Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 506 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Mecanismos da morte neuronal

Figura 41.1), o que leva à morte dos neurônios. A tendência para adotar tais

conformações pode ser favorecida por mutações específicas da proteína em

questão ou por infecção por príons.2

As conformações com dobramentos proteicos errados podem ser

geradas espontaneamente em velocidade lenta por toda a vida, de forma que

os agregados acumulam-se gradualmente com a idade. No sistema nervoso,

os agregados frequentemente formam estruturas distintas, conhecidas, em

geral, como depósitos amiloides, que são visíveis ao microscópio e

característicos das doenças neurodegenerativas. Embora os mecanismos não

estejam esclarecidos, tais agregados – ou os precursores proteicos com

dobramentos proteicos errados – levam à morte neuronal. Os exemplos de

doenças neurodegenerativas causadas por esses dobramentos proteicos

anômalos e pelos agregados proteicos são mostrados na Tabela 41.1.

O cérebro apresenta certa variedade de mecanismos protetores que

limitam o acúmulo desses agregados proteicos. Os principais envolvem a

produção das proteínas “acompanhantes”, que se ligam às proteínas recém-

sintetizadas ou com dobramentos proteicos errados e as encorajam a dobrar-

se corretamente, e a reação de “ubiquitinação”, que prepara as proteínas

para destruição dentro da célula. O acúmulo de depósitos proteicos ocorre

quando esses mecanismos protetores são incapazes de evitá-los.

 

MECANISMOS DA MORTE NEURONAL

A lesão aguda das células faz com que elas sofram necrose, reconhecida

patologicamente por inchaço celular, vacuolização e lise, e associada à

sobrecarga de Ca2+ das células e lesão da membrana (p. 516). As células

necróticas tipicamente esvaziam seu conteúdo no tecido adjacente,

evocando a resposta inflamatória. A inflamação crônica é característica de quase todas as alterações neurodegenerativas (Schwab e McGeer, 2008) e

um possível alvo para a intervenção terapêutica.

As células também podem morrer por apoptose (morte celular

programada, ver Capítulo 6), um mecanismo mais lento que é essencial para

muitos processos durante a vida, incluindo desenvolvimento, regulação

imune e remodelação tecidual. A apoptose, bem como a necrose, ocorre

tanto em doenças neurodegenerativas agudas (como o AVE e o trauma

cranioencefálico) como em doenças crônicas (como DA e DP e Parkinson).

A distinção entre necrose e apoptose como processos que levam à

neurodegeneração não é absoluta, pois desafios como a excitoxicidade e o

estresse oxidativo podem ser suficientes para destruir as células diretamente

ou, se menos intensos, induzi-las a sofrer apoptose. Ambos os processos,

portanto, representam possíveis alvos para tratamento farmacológico

neuroprotetor putativo. A interferência farmacológica nas vias apoptóticas

pode tornar-se possível no futuro; contudo, no presente, a maioria dos

esforços está dirigida para os processos envolvidos na necrose celular e para

a compensação farmacológica da perda neuronal.

Figura 41.1 Erros no dobramento (misfolding) proteico: um processo envolvido em muitas doenças neurodegenerativas crônicas.

 

Tabela 41.1 Exemplos de doenças neurodegenerativas

associadas a dobramentos proteicos errados e

agregação.a

 

Doença Proteína Patologia característica Notas

As mutações Aβ ocorrem nas

β-amiloide (Aβ) Placas amiloides raras formas familiares da

doença de Alzheimer

Doença de Alzheimer

Implicados em outras

patologias (“tauopatias”),

Tau Agregados neuro brilares

bem como na doença de

Alzheimer

As mutações da α-sinucleína

Doença de Parkinson α-sinucleína Corpos de Lewy ocorrem em alguns tipos de

doença de Parkinson familiar

Transmitida pela infecção

Agregados insolúveis de com proteína príon em seu

Doença de Creutzfeldt-Jakob Proteína príon

proteínas priônicas estado dobrado erradamente

(misfolded)

Uma das várias alterações

Doença de Huntington Huntingtina Sem lesões macroscópicas genéticas da “repetição de

poliglutaminas”

Esclerose lateral amiotró ca Superóxido dismutase Perda de neurônios motores A superóxido dismutase

(uma forma de doença do mutada tende a formar

neurônio motor) agregados; a perda da

função enzimática aumenta

a suscetibilidade ao estresse

oxidativo