Rang e Dale: Farmacologia
Receptores farmacológicos
• Canais iônicos.
Há também muitos fármacos que, além de se ligarem a seus alvos
primários, são conhecidos por se ligarem a proteínas do plasma e a outras
proteínas do tecido (ver Capítulo 9) e a uma variedade de proteínas
celulares, sem produzir efeitos fisiológicos evidentes. Entretanto, a
generalização de que a maioria dos fármacos age sobre um ou outro dos
quatro tipos de proteína previamente listados serve como um bom ponto de
partida.
Nos Capítulos 3 e 4 há uma discussão sobre os mecanismos pelos quais
tal ligação leva a respostas celulares.
RECEPTORES FARMACOLÓGICOS
O que queremos dizer com receptores?
▼ Conforme enfatizado no Capítulo 1, o conceito de receptores é
central para a farmacologia, e esse termo é empregado com mais
frequência para descrever as moléculas-alvo por meio das quais os
mediadores fisiológicos solúveis – hormônios, neurotransmissores,
mediadores inflamatórios etc. – produzem seus efeitos. Exemplos como
receptores para acetilcolina, receptores para citocinas, receptores para
esteroides e receptores para o hormônio do crescimento são abundantes
neste livro, e o termo receptor geralmente indica uma molécula de
reconhecimento para um mediador químico através do qual uma
resposta é traduzida.
Às vezes, o termo “receptor” é utilizado para indicar qualquer
molécula-alvo com que uma molécula de um fármaco (i. e., de um
composto estranho, e não de um mediador endógeno) tem de se
combinar para desencadear seu efeito específico. Por exemplo, às vezes,
o canal de sódio sensível à voltagem é mencionado como o “receptor”
para os anestésicos locais (ver Capítulo 44), e a enzima di-hidrofolato
redutase, como o “receptor” para o metotrexato (ver Capítulo 51).
Nesse contexto, é preferível usar a expressão alvo farmacológico, do
qual os receptores são um tipo.
No contexto mais geral da biologia celular, o termo receptor é
empregado para descrever várias moléculas encontradas na superfície
das células (como os receptores das células T, as integrinas, os
receptores Toll etc.; ver Capítulo 7) e envolvidas nas interações célula-
célula que são importantes na imunologia, no crescimento celular, na
migração e na diferenciação, algumas das quais se destacam como alvos
farmacológicos. Esses receptores diferem dos receptores farmacológicos
convencionais, uma vez que respondem a proteínas fixadas na
superfície das células ou em estruturas extracelulares, e não aos
mediadores solúveis.
Várias proteínas carregadoras são frequentemente referidas como
receptores. Esse é o caso, por exemplo, do receptor para lipoproteína de
baixa densidade, que desempenha um papel-chave no metabolismo dos
lipídios (ver Capítulo 24) e do receptor para a transferrina, envolvido
na absorção do ferro (ver Capítulo 26). Essas entidades têm pouco em
comum com os receptores farmacológicos. Embora bastante diferentes
dos receptores farmacológicos, essas proteínas desempenham
importante papel na ação de fármacos como as estatinas (ver Capítulo
24).
Alvos para a ação dos fármacos
Um fármaco é uma substância química que, quando aplicada a um sistema siológico,
•
afeta seu funcionamento de modo especí co
• Com algumas exceções, os fármacos agem sobre as proteínas-alvo, a saber:
– Receptores
– Enzimas
– Carregadores
– Canais iônicos
• O termo receptor é empregado de diferentes modos. Em farmacologia, descreve as
moléculas proteicas cuja função é reconhecer os sinais químicos endógenos e responder a
eles. Outras macromoléculas com que os fármacos interagem para produzir seus efeitos
são conhecidas como alvos farmacológicos
• A especi cidade é recíproca: classes individuais de fármacos ligam-se apenas a certos
alvos, e alvos individuais só reconhecem determinadas classes de fármacos
• Nenhum fármaco é completamente especí co em sua ação. Em muitos casos, ao
aumentar a dose de um fármaco, a substância pode afetar outros alvos além de seu alvo
principal, e esse fato pode levar ao aparecimento de efeitos colaterais.
Receptores em sistemas fisiológicos
Os receptores constituem um componente-chave do sistema de
comunicação química que todos os organismos multicelulares utilizam para
coordenar as atividades de suas células e órgãos. Sem eles, seríamos
incapazes de funcionar.
Algumas propriedades fundamentais dos receptores são ilustradas pela
ação da epinefrina sobre o coração. A liga-se inicialmente a uma proteína