Rang e Dale: Farmacologia
Gravidez
A gravidez causa alterações fisiológicas que podem influenciar a
distribuição de fármacos na mãe e no feto. A concentração plasmática
materna de albumina é reduzida, influenciando a ligação de fármacos às
proteínas. O débito cardíaco é aumentado, levando à elevação do fluxo
sanguíneo renal e da TFG e ao aumento da eliminação renal de fármacos.
As moléculas lipofílicas atravessam rapidamente a barreira placentária,
enquanto a transferência de fármacos hidrofóbicos é lenta, limitando a
exposição do feto ao fármaco após uma dose materna única. A barreira
placentária exclui alguns fármacos (p. ex., heparinas de baixo peso
molecular; ver Capítulo 25) de maneira tão efetiva, que eles podem ser
administrados cronicamente à mãe sem causarem efeitos no feto. Contudo,
os fármacos transferidos para o feto são eliminados mais lentamente do que
da mãe. A atividade da maioria das enzimas metabolizadoras dos fármacos
no fígado fetal é muito menor que no adulto. Além disso, o rim fetal não é
uma via de eliminação eficiente, porque o fármaco eliminado dá entrada no
líquido amniótico, o qual é engolido pelo feto. Para uma descrição mais
completa, ver Atkinson et al. (2012).
DOENÇA
Os fármacos terapêuticos são prescritos para pacientes, portanto, os efeitos
da doença sobre a resposta dos fármacos são muito importantes,
especialmente das doenças dos principais órgãos responsáveis pelo
metabolismo e excreção de fármacos (e seus metabólitos). Considerações
detalhadas estão além do âmbito deste livro, e os leitores interessados
devem consultar um texto clínico, como os capítulos sobre doenças renal e
hepática em Atkinson et al. (2012). A doença pode causar variações
farmacocinéticas ou farmacodinâmicas. Distúrbios comuns, como o comprometimento da função renal ou hepática, predispõem a toxicidade por
causarem efeitos inesperadamente intensos ou prolongados dos fármacos,
como resultado do aumento da concentração do fármaco após uma dose
“padrão”. A velocidade de absorção do fármaco é reduzida em condições
que causem estase gástrica (p. ex., enxaqueca, neuropatia diabética) e pode
ser incompleta em pacientes com má absorção em virtude de doença ileal
ou pancreática ou de edema da mucosa ileal causado por insuficiência
cardíaca ou síndrome nefrótica. A síndrome nefrótica (caracterizada por
forte proteinúria, edema e uma concentração reduzida de albumina no
plasma) altera a absorção do fármaco devido ao edema da mucosa
intestinal; modifica a distribuição do fármaco mediante alterações nas
ligações à albumina plasmática; e causa insensibilidade aos diuréticos,
como a furosemida, que atuam no mecanismo de transporte iônico na
superfície luminal do epitélio tubular (ver Capítulo 30), por meio da ligação
do fármaco à albumina no líquido tubular. O hipotireoidismo está associado
ao aumento da sensibilidade a vários fármacos (p. ex., petidina), por
motivos que são pouco compreendidos. A hipotermia (à qual pessoas
idosas, em particular, são predispostas) reduz, de forma marcante, a
depuração de muitos fármacos.
Outras doenças afetam a sensibilidade a fármacos por alterarem
receptores ou mecanismos de transdução de sinal (ver Capítulo 3). Incluem-
se os seguintes exemplos:
• Doenças que influenciam receptores:
• Miastenia gravis, uma doença autoimune caracterizada pelo
surgimento de anticorpos contra os receptores nicotínicos da
acetilcolina (ver Capítulo 14) e sensibilidade aumentada a agentes
bloqueadores neuromusculares (p. ex., vecurônio) e a outros