Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 136 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Modelo de compartimento único

Figura 11.2 Modelo farmacocinético de compartimento único. Este modelo é aplicável quando a concentração plasmática cai exponencialmente após a administração

do fármaco (como na Figura 11.1).

 

Observe que essas estimativas de CL tot, diferentemente das estimativas com base na constante de velocidade ou na meia-vida (ver adiante), não

dependem de nenhum modelo compartimental específico.

 

MODELO DE COMPARTIMENTO ÚNICO

Considere um modelo altamente simplificado de um ser humano

consistindo em um único compartimento bem homogeneizado, de volume

Vd (volume de distribuição), no qual uma quantidade de fármaco Q é introduzida rapidamente por injeção intravenosa, e do qual é removido,

sendo metabolizado ou excretado (Figura 11.2). Para a maior parte dos

fármacos, Vd é um volume aparente e não o volume de um compartimento anatômico. Ele relaciona a quantidade total do fármaco no organismo com

sua concentração no plasma (ver Capítulo 9). A quantidade do fármaco no organismo imediatamente após ser administrado em bolus único é igual à

dose administrada Q. Logo, a concentração inicial, C0, será dada por:

 

Na prática, C0 é estimada pela extrapolação de uma porção linear de um

gráfico semilogarítmico de Cp versus tempo em direção ao seu intercepto no

tempo 0 (Figura 11.1C). Cp em um dado tempo t depende da taxa de

eliminação do fármaco (i. e., da sua depuração total, CLtot), assim como da

dose e de Vd. Muitos fármacos apresentam uma cinética de primeira ordem, na qual a taxa de eliminação é diretamente proporcional à concentração do

fármaco. (Podemos fazer aqui uma analogia com a água, que neste caso

representa o fármaco: ao esvaziar a banheira depois do banho, a água sai

pelo ralo, em grande velocidade inicialmente e, no final, leva muito tempo

para sair. Em comparação, no caso da cinética de ordem zero, a água sairia

da banheira a uma taxa constante. Em uma cinética de primeira ordem, a

concentração do fármaco diminui exponencialmente (Figura 11.3) e é

expressa pela equação:

Figura 11.3 Comportamento previsto de um modelo de compartimento único após

a administração intravenosa de um fármaco no tempo 0. Os fármacos a e b diferem apenas quanto à constante de velocidade de eliminação, k . A curva b´ mostra a evolução el temporal da concentração plasmática para uma dose menor de b. Observe que a meia-vida (t1/2) (indicada pelas linhas tracejadas) não depende da dose. A. Concentração em escala linear. B. Concentração em escala logarítmica.

 

(Observe que exp é outra forma de expressar “e para a potência de”; assim,

é igual à fórmula Ct= C0.e–kt)

 

Transpondo os logaritmos para a base e (expresso como In):

 

Colocando em gráfico Ct em escala logarítmica contra t (em uma escala

linear), o resultado é uma reta com inclinação − CLtot/Vd. A constante

(CL tot/Vd) é a constante de velocidade de eliminação kel, que tem unidade de 1/tempo. Ela representa a fração do fármaco no organismo eliminado por

unidade de tempo. Por exemplo, se a constante for de 0,1/h, significa que,

em cada hora, elimina-se 1/10 do fármaco remanescente no organismo.

A meia-vida de eliminação, t1/2, é o tempo que Cp demora a ser reduzido

para metade e é igual a ln2/kel (= 0,693/kel). A meia-vida plasmática é,

assim, determinada por Vd bem como por CLtot. Isso permite que seja

possível antecipar o decurso temporal de Cp depois da administração de um

fármaco ou depois do início ou do fim de uma infusão, quando a Cp vai aumentando até o seu estado estacionário ou diminuindo até zero.

Quando um modelo de compartimento único pode ser aplicado, a

concentração do fármaco no plasma se aproxima exponencialmente do

valor de estado de equilíbrio durante uma infusão constante (ver Figura

11.1A). Quando a infusão é interrompida, a concentração cai de maneira exponencial em direção a zero com a mesma meia-vida: após uma meia-