Rang e Dale: Farmacologia
Mecanismo de ação dos fármacos anestésicos
1846, uma grande audiência reuniu-se na principal sala de operações;1
depois de alguma confusão preliminar, a demonstração de Morton foi
um sucesso espetacular. “Cavalheiros, isso não é uma fraude” foi o
comentário mais gracioso que Warren conseguiu fazer para a audiência
reunida.
No mesmo ano, James Simpson, professor de Obstetrícia na Edinburgh
University, usou clorofórmio para aliviar a dor do parto, atraindo para si
denúncias ferozes do clero; um deles escreveu: “O clorofórmio é uma
isca de Satã, oferecendo-se, aparentemente, para abençoar as mulheres;
porém, no final, ele vai endurecer a sociedade e roubar de Deus os
profundos e sinceros gritos de ajuda, que surgem nos momentos
problemáticos.” A oposição foi efetivamente silenciada em 1853,
quando a Rainha Vitória deu à luz sua sétima criança sob a influência do
clorofórmio, e o procedimento se tornou conhecido como anaesthésie à
la reine.
Na segunda metade do século XX, ocorreu a introdução na prática clínica
de uma série de novos agentes anestésicos gerais, mais notavelmente o
isoflurano e o propofol, que eram acentuadamente superiores aos agentes
iniciais como o óxido nitroso e o tiopental. Apesar da necessidade de mais
melhoras, a linha esgotou no século XXI, sendo apenas introduzido o
fospropofol.
MECANISMO DE AÇÃO DOS FÁRMACOS ANESTÉSICOS
Ao contrário da maioria dos fármacos, os anestésicos, que incluem
substâncias tão diversas quanto gases simples (p. ex., óxido nitroso e
xenônio), hidrocarbonetos halogenados (p. ex., isoflurano), barbitúricos (p.
ex., tiopental) e esteroides (p. ex., alfaxalona), não pertencem a uma classe
química reconhecível. Inicialmente, parecia que a forma e a configuração eletrônica das moléculas eram relativamente desimportantes, e a ação