Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 682 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Biofármacos antivirais

antirretrovirais mais convencionais. Esse fármaco representa um novo

conceito da terapia do HIV (Dhami et al., 2009) e é o único fármaco de seu

tipo disponível no momento. Atualmente, sua utilização, em combinação

com outros fármacos antirretrovirais, está restrita às infecções por HIV com

tropismo para o CCR5 em pacientes previamente tratados com outros

antirretrovirais.

 

BIOFÁRMACOS ANTIVIRAIS

Os biofármacos que vêm sendo usados na luta contra as infecções virais

incluem as preparações com imunoglobulina, IFN e anticorpos

monoclonais.

 

■ Imunoglobulinas

As imunoglobulinas contêm anticorpos contra vários vírus presentes na

população. Os anticorpos são direcionados contra o envelope viral e podem

“neutralizar” alguns vírus, evitando sua ligação com as células do

hospedeiro. Se usadas no início dos sinais e sintomas, podem atenuar ou

evitar sarampo, hepatite infecciosa, rubéola, raiva ou poliomielite. A

globulina hiperimune, específica sobre alguns vírus, é usada nos casos de

hepatite B, varicela-zóster e raiva.

 

■ Palivizumabe

Relacionado em termos de seu mecanismo de ação com as

imunoglobulinas, o palivizumabe, anticorpo monoclonal (ver Capítulo 5),

está direcionado contra uma glicoproteína na superfície do vírus sincicial

respiratório. É administrado na forma de injeção intramuscular, sob a

supervisão de um especialista, em crianças que apresentam alto risco, a fim

de prevenir a infecção por esse organismo.

■ Interferonas

As interferonas são uma família de proteínas indutíveis sintetizadas pelas

células dos mamíferos e já comercialmente produzidas por meio da adoção

da tecnologia do DNA recombinante. Há pelo menos três tipos – α, β e γ –,

constituindo uma família de hormônios envolvidos no crescimento e na

regulação celular, com modulação das respostas imunológicas. A IFN-γ,

denominada interferona imunológica, é produzida principalmente pelos

linfócitos T, como parte da resposta imunológica contra antígenos virais e

não virais, esses últimos incluindo as bactérias e seus metabólitos,

Rickettsia, protozoários, polissacarídios fúngicos e uma variedade de

substâncias químicas poliméricas, além de outras citocinas. As IFN-α e

IFN-β são produzidas pelos linfócitos B e T, pelos macrófagos e pelos

fibroblastos em resposta à presença de vírus e de citocinas. As ações gerais

das IFN estão descritas, de forma sucinta, nos Capítulos 7 e 19.

As IFN ligam-se a receptores gangliosídicos específicos nas membranas

celulares do hospedeiro. Induzem, nos ribossomos das células do

hospedeiro, a produção de enzimas que inibem a translação do mRNA nas

proteínas virais, interrompendo, assim, a replicação viral. Têm amplo

espectro de ação e inibem a replicação da maior parte dos vírus in vitro.

Administradas na forma intravenosa, as IFN têm meia-vida de 2 a 4 horas.

Não cruzam a barreia hematencefálica.

A alfainterferona 2a é empregada no tratamento das infecções por

hepatite B e nos sarcomas de Kaposi relacionados com a AIDS; a

alfainterferona 2b é usada na hepatite C (uma infecção viral crônica que

pode progredir insidiosamente em pessoas aparentemente saudáveis,

levando a doença hepática em fase terminal ou câncer hepático). Há relatos

de que as IFN podem evitar a reativação dos herpes-vírus simples após a

secção da raiz do trigêmeo em animais e também a disseminação do herpes-zóster em pacientes portadores de câncer. As preparações de IFN