Rang e Dale: Farmacologia
Tratamento combinado para HIV
Fármacos antivirais
A maioria dos fármacos antivirais localiza-se nos seguintes grupos:
• Análogos dos nucleosídios (ou nucleotídios) que inibem a enzima transcriptase reversa
viral, impedindo a replicação (p. ex., lamivudina, zidovudina)
• Análogos não nucleosídicos que apresentam o mesmo efeito (p. ex., efavirenz)
• Inibidores de proteases que impedem o processamento da proteína viral (p. ex.,
saquinavir, indinavir)
• Inibidores da DNA-polimerase viral que impedem a replicação (p. ex., aciclovir,
fanciclovir)
• Inibidores da integrase do HIV que impedem a incorporação do DNA viral ao genoma do
hospedeiro (ratelgravir)
• Inibidores da fusão viral com as células (p. ex., enfuvirtida)
• Inibidores da entrada viral que bloqueiam o uso de receptores presentes na superfície da
célula hospedeira que poderiam ser utilizados como pontos de entrada pelos vírus
(maviroque)
• Inibidores da desmontagem da cápsula viral (p. ex., amantadina)
• Inibidores da neuraminidase que impedem que o vírus escape das células infectadas (p.
ex., oseltamivir)
• Imunomoduladores que reforçam as defesas do hospedeiro (p. ex., interferonas e inosina
pranobex)
• Imunoglobulina e preparações relacionadas que contêm os anticorpos que neutralizam
vários vírus.
TRATAMENTO COMBINADO PARA HIV
Uma vez que as duas principais classes de fármacos antivirais usados para
tratar o HIV (inibidores da transcriptase reversa e inibidores da protease)
têm mecanismos de ação distintos (ver Figura 53.3), elas podem ser usadas
de forma útil em combinação, e isso melhorou drasticamente o prognóstico
da doença. Esse tratamento combinado é conhecido como HAART (do
inglês, Highly Active Antiretroviral Therapy, tratamento antirretroviral
altamente ativo). Uma combinação de HAART típica de três a quatro
fármacos envolve dois inibidores nucleosídicos da transcriptase reversa
com um inibidor não nucleosídico da transcriptase reversa ou com um ou
dois inibidores de protease.
Ao se adotar um protocolo de HAART, a replicação do HIV é inibida, a
presença no plasma do RNA do HIV é reduzida a níveis não detectáveis e a
sobrevida do paciente é significativamente prolongada – tanto que
expectativas de vida quase normais podem ser agora conseguidas, dado o
diagnóstico rápido e o tratamento com boa adesão do paciente. Este último
é um ponto-chave – uma taxa de 95% ou mais é necessária para se
conseguir este resultado e prevenir a falha do tratamento. Tal é difícil de
alcançar porque os regimes de múltiplas doses diárias são complexos e estes
fármacos têm muitos efeitos indesejados. Tendo em vista que o tratamento
vitalício é necessário, a “fadiga do tratamento” é um problema real.
Para contornar pelo menos alguns desses problemas, foram criadas
várias formulações de “1 vez/dia”. A primeira a ser aprovada, a Atripla®,
compreende uma mistura de dose fixa de inibidores nucleosídicos e não
nucleosídicos da transcriptase reversa (tenofovir, entricitabina e efavirenz).
Várias outras combinações proprietárias também foram aprovadas com
diferentes fármacos constituintes. Estima-se que a mudança para a
administração “1 vez/dia” duplique a probabilidade de manter 95% de taxa
de adesão, que é crucial para o sucesso do tratamento (Truong et al., 2015).