Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 147 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Gravidez

A gravidez causa alterações fisiológicas que podem influenciar a

distribuição de fármacos na mãe e no feto. A concentração plasmática

materna de albumina é reduzida, influenciando a ligação de fármacos às

proteínas. O débito cardíaco é aumentado, levando à elevação do fluxo

sanguíneo renal e da TFG e ao aumento da eliminação renal de fármacos.

As moléculas lipofílicas atravessam rapidamente a barreira placentária,

enquanto a transferência de fármacos hidrofóbicos é lenta, limitando a

exposição do feto ao fármaco após uma dose materna única. A barreira

placentária exclui alguns fármacos (p. ex., heparinas de baixo peso

molecular; ver Capítulo 25) de maneira tão efetiva, que eles podem ser

administrados cronicamente à mãe sem causarem efeitos no feto. Contudo,

os fármacos transferidos para o feto são eliminados mais lentamente do que

da mãe. A atividade da maioria das enzimas metabolizadoras dos fármacos

no fígado fetal é muito menor que no adulto. Além disso, o rim fetal não é

uma via de eliminação eficiente, porque o fármaco eliminado dá entrada no

líquido amniótico, o qual é engolido pelo feto. Para uma descrição mais

completa, ver Atkinson et al. (2012).

 

DOENÇA

Os fármacos terapêuticos são prescritos para pacientes, portanto, os efeitos

da doença sobre a resposta dos fármacos são muito importantes,

especialmente das doenças dos principais órgãos responsáveis pelo

metabolismo e excreção de fármacos (e seus metabólitos). Considerações

detalhadas estão além do âmbito deste livro, e os leitores interessados

devem consultar um texto clínico, como os capítulos sobre doenças renal e

hepática em Atkinson et al. (2012). A doença pode causar variações

farmacocinéticas ou farmacodinâmicas. Distúrbios comuns, como o comprometimento da função renal ou hepática, predispõem a toxicidade por

causarem efeitos inesperadamente intensos ou prolongados dos fármacos,

como resultado do aumento da concentração do fármaco após uma dose

“padrão”. A velocidade de absorção do fármaco é reduzida em condições

que causem estase gástrica (p. ex., enxaqueca, neuropatia diabética) e pode

ser incompleta em pacientes com má absorção em virtude de doença ileal

ou pancreática ou de edema da mucosa ileal causado por insuficiência

cardíaca ou síndrome nefrótica. A síndrome nefrótica (caracterizada por

forte proteinúria, edema e uma concentração reduzida de albumina no

plasma) altera a absorção do fármaco devido ao edema da mucosa

intestinal; modifica a distribuição do fármaco mediante alterações nas

ligações à albumina plasmática; e causa insensibilidade aos diuréticos,

como a furosemida, que atuam no mecanismo de transporte iônico na

superfície luminal do epitélio tubular (ver Capítulo 30), por meio da ligação

do fármaco à albumina no líquido tubular. O hipotireoidismo está associado

ao aumento da sensibilidade a vários fármacos (p. ex., petidina), por

motivos que são pouco compreendidos. A hipotermia (à qual pessoas

idosas, em particular, são predispostas) reduz, de forma marcante, a

depuração de muitos fármacos.

Outras doenças afetam a sensibilidade a fármacos por alterarem

receptores ou mecanismos de transdução de sinal (ver Capítulo 3). Incluem-

se os seguintes exemplos:

 

• Doenças que influenciam receptores:

• Miastenia gravis, uma doença autoimune caracterizada pelo

surgimento de anticorpos contra os receptores nicotínicos da

acetilcolina (ver Capítulo 14) e sensibilidade aumentada a agentes

bloqueadores neuromusculares (p. ex., vecurônio) e a outros