Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 202 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Perspectivas futuras

pode ser bloqueada pelo ácido acetilsalicílico (ver Capítulo 27), o que

sugere o envolvimento de prostaglandinas. Existe um interesse considerável

no potencial papel dos receptores purinérgicos (principalmente P2Y e P2X)

em vários aspectos da transmissão da dor nociceptiva e, em particular, no

desenvolvimento da dor neuropática, que é difícil de tratar (ver Capítulo

43). Curiosamente, os receptores purinérgicos são encontrados não apenas

nos neurônios, mas também nas células da glia, sugerindo um papel para

essas células de “suporte” na modulação da cadeia de transmissão

nociceptiva. Foi sugerido que ambos os tipos de receptores poderão ser

alvos úteis para fármacos analgésicos e contra a enxaqueca (Tsuda et al.,

2012; Magni e Ceruti, 2013).

Curiosamente, talvez, os mesmos receptores parecem estar envolvidos

na percepção do sabor pela língua.

 

ATP NA INFLAMAÇÃO

O ATP é liberado de células estimuladas, lesionadas ou moribundas, e os

receptores P2X estão amplamente distribuídos nas células do sistema

imunológico; os receptores P2Y, nem tanto. Atuando por meio desses

receptores, o ATP pode regular a quimiotaxia dos fagócitos e neutrófilos e

provocar a liberação de citocinas e outros mediadores inflamatórios a partir

dos macrófagos e mastócitos (Hechler e Gachet, 2015). Camundongos com

deleção do receptor P2X7 apresentam capacidade reduzida de desenvolver inflamação crônica. A sinalização purinérgica também desempenha papel

importante na sinalização das células T. Junger (2011) oferece boa

avaliação do papel da sinalização autócrina no sistema imunológico.

 

PERSPECTIVAS FUTURAS

A área da farmacologia purinérgica como um todo é uma promessa

considerável para exploração terapêutica futura. Neste capítulo, não é

possível fazer uma lista abrangente, mas alguns dos artigos citados a seguir

permitirão que o leitor se atualize.

 

REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR

(Advertência: a nomenclatura desses receptores foi alterada diversas vezes, o que pode dificultar a

leitura de artigos mais antigos. Para a última versão da nomenclatura, bem como informações

sobre ligantes etc., recorrer sempre a www.guidetopharmacology.org/).

Antonioli, L., Colucci, R., Pellegrini, C., et al., 2013. The role of purinergic pathways in the

pathophysiology of gut diseases: pharmacological modulation and potential therapeutic

applications. Pharmacol. Ther. 139, 157–188. (Levantamento muito abrangente da distribuição e

da função dos receptores purinérgicos no intestino e sua relevância para a função fisiológica

normal e doença)

Brown, R.A., Spina, D., Page, C.P., 2008. Adenosine receptors and asthma. Br. J. Pharmacol. 153

(Suppl. 1), S446–S456. (Excelente revisão da farmacologia da adenosina no pulmão. Muito

acessível)

Burnstock, G., 2006. Purinergic P2 receptors as targets for novel analgesics. Pharmacol. Ther. 110,

433–454. (Este artigo e as revisões seguintes do mesmo autor abrangem vários aspectos da

sinalização purinérgica e suas aplicações terapêuticas)

Burnstock, G., 2008. Purinergic receptors as future targets for treatment of functional GI disorders.

Gut 57, 1193–1194.

Burnstock, G., 2012. Purinergic signalling: Its unpopular beginning, its acceptance and its exciting

future. Bioessays 34, 218–225. (Interessante avaliação de todo o campo da sinalização

purinérgica, escrita pelo cientista verdadeiramente pioneiro no campo. Fácil de ler e

informativa)

Burnstock, G., Brouns, I., Adriaensen, D., Timmermans, J.P., 2012. Purinergic signalling in the

airways. Pharmacol. Rev. 64, 834–868. (Revisão substancial e confiável para aqueles que querem

se aprofundar nesta área de farmacologia purinérgica)

Burnstock, G., 2017. Purinergic signalling: therapeutic developments. Front. Pharmacol. 8, 1–55.

(Revisão muito abrangente desta área, destacando as potenciais oportunidades terapêuticas para

agentes purinérgicos em muitas áreas terapêuticas)

Chen, J.F., Eltzschig, H.K., Fredholm, B.B., 2013. Adenosine receptors as drug targets–what are the

challenges? Nat. Rev. Drug Discov. 12, 265–286. (Cobertura excelente e abrangente dos

receptores de adenosina)

Cunha, R.A., 2001. Adenosine as a neuromodulator and as a homeostatic regulator in the nervous

system: different roles, different sources and different receptors. Neurochem. Int. 38, 107–125.

(Revisão especulativa sobre as funções da adenosina no sistema nervoso)

Guzman-Aranguez, A., Gasull, X., Diebold, Y., Pintor, J., 2014. Purinergic receptors in ocular

inflammation. Mediators Inflamm. 2014, 320906. (Esta é uma área relativamente nova, e este

artigo detalha a distribuição do receptor no olho e discute os potenciais usos terapêuticos dos

agentes purinérgicos nos distúrbios oculares. Alguns diagramas disponíveis. Um pouco

especializado, mas interessante)

Hechler, B., Gachet, C., 2015. Purinergic receptors in thrombosis and inflammation. Arterioscler.

Thromb. Vasc. Biol. 35, 2307–2315. (Excelente revisão do papel dos receptores purinérgicos

nessas indicações específicas e perspectivas para terapia medicamentosa futura. Concentra-se

principalmente nos receptores P2X. Diagramas bem escritos e úteis. Recomendada)

Junger, W.G., 2011. Immune cell regulation by autocrine purinergic signalling. Nat. Rev. Immunol.

11, 201–212. (Revisão global excelente e bem ilustrada do papel do sistema purinérgico nas

células imunes. Foca-se nas células T e na sinalização autócrina dos neutrófilos. Leitura

recomendada)

Khakh, B.S., North, R.A., 2006. P2X receptors as cell-surface ATP sensors in health and disease.

Nature 442, 527–532. (Revisão excelente e de fácil leitura sobre os receptores P2X.

Recomendada)

Magni, G., Ceruti, S., 2013. P2Y purinergic receptors: new targets for analgesic and antimigraine

drugs. Biochem. Pharmacol. 85, 466–477. (Revisão muito completa do potencial para novos

analgésicos que atuam nesses receptores. Diagramas úteis e informação estrutural sobre

agonistas do receptor P2Y)

Ochoa-Cortes, F., Linan-Rico, A., Jacobson, K.A., Christofi, F.L., 2014. Potential for developing

purinergic drugs for gastrointestinal diseases. Inflamm. Bowel Dis. 20, 1259–1287. (Revisão de

tópico abrangente e de fácil leitura. Inclui dados sobre produtos fitoterápicos contendo fármacos

purinérgicos também. Recomendada)

Tsuda, M., Tozaki-Saitoh, H., Inoue, K., 2012. Purinergic system, microglia and neuropathic pain.

Curr. Opin. Pharmacol. 12, 74–79. (Breve revisão do papel do sistema purinérgico na micróglia e

suas implicações para a patogênese e o tratamento da dor neuropática)

Capítulo 17

 

17.1 TEMA

A descoberta do papel dos nucleosídios e dos nucleotídios como moléculas de

sinalização extracelular abriu um novo campo farmacológico, cujas

complexidades estão apenas começando a ser desvendadas.

Qual das seguintes a rmativas sobre os receptores de purinas é correta?

 

A. Os receptores P2X são metabotrópicos

 

B. Os receptores P2X são canais iônicos controlados por ATP

 

C. Os receptores P2Y são seletivos para o ADP

 

D. + Os receptores P2Y estão diretamente ligados a canais de K

 

E. Muitos receptores P2X são receptores órfãos

 

Resposta A Os receptores P2X são canais catiônicos controlados por ATP ionotrópicos.

Alternativa B incorreta: Os receptores P2X são canais iônicos controlados por ATP.

Trata-se de receptores ionotrópicos multiméricos.

Alternativa C incorreta: Os receptores P2Y respondem a vários nucleotídios de

adenina, com preferência pelo ATP em comparação com ADP e AMP; entretanto, alguns

podem se ligar a pirimidinas, como UTP.

Alternativa D incorreta: Os receptores P2Y são acoplados à proteína G e sinalizam por

meio da fosfolipase C (PLC) ou do cAMP.

Alternativa E incorreta: Os ligantes de muitos receptores P2Y ainda não foram

identi cados e, consequentemente, são classi cados como receptores órfãos.

 

Concluir questão

 

17.2 TEMA

Foi demonstrado que as purinas medeiam uma ampla variedade de funções

siológicas e, portanto, foram implicadas em vários estados patológicos.

Qual das seguintes a rmativas sobre as funções siológicas das purinas é

incorreta?

A. A adenosina inibe a contração cardíaca e é utilizada terapeuticamente na taquicardia

supraventricular

B. A teo lina mostra-se útil no tratamento da asma, visto que ela antagoniza a

broncoconstrição mediada pela adenosina

 

C. A cafeína exerce parte de seu efeito estimulador por meio do bloqueio dos receptores A2A

centrais

 

D. Os antagonistas dos receptores P2Y12 são agentes antitrombóticos úteis, visto que eles

bloqueiam a agregação plaquetária mediada pelo ADP

 

E. O ácido acetilsalicílico inibe a nocicepção mediada pelo ATP nos neurônios aferentes,

mediados pelos receptores P2Y

 

Resposta A A adenosina é administrada na forma de injeção em bolus de ação curta,

visto que é considerada mais segura do que os antagonistas β.

Alternativa B incorreta: A adenosina, que atua nos receptores A1, causa broncoconstrição, promove a liberação de mediadores dos mastócitos, causa aumento

da secreção de muco e ativação dos leucócitos, e esses efeitos são bloqueados pelo

antagonista 1, a teo lina.

Alternativa C incorreta: A adenosina, que atua por meio dos receptores A1 e A2A,

exerce efeito inibitório sobre muitos neurônios do sistema nervoso central, que é

bloqueado pela cafeína.

Alternativa D incorreta: O ADP liberado das vesículas plaquetárias estimula a

agregação por meio dos receptores P2Y12.

Alternativa E incorreta: O ácido acetilsalicílico inibe a nocicepção mediada pelo ATP

nos neurônios aferentes, mediados pelos receptores P2Y.

A nocicepção mediada pelo ATP envolve a liberação de prostaglandinas após a ativação

dos receptores P2X2 e P2X3.

 

Concluir questão

 

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