a e cácia re ete a a nidade relativa do

composto pelos estados de repouso e ativado do receptor. Os agonistas mostram

seletividade pelo estado ativado; os antagonistas não exibem seletividade. Esse modelo,

embora útil, não é capaz de explicar a complexidade da ação dos agonistas

• Os agonistas inversos apresentam seletividade pelo estado de repouso do receptor. Esse

fato é importante apenas em situações incomuns nas quais os receptores mostram uma

atividade constitutiva

• Moduladores alostéricos se ligam a locais no receptor diferentes do local de ligação do

agonista e conseguem modi car a atividade do agonista

 

Os mais importantes são:

• Antagonismo químico

• Antagonismo farmacocinético

• Bloqueio da relação receptor-resposta

• Antagonismo fisiológico.

 

Antagonismo químico

O antagonismo químico refere-se à situação pouco comum em que duas

substâncias se combinam em solução; como consequência, o efeito do

fármaco ativo é perdido. Exemplos disso incluem o uso de agentes

quelantes (p. ex., dimercaprol) que se ligam a metais pesados e, dessa

forma, reduzem sua toxicidade, e o uso do anticorpo neutralizante

infliximabe, que tem uma ação anti-inflamatória devido à sua habilidade de

sequestrar o fator de necrose tumoral (TNF; do inglês, tumor necrosis

factor, uma citocina inflamatória; ver Capítulo 19).

 

Antagonismo farmacocinético

O antagonismo farmacocinético descreve a situação em que o “antagonista”

reduz de fato a concentração do fármaco ativo em seu ponto de ação. Isso

pode ocorrer de várias maneiras. A velocidade de degradação metabólica do

fármaco ativo pode ser aumentada (p. ex., redução do efeito anticoagulante

da varfarina quando se administra um agente que acelera seu metabolismo

hepático, como a fenitoína; ver Capítulos 10 e 58). Outra possibilidade é a

velocidade de absorção do fármaco ativo no trato gastrintestinal ser

reduzida, ou a velocidade de eliminação renal ser aumentada. São comuns

as interações desse tipo, discutidas com mais detalhes no Capítulo 58, e

podem ter importância na prática clínica.

Figura 2.12 Modulação alostérica. A. Fármacos alostéricos se ligam a um local do receptor diferente dos agonistas “tradicionais” (nos dias atuais, frequentemente referidos como agonistas “ortostéricos”). Estes podem modificar a atividade do receptor por (i) alteração da afinidade do agonista, (ii) alteração da eficácia do agonista ou (iii) desencadeando eles mesmos, diretamente, a resposta. B. Efeitos dos moduladores alostéricos modificadores de afinidade e eficácia, na curva de concentração-efeito de um agonista (linha azul). Na presença do modulador alostérico, a curva de concentração-efeito do agonista (ilustrada em vermelho) é alterada, de maneira determinada pelo tipo de modulador alostérico, até o efeito máximo do modulador ser alcançado. (Imagem [A] adaptada com permissão de Conn et al., 2009. Nat. Rev. Drug Discov. 8, 41-54; imagem [B] cortesia de Christopoulos A.)

 

Bloqueio da relação receptor-resposta

O antagonismo não competitivo descreve a situação em que o antagonista

bloqueia, em algum ponto adiante do local de ligação no receptor, a cadeia

de eventos que leva à produção de uma resposta pelo agonista. Por

exemplo, a cetamina entra no poro do canal iônico do receptor NMDA (ver

Capítulo 39), bloqueando-o, impedindo deste modo o fluxo iônico através

dos canais. Fármacos como o verapamil e o nifedipino impedem o influxo

de Ca2+ através da membrana celular (ver Capítulo 23) e, dessa maneira,

bloqueiam, de forma não seletiva, a contração do músculo liso produzida

por outros fármacos, atuando em qualquer receptor que se acople a esses

canais de cálcio. Em regra, a consequência será a redução da inclinação e

do efeito máximo da curva log da concentração-efeito do agonista, porém

também é possível ocorrer algum grau de deslocamento da curva para a

direita.

 

Antagonismo fisiológico

Antagonismo fisiológico é uma expressão livremente utilizada para

descrever a interação de dois fármacos cujas ações opostas no organismo

tendem a se anular mutuamente. Por exemplo, a histamina age sobre os receptores das células parietais da mucosa gástrica estimulando a secreção