Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 522 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Mecanismo de ação dos fármacos anestésicos

1846, uma grande audiência reuniu-se na principal sala de operações;1

depois de alguma confusão preliminar, a demonstração de Morton foi

um sucesso espetacular. “Cavalheiros, isso não é uma fraude” foi o

comentário mais gracioso que Warren conseguiu fazer para a audiência

reunida.

No mesmo ano, James Simpson, professor de Obstetrícia na Edinburgh

University, usou clorofórmio para aliviar a dor do parto, atraindo para si

denúncias ferozes do clero; um deles escreveu: “O clorofórmio é uma

isca de Satã, oferecendo-se, aparentemente, para abençoar as mulheres;

porém, no final, ele vai endurecer a sociedade e roubar de Deus os

profundos e sinceros gritos de ajuda, que surgem nos momentos

problemáticos.” A oposição foi efetivamente silenciada em 1853,

quando a Rainha Vitória deu à luz sua sétima criança sob a influência do

clorofórmio, e o procedimento se tornou conhecido como anaesthésie à

la reine.

Na segunda metade do século XX, ocorreu a introdução na prática clínica

de uma série de novos agentes anestésicos gerais, mais notavelmente o

isoflurano e o propofol, que eram acentuadamente superiores aos agentes

iniciais como o óxido nitroso e o tiopental. Apesar da necessidade de mais

melhoras, a linha esgotou no século XXI, sendo apenas introduzido o

fospropofol.

 

MECANISMO DE AÇÃO DOS FÁRMACOS ANESTÉSICOS

Ao contrário da maioria dos fármacos, os anestésicos, que incluem

substâncias tão diversas quanto gases simples (p. ex., óxido nitroso e

xenônio), hidrocarbonetos halogenados (p. ex., isoflurano), barbitúricos (p.

ex., tiopental) e esteroides (p. ex., alfaxalona), não pertencem a uma classe

química reconhecível. Inicialmente, parecia que a forma e a configuração eletrônica das moléculas eram relativamente desimportantes, e a ação