Rang e Dale: Farmacologia
Receptores purinérgicos
As purinas exercem seus efeitos biológicos por meio de três famílias de
receptores. A Tabela 17.1 (e o boxe pontos-chave na p. 229) lista os
receptores e resume o que é conhecido atualmente a respeito de seus
sistemas de sinalização, seus ligantes endógenos e antagonistas de interesse
farmacológico. No entanto, deve ser notado que a ação de fármacos e
ligantes nos receptores purinérgicos pode ser confusa. Tal fato ocorre, em
parte, porque os nucleotídios são rapidamente degradados por ectoenzimas,
mas também existe evidência de interconversão pela troca de fosfato.
Assim, o ATP pode produzir efeitos em todas as três subclasses de
receptores, dependendo da extensão de sua conversão enzimática a ADP,
AMP e adenosina.
As três principais famílias de receptores de purinas são:
• Receptores de adenosina (A 1, A2A, A2B e A3), anteriormente conhecidos
como receptores P1, antes de se descobrir que o agonista era a
adenosina. Estes são receptores acoplados à proteína G que atuam por
intermédio da adenilato ciclase/cAMP, ou por efeitos diretos nos canais
de Ca2+ e K+, como descrito no Capítulo 3
• Receptores metabotrópicos P2Y (P2Y 1-14), que são receptores acoplados
à proteína G que utilizam ativação pela fosfolipase C ou por cAMP
como seu sistema de sinalização (ver Capítulo 3); eles respondem a
diversos nucleotídios de adenina, geralmente preferindo ATP ao ADP
ou AMP. Alguns também reconhecem pirimidinas, como o UTP
• Receptores ionotrópicos P2X (P2X1-7), que são canais catiônicos
triméricos (em muitos casos heterotriméricos) controlados por ATP. Na
presença de ATP, os canais tornam-se permeáveis aos íons Ca2+ e Na+,