Rang e Dale: Farmacologia
Transmissores no sistema nervoso autônomo
de reações de “luta ou fuga” em situações de emergência; no entanto, tais
situações são raras para a maioria dos animais. No dia a dia, o sistema
nervoso autônomo age de modo contínuo, controlando funções locais
específicas como, por exemplo, o ajuste do organismo às mudanças de
postura, ao exercício ou à temperatura ambiente. O conceito popular sobre a
existência de um continuum entre o estado extremo de “repouso e digestão”
(parassimpático ativo e simpático inativo) e o estado extremo de luta ou
fuga de uma situação de emergência (simpático ativo e parassimpático
inativo) é uma supersimplificação, embora seja uma maneira geralmente
confiável para o estudante memorizar.
A Tabela 13.1 lista algumas das respostas autonômicas mais importantes
que ocorrem nos humanos.
TRANSMISSORES NO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO
Os dois principais neurotransmissores que operam no sistema autônomo são
a acetilcolina e a norepinefrina, cujos locais de ação são mostrados de
modo esquemático na Figura 13.2. Esse esquema também mostra o tipo de
receptor pós-sináptico com o qual os transmissores interagem em diferentes
locais (discutido com mais detalhes nos Capítulos 14 e 15). Algumas regras
gerais são as seguintes:
Tabela 13.1 Principais efeitos do sistema nervoso
autônomo.
Órgão Efeito simpático a a adrenérgico Tipo de receptor Efeito Tipo de receptor parassimpático colinérgico
Coração
Nó sinusal Frequência ↑ β Frequência ↓ M 12
Músculo atrial Força ↑ β Força ↓ M 12
Velocidade de
condução ↓
Nó atrioventricular Automatismo ↑ β M 12
Bloqueio
atrioventricular
Automatismo ↑
Músculo ventricular β Nenhum efeito M 12
Força ↑
Vasos sanguíneos
ARTERÍOLAS
Grandes coronárias Constrição α α Nenhum efeito – 1 2
Pequenas coronárias Dilatação β Nenhum efeito – 2
Músculos Dilatação β Nenhum efeito – 2
Vísceras, pele, cérebro Constrição α Nenhum efeito – 1
Tecido erétil b Constrição α Dilatação 1 M
3
VEIAS Constrição α α Nenhum efeito – 1, 2
Dilatação β Nenhum efeito – 2
Vísceras
BRÔNQUIOS
Sem inervação
simpática; há, no
Musculatura lisa entanto, dilatação por β Constrição M 23
efeito da epinefrina
circulante
Glândulas Nenhum efeito – Secreção M3
TRATO GASTRINTESTINAL
Musculatura lisa Motilidade ↓ α , α , β Motilidade ↑ M 1 2 23
Esfíncteres Constrição α α β Dilatação M 1, 2, 23
Glândulas Nenhum efeito – Secreção M3
Secreção de óxido
– M1
góstrico
Relaxamento deo
BEXIGA Relaxamento α M 23
esfíncter
Relaxamento do
Constrição do esfíncter α M 13
esfíncter
ÚTERO
Grávido Contração α Variável – 1
Não grávido Relaxamento β 2
ÓRGÃOS SEXUAIS b Ejaculação α Ereção M 1 3 MASCULINOS
Olho
Pupila Dilatação α Constrição M 13
Músculo ciliar Relaxamento (leve) β Contração M 23
Pele
Secreção
(principalmente
Glândulas sudoríparas – Nenhum efeito –
colinérgica via
receptores M ) 3
Músculos piloeretores Piloereção α Nenhum efeito – 1
Glândulas salivares Secreção α β β Secreção M 1, 1, 23
Glândulas lacrimais Nenhum efeito – Secreção M3
Rim Secreção de renina β Nenhum efeito – 1
Fígado Glicogenólise α , β Nenhum efeito – 1 2
Gliconeogênese
Tecido adiposoc Lipólise β Nenhum efeito –
3
Termogênese
Ilhotas c Secreção de insulina ↓ α Nenhum efeito – 2
pancreáticas
a Os tipos de receptores adrenérgicos e colinérgicos mostrados são descritos mais completamente nos Capítulos 14 e 15.
Transmissores químicos diferentes da acetilcolina e norepinefrina contribuem para muitas dessas respostas (ver Tabela 13.2).
bOs efeitos vasodilatadores dos receptores M resultam da liberação de óxido nítrico pelas células endoteliais (ver Capítulo 21).
3
cSem inervação direta. Efeito mediado pela epinefrina circulante liberada pela medula da suprarrenal.
Anatomia básica e siologia do sistema nervoso autônomo
Anatomia
• O sistema nervoso autônomo é composto de três divisões: simpática, parassimpática e
entérica
• O padrão básico (dois neurônios) dos sistemas simpático e parassimpático consiste em um
neurônio pré-ganglionar com o corpo celular no sistema nervoso central (SNC) e um
neurônio pós-ganglionar com seu corpo celular em um gânglio autônomo
• O sistema parassimpático está conectado ao SNC por meio de:
– Emergência em nervos cranianos (III, VII, IX, X)
– Emergência sacral
• Os gânglios parassimpáticos geralmente estão próximos do órgão-alvo ou em seu interior
• A emergência simpática deixa o SNC por raízes espinais torácicas e lombares. Os gânglios
simpáticos formam duas cadeias paravertebrais, e há também gânglios na linha média do
corpo
• O sistema nervoso entérico consiste em neurônios situados nos plexos intramurais do trato
gastrintestinal. Ele recebe estímulos dos sistemas simpático e parassimpático, mas é capaz
de agir isoladamente, controlando as funções motoras e secretórias do intestino
Fisiologia
• O sistema autônomo controla a musculatura lisa (visceral e vascular), as secreções
exócrinas (e algumas endócrinas), a frequência e a força de contração cardíacas, e certos
processos metabólicos (p. ex., a utilização da glicose)
• Os sistemas simpático e parassimpático têm ações antagônicas em algumas situações (p.
ex., no controle da frequência cardíaca e sobre a musculatura lisa gastrintestinal), mas não
em outras (p. ex., sobre as glândulas salivares e o músculo ciliar)