Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 239 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Endocanabinoides

Alguns endocanabinoides conseguem, de modo sur-preendente,2 ligar-se

a locais ao lado citoplasmático dos potenciais canais de receptores

transitórios (canais TRP), ativando esses receptores ionotrópicos e, assim,

estimulando as terminações nervosas nociceptivas (ver Capítulo 43). Outros

receptores acoplados à proteína G, não identificados até o momento,

também estão envolvidos, pois os canabinoides exibem ações analgésicas e

ativam proteínas G no cérebro de camundongos “knock-out” para CB1,

apesar da ausência de receptores CB1.

 

ENDOCANABINOIDES

A descoberta de receptores canabinoides específicos levou à busca de

mediadores endógenos. O primeiro sucesso foi registrado por uma equipe

que avaliou frações de extratos de cérebro de porco quanto à capacidade de

deslocar um ligante radiomarcado de receptor canabinoide (Devane et al.,

1992). Isso levou à purificação da N-araquidoniletanolamida, um mediador

eicosanoide (ver Capítulo 18), cuja estrutura é mostrada na Figura 20.1, e

batizada como anandamida.3 A anandamida não só deslocou o canabinoide

marcado das membranas sinaptossômicas no ensaio de ligação (binding),

como também inibiu contrações evocadas eletricamente no canal deferente

de camundongos, um bioensaio para canabinoides psicotrópicos (Figura

20.3). Poucos anos depois, foi identificado um segundo endocanabinoide, o

2-araquidonoil glicerol (2-AG, ver Figura 20.1) e, mais recentemente,

foram adicionados à lista pelo menos três novos candidatos

endocanabinoides – todos derivados do ácido araquidônico – com

seletividades distintas para os receptores CB 1/CB2 (ver Tabela 20.1). Os endocanabinoides são produzidos “sob demanda”, à semelhança dos

eicosanoides (ver Capítulo 19), em vez de serem pré-sintetizados e

armazenados para liberação quando necessário.