Rang e Dale: Farmacologia
Biofármacos antivirais
antirretrovirais mais convencionais. Esse fármaco representa um novo
conceito da terapia do HIV (Dhami et al., 2009) e é o único fármaco de seu
tipo disponível no momento. Atualmente, sua utilização, em combinação
com outros fármacos antirretrovirais, está restrita às infecções por HIV com
tropismo para o CCR5 em pacientes previamente tratados com outros
antirretrovirais.
BIOFÁRMACOS ANTIVIRAIS
Os biofármacos que vêm sendo usados na luta contra as infecções virais
incluem as preparações com imunoglobulina, IFN e anticorpos
monoclonais.
■ Imunoglobulinas
As imunoglobulinas contêm anticorpos contra vários vírus presentes na
população. Os anticorpos são direcionados contra o envelope viral e podem
“neutralizar” alguns vírus, evitando sua ligação com as células do
hospedeiro. Se usadas no início dos sinais e sintomas, podem atenuar ou
evitar sarampo, hepatite infecciosa, rubéola, raiva ou poliomielite. A
globulina hiperimune, específica sobre alguns vírus, é usada nos casos de
hepatite B, varicela-zóster e raiva.
■ Palivizumabe
Relacionado em termos de seu mecanismo de ação com as
imunoglobulinas, o palivizumabe, anticorpo monoclonal (ver Capítulo 5),
está direcionado contra uma glicoproteína na superfície do vírus sincicial
respiratório. É administrado na forma de injeção intramuscular, sob a
supervisão de um especialista, em crianças que apresentam alto risco, a fim
de prevenir a infecção por esse organismo.
■ Interferonas
As interferonas são uma família de proteínas indutíveis sintetizadas pelas
células dos mamíferos e já comercialmente produzidas por meio da adoção
da tecnologia do DNA recombinante. Há pelo menos três tipos – α, β e γ –,
constituindo uma família de hormônios envolvidos no crescimento e na
regulação celular, com modulação das respostas imunológicas. A IFN-γ,
denominada interferona imunológica, é produzida principalmente pelos
linfócitos T, como parte da resposta imunológica contra antígenos virais e
não virais, esses últimos incluindo as bactérias e seus metabólitos,
Rickettsia, protozoários, polissacarídios fúngicos e uma variedade de
substâncias químicas poliméricas, além de outras citocinas. As IFN-α e
IFN-β são produzidas pelos linfócitos B e T, pelos macrófagos e pelos
fibroblastos em resposta à presença de vírus e de citocinas. As ações gerais
das IFN estão descritas, de forma sucinta, nos Capítulos 7 e 19.
As IFN ligam-se a receptores gangliosídicos específicos nas membranas
celulares do hospedeiro. Induzem, nos ribossomos das células do
hospedeiro, a produção de enzimas que inibem a translação do mRNA nas
proteínas virais, interrompendo, assim, a replicação viral. Têm amplo
espectro de ação e inibem a replicação da maior parte dos vírus in vitro.
Administradas na forma intravenosa, as IFN têm meia-vida de 2 a 4 horas.
Não cruzam a barreia hematencefálica.
A alfainterferona 2a é empregada no tratamento das infecções por
hepatite B e nos sarcomas de Kaposi relacionados com a AIDS; a
alfainterferona 2b é usada na hepatite C (uma infecção viral crônica que
pode progredir insidiosamente em pessoas aparentemente saudáveis,
levando a doença hepática em fase terminal ou câncer hepático). Há relatos
de que as IFN podem evitar a reativação dos herpes-vírus simples após a
secção da raiz do trigêmeo em animais e também a disseminação do herpes-zóster em pacientes portadores de câncer. As preparações de IFN