Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 435 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Progestógenos

ovários, no aumento da secreção de estrógenos e na indução da ovulação.

Ele é usado no tratamento da infertilidade causada pela falta de ovulação. É

comum o nascimento de gêmeos, mas a gravidez múltipla é incomum.

Os usos clínicos de estrógenos e antiestrógenos, encontram-se

resumidos no boxe clínico a seguir.

 

PROGESTÓGENOS

O hormônio progestacional natural (progestógeno) é a progesterona

(Figuras 36.2 e 36.3), que é secretada pelo corpo lúteo na segunda parte do

ciclo menstrual e pela placenta durante a gravidez. Quantidades pequenas

também são secretadas pelos testículos e pelo córtex da suprarrenal.

Os progestógenos agem, como outros hormônios esteroidais, em

receptores nucleares, e a densidade dos receptores de progesterona é

controlada pelos estrógenos (ver anteriormente).

 

Preparações

Há dois grupos principais de progestógenos:

1. O hormônio que ocorre naturalmente e seus derivados (p. ex.,

hidroxiprogesterona, medroxiprogesterona, didrogesterona). A

progesterona em si é praticamente inativa por via oral, por causa do

metabolismo hepático pré-sistêmico. Dispõe-se de outros derivados para

a administração oral, injeção intramuscular ou aplicação via vagina ou

reto.

2. Derivados da testosterona (p. ex., noretisterona, norgestrel e

etinodiol) podem ser administrados oralmente. Os dois primeiros têm

alguma atividade androgênica e são metabolizados em produtos

estrogênicos. Os mais novos progestógenos usados na contracepção

incluem desogestrel e gestodeno; eles podem ter menos efeitos

adversos sobre os lipídios que o etinodiol e podem ser utilizados em

mulheres que tiveram efeitos adversos expressivos, tais como acne,

depressão ou sangramento inesperado, com fármacos mais antigos.

Todavia, esses fármacos mais recentes têm sido associados a riscos mais

elevados de doença tromboembólica venosa.

 

Ações

As ações farmacológicas dos progestógenos são, em essência, as mesmas da

progesterona, descritas anteriormente. Efeitos específicos relevantes à

contracepção são detalhados a seguir.

 

■ Aspectos farmacocinéticos

A progesterona, após ser injetada, liga-se à albumina, mas não à globulina

ligante de esteroides sexuais. Certa quantidade é estocada no tecido

adiposo. Ela é metabolizada no fígado, e seus subprodutos, pregnenolona e

pregnanodiol, são conjugados ao ácido glicurônico e eliminados na urina.

Estrógenos e antiestrógenos

 

• Os estrógenos endógenos são o estradiol (o mais potente), a estrona e o estriol; existem

numerosas formas sintéticas exógenas (p. ex., o etinilestradiol)

• O mecanismo de ação envolve interação com os receptores nucleares (ERα e ERβ) nos

tecidos-alvo, o que resulta na modi cação da transcrição gênica. Alguns dos rápidos

efeitos vasculares e metabólicos dos estrógenos são mediados por um receptor de

estrógeno acoplado à proteína G (GPER)

• Seus efeitos farmacológicos dependem da maturidade sexual do receptor:

Antes da puberdade, estimulam o desenvolvimento das características sexuais

– secundárias

– Administrados ciclicamente a mulheres adultas, induzem um ciclo menstrual

arti cial e são usados para contracepção

– Administrados durante ou após a menopausa, previnem os sintomas da menopausa e

protegem contra a osteoporose, mas aumentam a tromboembolia

• Antiestrógenos são antagonistas competitivos ou agonistas parciais. O tamoxifeno é

usado no câncer de mama dependente de estrógeno. O clomifeno induz a ovulação pela

inibição dos efeitos da retroalimentação negativa no hipotálamo e na adeno-hipó se

• Moduladores seletivos do receptor de estrógeno são agonistas de estrógenos em alguns

tecidos, mas antagonistas em outros. O raloxifeno, por exemplo, é usado para tratar e

prevenir a osteoporose.

Uso clínico de estrógenos e antiestrógenos

 

Estrógenos

• Terapia de reposição:

– Insu ciência ovariana primária (p. ex., síndrome de Turner)

– Insu ciência ovariana secundária (menopausa) para o rubor, o ressecamento vaginal

e para preservar a massa óssea

• Contracepção

• Câncer de próstata e de mama (essas indicações foram suplantadas, em grande parte, por

outras manipulações hormonais; ver Capítulo 57).

 

Antiestrógenos

• Para tratar o câncer de mama sensível a estrógenos (tamoxifeno)

• Para induzir a ovulação (clomifeno) no tratamento da infertilidade.

 

■ Efeitos adversos

Os efeitos adversos dos progestógenos incluem poucas ações androgênicas.

Outros efeitos adversos incluem acne, retenção de líquido, mudança no

peso, depressão, mudança na libido, desconforto na mama, sintomas pré-

menstruais, ciclos menstruais irregulares e sangramento inesperado. Há

incidência aumentada de tromboembolia.

Os usos clínicos dos progestógenos estão resumidos no próximo boxe

clínico.

 

Antiprogestógenos

A mifepristona é agonista parcial dos receptores de progesterona e

sensibiliza o útero para a ação das prostaglandinas. Ela é administrada oralmente e tem meia-vida plasmática de 21 h. A mifepristona é usada em

combinação com uma prostaglandina (p. ex., gemeprosta; ver adiante)

como alternativa médica para a interrupção cirúrgica da gravidez (ver boxe

Progestógenos e antiprogestógenos, a seguir).

 

Progestógenos e antiprogestógenos

 

• O hormônio endógeno é a progesterona. Exemplos de fármacos sintéticos são o derivado

da progesterona, medroxiprogesterona e o derivado da testosterona, a noretisterona

• O mecanismo de ação envolve ligação com receptores intracelulares e alteração da

expressão gênica. Os estrógenos estimulam a síntese de receptores de progesterona,

enquanto a progesterona inibe a síntese dos receptores de estrógenos

• Os principais usos terapêuticos são para contracepção oral e esquemas de reposição de

estrógenos, bem como para o tratamento da endometriose

• A mifepristona, um antiprogestógeno, em combinação com análogos da progesterona, é

uma alternativa médica e caz para a interrupção cirúrgica no início da gravidez.