Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 103 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Como evitar tendenciosidades

Figura 8.5 Curvas de sobrevida livre da doença durante 8 anos de um grupo de

pacientes com câncer de mama tratados somente com quimioterapia convencional (629 pacientes), ou com a adição de paclitaxel (613 pacientes), mostrando melhora altamente significativa (p = 0,006) pelo tratamento com paclitaxel. As barras de erros representam intervalos com 95% de confiança. (Redesenhada de Martin et al., 2008. J. Natl. Cancer Inst. 100, 805–814.)

 

COMO EVITAR TENDENCIOSIDADES

Existem três estratégias principais que visam minimizar a tendenciosidade

nos ensaios clínicos:

 

1. Distribuição ao acaso (randomização).

2. Técnica do duplo-cego.

3. Seguimento rigoroso e averiguação dos resultados.

 

Se dois tratamentos, A e B, estão sendo comparados em uma série de

pacientes selecionados, a forma mais simples de distribuição ao acaso é alocar cada paciente em A ou B por referência a uma série de números

aleatórios, lançar uma moeda ou mesmo por loteria. Em um ensaio clínico

adequadamente randomizado, nem o paciente nem o investigador devem ter

influência no tratamento que o paciente acabará por receber. Uma das

dificuldades, especialmente se os grupos forem pequenos, é que os dois

grupos não tenham boa equivalência em relação a características como

idade, sexo ou gravidade da doença. A distribuição randomizada

estratificada evita esse problema ao dividir os indivíduos em faixas etárias,

gênero, nível de gravidade ou outras categorias, e usar a alocação aleatória

para A ou B dentro de cada categoria. É possível tratar duas ou mais

características da população em estudo dessa maneira, mas o número de

categorias pode aumentar rapidamente, e o processo fica prejudicado se o

número de indivíduos em cada grupo for muito pequeno. Além de evitar os

erros resultantes do desequilíbrio entre os grupos, a estratificação também

pode permitir conclusões mais sofisticadas. Por exemplo, B pode mostrar-se

melhor do que A em determinado grupo de pacientes, mesmo que, na

avaliação geral, ele não seja melhor.

A técnica do duplo-cego, segundo a qual nem o indivíduo nem o

pesquisador sabem que tipo de tratamento está sendo administrado, é usada

para minimizar a tendenciosidade subjetiva. Já se demonstrou, inúmeras

vezes, que, com a melhor das intenções, pacientes e pesquisadores

contribuem para a ocorrência de tendenciosidade se souberem quem está

recebendo determinado tratamento. O conhecimento da intervenção

específica do ensaio pode levar a alterações no manejo clínico, bem como

viés de coleta e de mensuração dos resultados. Embora a técnica do duplo-

cego seja uma proteção importante, nem sempre é possível utilizá-la. Uma

dieta, por exemplo, raramente pode ser disfarçada e, com fármacos, os

efeitos podem revelar aos pacientes o que estão tomando e predispô-los a