Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 747 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Desenvolvimento pré-clínico

maus hábitos. Em outros casos, os candidatos principais, embora produzam

os efeitos desejados na molécula-alvo e não tenham outros defeitos

evidentes, não conseguem produzir os efeitos esperados nos modelos

animais da doença, evidenciando que o alvo provavelmente também não

seria útil nos humanos. Uma minoria virtuosa de fármacos progride para a

fase seguinte, o desenvolvimento pré-clínico.

 

DESENVOLVIMENTO PRÉ-CLÍNICO

O objetivo do desenvolvimento pré-clínico é satisfazer todas as exigências

experimentais antes que um novo composto seja considerado pronto para

ser testado pela primeira vez em seres humanos. O trabalho enquadra-se em

quatro categorias principais.

 

1. Testes farmacológicos para analisar se o fármaco não produz quaisquer

efeitos agudos obviamente perigosos, tais como constrição brônquica,

arritmias cardíacas, alterações da pressão sanguínea e ataxia (falta de

movimento muscular coordenado). Isso é denominado farmacologia de

segurança.

2. Testes toxicológicos preliminares para eliminar a genotoxicidade e

determinar a dose não tóxica máxima do fármaco (em geral,

administrado diariamente, por 28 dias, e testado em duas espécies).

Assim como na análise usual para perda de peso e outras alterações

grosseiras, os animais assim tratados são também examinados

minuciosamente post mortem no final da experiência, com o intuito de

procurar evidências histológicas e bioquímicas de lesão tecidual (ver

Capítulo 58).

3. Testes farmacocinéticos e farmacodinâmicos (FC/FD),3 incluindo

estudos sobre absorção, metabolismo, distribuição e eliminação (estudos

ADME) nas espécies animais de laboratório utilizadas para teste

toxicológico, bem como para relacionar os efeitos farmacológicos e

toxicológicos à concentração plasmática e à exposição ao fármaco.

4. Desenvolvimento químico e farmacêutico para analisar a viabilidade da

síntese e da purificação em larga escala, avaliar a estabilidade do

composto em várias situações e desenvolver a formulação adequada

para os estudos clínicos.

 

Muito do trabalho do desenvolvimento pré-clínico, especialmente o que se

relaciona com os assuntos de segurança, é realizado com um código

operacional formal, conhecido com Boa Prática Laboratorial (GLP; do

inglês, Good Laboratory Practice), que cobre aspectos como

procedimentos de manutenção dos registros, análise de dados, calibração

dos instrumentos e treinamento do pessoal. O objetivo do GLP é eliminar o

erro humano tanto quanto possível e assegurar a confiabilidade dos dados

submetidos às autoridades reguladoras; os laboratórios são regularmente

monitorados para se observar sua adesão aos padrões GLP. A disciplina

estrita ao se trabalhar com este código é geralmente inadequada à pesquisa

criativa necessária nos estágios precoces da descoberta de um fármaco;

assim, os padrões GLP não são adotados até que os projetos avancem além

da fase de descoberta.

Aproximadamente metade dos compostos identificados como

candidatos a fármacos falha durante a fase de desenvolvimento pré-clínico;

para os restantes, é preparado um relatório detalhado (a “brochura do

investigador”) para submissão, segundo protocolos específicos de estudo, às

entidades reguladoras, tais como a European Medicines Agency (EMA), ou,

nos EUA, a FDA, cuja permissão é necessária para se prosseguir com os

estudos em seres humanos.4 Esta não é obtida com facilidade, e a autoridade reguladora pode recusar a permissão ou exigir que se realize algum trabalho