Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 690 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Desenvolvimentos futuros

como esmalte para unha, mostrando-se eficaz nas onicomicoses.

 

DESENVOLVIMENTOS FUTUROS

As infecções fúngicas estão aumentando devido à prevalência da

imunossupressão associada à quimioterapia do câncer e ao transplante.

Muitos fármacos existentes têm baixa eficácia, e problemas com toxicidade

e novas cepas de fungos comensais que se tornaram patológicos estão

emergindo. Além disso, números crescentes de cepas fúngicas estão se

tornando resistentes aos fármacos antifúngicos atuais à medida que

desenvolvem genes de resistência ou estes adquirem mutações naturais

protetoras (embora, felizmente, a resistência farmacológica não seja

transferível nos fungos), e a capacidade de algumas espécies de desenvolver

biofilmes exacerba esse problema (embora também oferecendo outras

oportunidades para a concepção de fármacos; ver de Mello et al., 2017).

Há, portanto, uma necessidade premente de mais antifúngicos. De modo

encorajador, novos compostos sintéticos estão em desenvolvimento,

incluindo novos fármacos azóis (ver, por exemplo, Zeichner, 2015), bem

como mais desenvolvimentos, alguns com novos mecanismos de ação.

O desenvolvimento de novos inibidores do betaglucano foi revisto por

Hector e Bierer (2011); novos alvos como a V-ATPase estão sendo

avaliados (Zhang e Rao, 2012), enquanto a perspectiva de descobrir novos

antifúngicos naturais (como os fármacos antibióticos já mencionados)

continua a atrair atenção (Dhankhar et al., 2012).

Uma solução ideal seriam vacinas antifúngicas. A ideia foi sugerida

pela primeira vez nos anos 1960, mas até agora apenas conseguiu sucesso

limitado em animais (Torosantucci et al., 2005), sem chegar à clínica. O

problema no passado foi a compreensão de como o sistema imune combate a infecção fúngica; no entanto, recentemente, muitas questões foram

esclarecidas, e isso deve ajudar na concepção de vacinas no futuro. O

progresso nesta área foi revisado por Medici e Del Poeta (2015), Nanjappa

e Klein (2014) e Datta e Hamad (2015).

Um problema com essa abordagem é que o desenvolvimento de

imunidade induzida por vacinas é dependente do funcionamento do sistema

imune do paciente, e são precisamente os pacientes imunocomprometidos

que frequentemente necessitam de tratamento.

 

REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR

Chen, S.C., Slavin, M.A., Sorrell, T.C., 2011. Echinocandin antifungal drugs in fungal infections: a

comparison. Drugs 71, 11–41. (Revisão bastante extensa das equinocandinas, incluindo

comentários sobre o fenômeno de resistência aos fármacos)

Datta, K., Hamad, M., 2015. Immunotherapy of fungal infections. Immunol. Invest. 44, 738–776.

(Um artigo abrangente, que cobre muitos aspectos da imunidade fúngica e perspectivas de

imunoterapia)

de Mello, T.P., de Souza Ramos, L., Braga-Silva, L.A., et al., 2017. Fungal biofilm - a real obstacle

against an efficient therapy: lessons from Candida. Curr. Top. Med. Chem. (Um artigo que trata

dos problemas crescentes dos biofilmes fúngicos e descreve potenciais novas formas de inibir a

sua formação)

Deepe, G.S., Jr., 2004. Preventative and therapeutic vaccines for fungal infections: from concept to

implementation. Expert Rev. Vaccines 3, 701–709. (Revisão interessante e otimista sobre a busca

por vacinas antifúngicas)

Denning, D.W., 2003. Echinocandin antifungal drugs. Lancet 362, 1142–1151. (Revisão geral sobre

as equinocandinas, destacando seu uso clínico)

Dhankhar, S., Dhankhar, S., Kumar, M., Ruhil, S., Balhara, M., Chhillar, A.K., 2012. Analysis

toward innovative herbal antibacterial and antifungal drugs. Recent Pat. Antiinfect. Drug Discov.

7, 242–248. (A procura por mais antifúngicos que ocorram naturalmente continua com a

identificação de novos compostos ativos em potencial)

Dodds, E.S., Drew, R.H., Perfect, J.R., 2000. Antifungal pharmacodynamics: review of the literature

and clinical applications. Pharmacotherapy 20, 1335–1355. (Boa revisão dos antifúngicos

empregados no tratamento de infecções sistêmicas; tem um tom um pouco clínico)

Gupta, A.K., Tomas, E., 2003. New antifungal agents. Dermatol. Clin. 21, 565–576. (Revisão

abrangente e completa que aborda principalmente os antifúngicos mais recentes, seus

mecanismos de ação e resistência)

Hadrich, I., Makni, F., Neji, S., et al., 2012. Invasive aspergillosis: resistance to antifungal drugs.

Mycopathologia 174, 131–141. (Principais problemas com os mecanismos de resistência do

Aspergillus aos fármacos antifúngicos convencionais)

Hector, R.F., Bierer, D.E., 2011. New beta-glucan inhibitors as antifungal drugs. Expert Opin. Ther.

Pat. 21, 1597–1610. (Revisão de novas patentes na área. Estritamente para aqueles que querem

aprofundar-se no assunto)

Lupetti, A., Nibbering, P.H., Campa, M., et al., 2003. Molecular targeted treatments for fungal

infections: the role of drug combinations. Trends Mol. Med. 9, 269–276. (Artigo interessante e

acessível que lida com a utilização da terapia antifúngica combinada. Bons diagramas)

Medici, N.P., Del Poeta, M., 2015. New insights on the development of fungal vaccines: from

immunity to recent challenges. Mem. Inst. Oswaldo Cruz 110, 966–973. (Discute a necessidade

de vacinas fúngicas e os problemas a elas associados. Muito acessível)

Nanjappa, S.G., Klein, B.S., 2014. Vaccine immunity against fungal infections. Curr. Opin. Immunol.

28, 27–33. (Este artigo revisa os desenvolvimentos, o nosso conhecimento sobre imunidade

fúngica e como isso se aplica à concepção de vacinas. Também inclui uma lista de candidatos a

vacinas)

Noel, T., 2012. The cellular and molecular defense mechanisms of the Candida yeasts against azole

antifungal drugs. J. Mycol. Med. 22, 173–178. (Outro artigo que discute os mecanismos de

resistência; neste caso, aos azóis)

Sant, D.G., Tupe, S.G., Ramana, C.V., et al., 2016. Fungal cell membrane-promising drug target for

antifungal therapy. J. Appl. Microbiol. 121 (6), 1498–1510. (Revisão útil sobre a ação

farmacológica na membrana fúngica e potenciais novos alvos para farmacoterapia)

Thursky, K.A., Playford, E.G., Seymour, J.F., et al., 2008. Recommendations for the treatment of

established fungal infections. Intern. Med. J. 38, 496–520. (Revisão bastante extensa do

tratamento das infecções fúngicas. Tom clínico)

Torosantucci, A., Bromuro, C., Chiani, P., et al., 2005. A novel glyco-conjugate vaccine against

fungal pathogens. J. Exp. Med. 202, 597–606. (Artigo experimental que demonstra o

desenvolvimento de um novo tipo de vacina eficaz contra infecções causadas por Candida em

camundongos)

Zeichner, J.A., 2015. New topical therapeutic options in the management of superficial fungal

infections. J. Drugs Dermatol. 14, s35–s41.

Zhang, Y., Rao, R., 2012. The V-ATPase as a target for antifungal drugs. Curr. Protein Pept. Sci. 13,

134–140. (O título é autoexplicativo)

 

Recursos úteis na web

http://www.fungionline.org.uk (Este site é patrocinado pela British Mycological Society. Trata da

biologia básica dos fungos e contém muitos diagramas e imagens úteis, bem como links para

outros recursos e videoclipes. Não está especificamente relacionado com a patologia das

infecções fúngicas ou terapia farmacológica, mas é muito interessante para aqueles que desejam

aprofundar-se na biologia desses organismos únicos)

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1 Embora também possam “infectar” prédios e contribuir para a “síndrome do prédio doente”.

2 O histoplasma é uma infecção assintomática comum no Centro-Oeste dos EUA. É transportado por morcegos e, portanto, infecta espeleólogos (cavernólogos).

3 Esta é uma situação grave e, em geral, fatal, envolvendo bolhas na pele, na boca, no trato GI, nos olhos e na genitália, frequentemente acompanhadas de febre, poliartrite e insuficiência renal.

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