Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 13 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Receptores farmacológicos

• Canais iônicos.

 

Há também muitos fármacos que, além de se ligarem a seus alvos

primários, são conhecidos por se ligarem a proteínas do plasma e a outras

proteínas do tecido (ver Capítulo 9) e a uma variedade de proteínas

celulares, sem produzir efeitos fisiológicos evidentes. Entretanto, a

generalização de que a maioria dos fármacos age sobre um ou outro dos

quatro tipos de proteína previamente listados serve como um bom ponto de

partida.

Nos Capítulos 3 e 4 há uma discussão sobre os mecanismos pelos quais

tal ligação leva a respostas celulares.

 

RECEPTORES FARMACOLÓGICOS

 

O que queremos dizer com receptores?

▼ Conforme enfatizado no Capítulo 1, o conceito de receptores é

central para a farmacologia, e esse termo é empregado com mais

frequência para descrever as moléculas-alvo por meio das quais os

mediadores fisiológicos solúveis – hormônios, neurotransmissores,

mediadores inflamatórios etc. – produzem seus efeitos. Exemplos como

receptores para acetilcolina, receptores para citocinas, receptores para

esteroides e receptores para o hormônio do crescimento são abundantes

neste livro, e o termo receptor geralmente indica uma molécula de

reconhecimento para um mediador químico através do qual uma

resposta é traduzida.

Às vezes, o termo “receptor” é utilizado para indicar qualquer

molécula-alvo com que uma molécula de um fármaco (i. e., de um

composto estranho, e não de um mediador endógeno) tem de se

combinar para desencadear seu efeito específico. Por exemplo, às vezes,

o canal de sódio sensível à voltagem é mencionado como o “receptor”

para os anestésicos locais (ver Capítulo 44), e a enzima di-hidrofolato

redutase, como o “receptor” para o metotrexato (ver Capítulo 51).

Nesse contexto, é preferível usar a expressão alvo farmacológico, do

qual os receptores são um tipo.

No contexto mais geral da biologia celular, o termo receptor é

empregado para descrever várias moléculas encontradas na superfície

das células (como os receptores das células T, as integrinas, os

receptores Toll etc.; ver Capítulo 7) e envolvidas nas interações célula-

célula que são importantes na imunologia, no crescimento celular, na

migração e na diferenciação, algumas das quais se destacam como alvos

farmacológicos. Esses receptores diferem dos receptores farmacológicos

convencionais, uma vez que respondem a proteínas fixadas na

superfície das células ou em estruturas extracelulares, e não aos

mediadores solúveis.

Várias proteínas carregadoras são frequentemente referidas como

receptores. Esse é o caso, por exemplo, do receptor para lipoproteína de

baixa densidade, que desempenha um papel-chave no metabolismo dos

lipídios (ver Capítulo 24) e do receptor para a transferrina, envolvido

na absorção do ferro (ver Capítulo 26). Essas entidades têm pouco em

comum com os receptores farmacológicos. Embora bastante diferentes

dos receptores farmacológicos, essas proteínas desempenham

importante papel na ação de fármacos como as estatinas (ver Capítulo

24).

Alvos para a ação dos fármacos

 

Um fármaco é uma substância química que, quando aplicada a um sistema siológico,

•

afeta seu funcionamento de modo especí co

• Com algumas exceções, os fármacos agem sobre as proteínas-alvo, a saber:

– Receptores

– Enzimas

– Carregadores

– Canais iônicos

• O termo receptor é empregado de diferentes modos. Em farmacologia, descreve as

moléculas proteicas cuja função é reconhecer os sinais químicos endógenos e responder a

eles. Outras macromoléculas com que os fármacos interagem para produzir seus efeitos

são conhecidas como alvos farmacológicos

• A especi cidade é recíproca: classes individuais de fármacos ligam-se apenas a certos

alvos, e alvos individuais só reconhecem determinadas classes de fármacos

• Nenhum fármaco é completamente especí co em sua ação. Em muitos casos, ao

aumentar a dose de um fármaco, a substância pode afetar outros alvos além de seu alvo

principal, e esse fato pode levar ao aparecimento de efeitos colaterais.

 

Receptores em sistemas fisiológicos

Os receptores constituem um componente-chave do sistema de

comunicação química que todos os organismos multicelulares utilizam para

coordenar as atividades de suas células e órgãos. Sem eles, seríamos

incapazes de funcionar.

Algumas propriedades fundamentais dos receptores são ilustradas pela

ação da epinefrina sobre o coração. A liga-se inicialmente a uma proteína