Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 707 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Vacinas e outros novos enfoques

remissão de doenças inflamatórias como a doença de Crohn, colite

ulcerosa e até mesmo esclerose múltipla (ver Capítulo 31; Summers et

al., 2005 a e b; Heylen et al., 2014; Benzel et al., 2012; Peon e Terrazas,

2016), embora sua efetividade em ensaios clínicos seja mista.

Com base no fato de as respostas Th2 poderem inibir, de forma

recíproca, o desenvolvimento de doenças induzidas por Th1, há também

a hipótese de que a ausência comparativa da doença de Crohn, bem

como de algumas outras doenças autoimunes, nos países em

desenvolvimento possa estar associada à elevada incidência de

infestações parasitárias, e o aumento da incidência dessas moléstias no

Ocidente estaria associado a uma assistência sanitária com melhor

qualidade e à reduzida incidência de infestação por helmintos! Esse tipo

de argumento costuma ser conhecido como “hipótese higiênica”. Pelo

lado negativo, no entanto, as infecções por helmintos podem subjugar a

eficácia da vacinação contra tuberculose e outros programas de

vacinação que dependem de uma resposta Th1 vigorosa (ver, por

exemplo, Elias et al., 2006 e Apiwattanakul et al., 2014).

 

VACINAS E OUTROS NOVOS ENFOQUES

Apesar da enormidade dos problemas clínicos (e econômicos) associados à

infecção helmíntica, existem novos fármacos anti-helmínticos em

desenvolvimento, possivelmente porque a semelhança entre os alvos dos

helmintos e dos mamíferos dificulta a obtenção de toxicidade seletiva.

Novos candidatos como a tribendimidina estão sendo avaliados em uma

série de infecções humanas e têm se mostrado promissores na infecção

hepática casual (Duthaler et al., 2016) e alguns fármacos veterinários novos

(p. ex., derquantel) também estão sendo testados em humanos (Prichard et al., 2012). A identificação de novas enzimas metabólicas parasitárias como

alvos pode ajudar na futura concepção de fármacos (Timson, 2016).

Medidas de saúde pública para eliminar infecções por helmintos

dependem da promoção de melhor saneamento e programas de

administração massiva de fármacos (p. ex., McCarty et al., 2014). O

desenvolvimento de vacinas anti-helmínticas eficazes seria um grande

passo no sentido deste desafio. O uso da proteína de superfície e de

antígenos glicoproteicos como imunogenes levou a algum sucesso no

âmbito das vacinas veterinárias (p. ex., Sciutto et al., 2013; Bassetto e

Amarante, 2015). O uso de ferramentas sofisticadas como genômica,

transcriptômica, proteômica, metabolômica, lipidômica (coletivamente

conhecidas como “OMICS”) para identificar novos agentes pode facilitar o

progresso (Loukas et al., 2011).

 

REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR

 

Artigos genéricos sobre helmintos e suas moléstias Boatin, B.A., Basanez, M.G., Prichard, R.K., et al., 2012. A research agenda for helminth diseases of

humans: towards control and elimination. PLoS Negl. Trop. Dis. 6, e1547. (Análise das

estratégias globais que seriam necessárias para se eliminarem as infecções helmínticas)

Horton, J., 2003. Human gastrointestinal helminth infections: are they now neglected diseases?

Trends Parasitol. 19, 527–531. (Revisão acessível sobre as infecções causadas por helmintos e

seus tratamentos)

Lustigman, S., Prichard, R.K., Gazzinelli, A., et al., 2012. A research agenda for helminth diseases of

humans: the problem of helminthiases. PLoS Negl. Trop. Dis. 6, e1582. (Outro artigo nessa série

que lida principalmente com a distribuição de doenças helmínticas em todo o mundo)

McCarty, T.R., Turkeltaub, J.A., Hotez, P.J., 2014. Global progress towards eliminating

gastrointestinal helminth infections. Curr. Opin. Gastroenterol. 30, 18–24.

 

Fármacos anti-helmínticos

Burkhart, C.N., 2000. Ivermectin: an assessment of its pharmacology, microbiology and safety. Vet.

Hum. Toxicol. 42, 30–35. (Artigo útil que enfoca a farmacologia da ivermectina) Croft, S.L., 1997. The current status of antiparasite chemotherapy. Parasitology 114, S3–S15. (Um

pouco antigo, mas fornece uma cobertura abrangente de muitos fármacos ainda em uso)

Geary, T.G., Sangster, N.C., Thompson, D.P., 1999. Frontiers in anthelmintic pharmacology. Vet.

Parasitol. 84, 275–295. (Registro cuidadoso das dificuldades associadas ao tratamento

farmacológico. Um pouco antigo, mas ainda relevante)

Greenberg, R.M., 2005. Are Ca2+ channels targets of praziquantel action? Int. J. Parasitol. 35, 1–9.

(Revisão interessante sobre a ação do praziquantel)

Prichard, R., Tait, A., 2001. The role of molecular biology in veterinary parasitology. Vet. Parasitol.

98, 169–194. (Excelente revisão da aplicação da biologia molecular para a compreensão do

problema da resistência aos fármacos e para o desenvolvimento de novos agentes anti-

helmínticos)

Prichard, R.K., Basanez, M.G., Boatin, B.A., et al., 2012. A research agenda for helminth diseases of

humans: intervention for control and elimination. PLoS Negl. Trop. Dis. 6, e1549. (Outro artigo

nesta série, fornecendo uma avaliação útil dos novos medicamentos anti-helmínticos)

Robertson, A.P., Bjorn, H.E., Martin, R.J., 2000. Pyrantel resistance alters nematode nicotinic

acetylcholine receptor single channel properties. Eur. J. Pharmacol. 394, 1–8. (Artigo de pesquisa

sobre as interações do praziquantel e do levamisol com o receptor nicotínico dos nematoides e o

mecanismo proposto para resistência ao fármaco)

Timson, D.J., 2016. Metabolic enzymes of helminth parasites: potential as drug targets. Curr. Protein

Pept. Sci. 17, 280–295. (Um artigo que descreve tentativas de identificar mais alvos para

fármacos seletivamente tóxicos. Descreve as vantagens e armadilhas das abordagens atuais)

 

Vacinas anti-helmínticas

Bassetto, C.C., Amarante, A.F., 2015. Vaccination of sheep and cattle against haemonchosis. J.

Helminthol. 89, 517–525. (Revisa o progresso e as limitações associadas à vacinação contra

nematoides gastrintestinais e a importância da escolha dos antígenos utilizados)

Harris, N.L., 2011. Advances in helminth immunology: optimism for future vaccine design? Trends

Parasitol. 27, 288–293. (Artigo de fácil leitura que revê os últimos avanços sobre a imunologia

da vacina helmíntica. Alguns bons diagramas)

Loukas, A., Gaze, S., Mulvenna, J.P., et al., 2011. Vaccinomics for the major blood feeding helminths

of humans. OMICS 15, 567–577. (Descreve como a genômica e a proteômica dos parasitos estão

auxiliando na procura de novos alvos para vacinação nos ancilóstomos e esquistossomos. Um

pouco técnico)

Sciutto, E., Fragoso, G., Hernandez, M., et al., 2013. Development of the S3Pvac vaccine against

porcine Taenia solium cysticercosis: a historical review. J. Parasitol. 99, 686–692. (Revisão de

uma vacina experimental bem-sucedida. Essencialmente com interesse devido à forma como a

vacina foi preparada usando uma mistura de peptídios. Um pouco técnico)

 

Evasão imune por helmintos e exploração terapêutica Apiwattanakul, N., Thomas, P.G., Iverson, A.R., McCullers, J.A., 2014. Chronic helminth infections

impair pneumococcal vaccine responses. Vaccine 32, 5405–5410. (O título é bastante explicativo)

Benzel, F., Erdur, H., Kohler, S., et al., 2012. Immune monitoring of Trichuris suis egg therapy in

multiple sclerosis patients. J. Helminthol. 86, 339–347. (Um resumo interessante de um pequeno

estudo com pacientes com EM que descreve como os ovos de tricuríase modularam o seu perfil

imunológico)

Duthaler, U., Sayasone, S., Vanobbergen, F., et al., 2016. Single-ascending-dose pharmacokinetic

study of tribendimidine in opisthorchis viverrini-infected patients. Antimicrob. Agents

Chemother. 60, 5705–5715. (Aborda o desenvolvimento de um novo fármaco para o tratamento

da opistorquíase, uma doença parasitária contraída por intermédio de peixe malcozido no

Sudeste Asiático. Tom principalmente farmacêutico)

Elias, D., Akuffo, H., Britton, S., 2006. Helminths could influence the outcome of vaccines against

TB in the tropics. Parasite Immunol. 28, 507–513. (Introdução de fácil leitura sobre esse

fenômeno para aqueles que querem aprofundar-se nesse tópico)

Harnett, W., 2014. Secretory products of helminth parasites as immunomodulators. Mol. Biochem.

Parasitol. 195, 130–136. (Resumo interessante sobre o isolamento e a identificação de produtos

imunomoduladores secretados por helmintos e como estes poderiam ser usados para tratar

doenças gastrintestinais)

Heylen, M., Ruyssers, N.E., Gielis, E.M., et al., 2014. Of worms, mice and man: an overview of

experimental and clinical helminth-based therapy for inflammatory bowel disease. Pharmacol.

Ther. 143, 153–167. (Boa consideração global de toda a área de “terapia de helmintos” e fácil

de seguir. Recomendado)

McNeilly, T.N., Nisbet, A.J., 2014. Immune modulation by helminth parasites of ruminants:

implications for vaccine development and host immune competence. Parasite 21, 51. (Os autores

destacam evidências que sugerem que as infecções helmínticas podem afetar a capacidade do

gado em controlar outras doenças, bem como interferir nas campanhas de vacinação)

Peon, A.N., Terrazas, L.I., 2016. Immune-regulatory mechanisms of classical and experimental

multiple sclerosis drugs: a special focus on helminth-derived treatments. Curr. Med. Chem. 23,

1152–1170. (Revisa a ação imunomoduladora de muitos tratamentos farmacológicos para a EM

e compara a ação dos imunomoduladores derivados dos helmintos. Inclui uma quantidade

substancial de informação sobre a imunologia da EM)

Summers, R.W., Elliott, D.E., Urban, J.F., Jr., Thompson, R., Weinstock, J.V., 2005a. Trichuris suis

therapy in Crohn’s disease. Gut 54, 87–90. (Este artigo e o seguinte, pelos mesmos autores,

descreve a ação da administração terapêutica de tricuríase em ensaios de pequena escala de

colite de Crohn e ulcerosa. Leitura interessante)

Summers, R.W., Elliott, D.E., Urban, J.F., Jr., Thompson, R.A., Weinstock, J.V., 2005b. Trichuris

suis therapy for active ulcerative colitis: a randomized controlled trial. Gastroenterology 128,

825–832.

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1 Agora, felizmente, eliminado de muitas regiões do mundo. Não existem tratamentos farmacológicos eficazes para a dracunculíase, mas o consumo de água limpa ou de água contaminada com a larva filtrada através de malhas de náilon ajudaram a reduzir a infecção global de 3,5 milhões para cinco casos em apenas 30 anos – a primeira doença parasitária globalmente erradicada.

2 Situação em que o médico procura aprovação de uma companhia farmacêutica para usar um de seus fármacos em determinado indivíduo. O fármaco ou é “novo” e mostrou resultados promissores nos testes clínicos, mas ainda não foi licenciado, ou se trata de um fármaco já estabelecido, mas que não foi licenciado ainda porque a companhia não solicitou licença para o produto (possivelmente por motivos comerciais).

3 A ivermectina é fornecida pelos produtores gratuitamente nos países em que a cegueira do rio é endêmica. Como os vermes se desenvolvem lentamente, uma única dose anual de ivermectina é suficiente para prevenir a doença.

4 Gene de multirresistência aos fármacos (MDR) (ver Capítulo 3) que codifica para um transportador que expele ivermectinas do SNC; é mutado para uma forma inativa em cães da raça Collie.

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