Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 159 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Transmissores no sistema nervoso autônomo

de reações de “luta ou fuga” em situações de emergência; no entanto, tais

situações são raras para a maioria dos animais. No dia a dia, o sistema

nervoso autônomo age de modo contínuo, controlando funções locais

específicas como, por exemplo, o ajuste do organismo às mudanças de

postura, ao exercício ou à temperatura ambiente. O conceito popular sobre a

existência de um continuum entre o estado extremo de “repouso e digestão”

(parassimpático ativo e simpático inativo) e o estado extremo de luta ou

fuga de uma situação de emergência (simpático ativo e parassimpático

inativo) é uma supersimplificação, embora seja uma maneira geralmente

confiável para o estudante memorizar.

A Tabela 13.1 lista algumas das respostas autonômicas mais importantes

que ocorrem nos humanos.

 

TRANSMISSORES NO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO

Os dois principais neurotransmissores que operam no sistema autônomo são

a acetilcolina e a norepinefrina, cujos locais de ação são mostrados de

modo esquemático na Figura 13.2. Esse esquema também mostra o tipo de

receptor pós-sináptico com o qual os transmissores interagem em diferentes

locais (discutido com mais detalhes nos Capítulos 14 e 15). Algumas regras

gerais são as seguintes:

 

Tabela 13.1 Principais efeitos do sistema nervoso

autônomo.

 

Órgão Efeito simpático a a adrenérgico Tipo de receptor Efeito Tipo de receptor parassimpático colinérgico

Coração

Nó sinusal Frequência ↑ β Frequência ↓ M 12

Músculo atrial Força ↑ β Força ↓ M 12

Velocidade de

condução ↓

Nó atrioventricular Automatismo ↑ β M 12

Bloqueio

atrioventricular

Automatismo ↑

Músculo ventricular β Nenhum efeito M 12

Força ↑

Vasos sanguíneos

ARTERÍOLAS

 

Grandes coronárias Constrição α α Nenhum efeito – 1 2

Pequenas coronárias Dilatação β Nenhum efeito – 2

Músculos Dilatação β Nenhum efeito – 2

Vísceras, pele, cérebro Constrição α Nenhum efeito – 1

Tecido erétil b Constrição α Dilatação 1 M

3

VEIAS Constrição α α Nenhum efeito – 1, 2

Dilatação β Nenhum efeito – 2

Vísceras

BRÔNQUIOS

Sem inervação

simpática; há, no

Musculatura lisa entanto, dilatação por β Constrição M 23

efeito da epinefrina

circulante

Glândulas Nenhum efeito – Secreção M3

TRATO GASTRINTESTINAL

 

Musculatura lisa Motilidade ↓ α , α , β Motilidade ↑ M 1 2 23

Esfíncteres Constrição α α β Dilatação M 1, 2, 23

Glândulas Nenhum efeito – Secreção M3

Secreção de óxido

– M1

góstrico

Relaxamento deo

BEXIGA Relaxamento α M 23

esfíncter

Relaxamento do

Constrição do esfíncter α M 13

esfíncter

ÚTERO

 

Grávido Contração α Variável – 1

Não grávido Relaxamento β 2

 

ÓRGÃOS SEXUAIS b Ejaculação α Ereção M 1 3 MASCULINOS

Olho

 

Pupila Dilatação α Constrição M 13

Músculo ciliar Relaxamento (leve) β Contração M 23

Pele

Secreção

(principalmente

Glândulas sudoríparas – Nenhum efeito –

colinérgica via

receptores M ) 3

Músculos piloeretores Piloereção α Nenhum efeito – 1

Glândulas salivares Secreção α β β Secreção M 1, 1, 23

Glândulas lacrimais Nenhum efeito – Secreção M3

Rim Secreção de renina β Nenhum efeito – 1

Fígado Glicogenólise α , β Nenhum efeito – 1 2

Gliconeogênese

Tecido adiposoc Lipólise β Nenhum efeito –

3

Termogênese

 

Ilhotas c Secreção de insulina ↓ α Nenhum efeito – 2

pancreáticas

a Os tipos de receptores adrenérgicos e colinérgicos mostrados são descritos mais completamente nos Capítulos 14 e 15.

Transmissores químicos diferentes da acetilcolina e norepinefrina contribuem para muitas dessas respostas (ver Tabela 13.2).

bOs efeitos vasodilatadores dos receptores M resultam da liberação de óxido nítrico pelas células endoteliais (ver Capítulo 21).

3

cSem inervação direta. Efeito mediado pela epinefrina circulante liberada pela medula da suprarrenal.

Anatomia básica e siologia do sistema nervoso autônomo

 

Anatomia

• O sistema nervoso autônomo é composto de três divisões: simpática, parassimpática e

entérica

• O padrão básico (dois neurônios) dos sistemas simpático e parassimpático consiste em um

neurônio pré-ganglionar com o corpo celular no sistema nervoso central (SNC) e um

neurônio pós-ganglionar com seu corpo celular em um gânglio autônomo

• O sistema parassimpático está conectado ao SNC por meio de:

– Emergência em nervos cranianos (III, VII, IX, X)

– Emergência sacral

• Os gânglios parassimpáticos geralmente estão próximos do órgão-alvo ou em seu interior

• A emergência simpática deixa o SNC por raízes espinais torácicas e lombares. Os gânglios

simpáticos formam duas cadeias paravertebrais, e há também gânglios na linha média do

corpo

• O sistema nervoso entérico consiste em neurônios situados nos plexos intramurais do trato

gastrintestinal. Ele recebe estímulos dos sistemas simpático e parassimpático, mas é capaz

de agir isoladamente, controlando as funções motoras e secretórias do intestino

 

Fisiologia

• O sistema autônomo controla a musculatura lisa (visceral e vascular), as secreções

exócrinas (e algumas endócrinas), a frequência e a força de contração cardíacas, e certos

processos metabólicos (p. ex., a utilização da glicose)

• Os sistemas simpático e parassimpático têm ações antagônicas em algumas situações (p.

ex., no controle da frequência cardíaca e sobre a musculatura lisa gastrintestinal), mas não

em outras (p. ex., sobre as glândulas salivares e o músculo ciliar)