Rang e Dale: Farmacologia
Gonadotrofinas e análogos
Efeitos adversos dos análogos de GnRH
Os efeitos adversos de agonistas de GnRH em mulheres, como rubor,
ressecamento vaginal e perda óssea, resultam do hipoestrogenismo. O
estímulo inicial da secreção de gonadotrofina no princípio do tratamento
pode causar a piora transitória da dor de mestátases ósseas nos homens com
câncer de próstata; por isso, o tratamento é iniciado somente após o
paciente ter recebido um antagonista de receptor de andrógeno, tal como a
flutamida (ver Capítulo 57).
Danazol
■ Ações e farmacocinética
O danazol inibe a secreção de gonadotrofina (em especial, no ápice da
metade do ciclo) e, consequentemente, reduz a síntese de estrógeno no
ovário (ver Figura 36.5). Nos homens, ele diminui a síntese de andrógeno e
a espermatogênese, além de ter atividade androgênica, ser ativo por via oral
e metabolizado pelo fígado.
O danazol é usado em condições dependentes de hormônio, as quais
incluem endometriose, displasia mamária (nódulos mamários benignos) e
ginecomastia. Um uso específico adicional é para reduzir as crises de
edema no angioedema hereditário (ver Capítulo 29).
Os efeitos adversos são comuns e incluem alterações GI, ganho de peso,
retenção de líquido, vertigem, sintomas da menopausa, câimbras
musculares e dores de cabeça. O danazol é virilizante em mulheres.
GONADOTROFINAS E ANÁLOGOS
As gonadotrofinas (FSH, LH e hCG) são glicoproteínas produzidas e
secretadas pela adeno-hipófise (FSH e LH) (ver Capítulo 34) ou pelo córion e pela placenta (hCG). Grandes quantidades de gonadotrofinas estão
presentes na urina da mulher após a menopausa, na qual o estrógeno não
exerce mais inibição da retroalimentação na hipófise, que,
consequentemente, passa a secretar grandes quantidades de FSH e LH.4
Preparações
As gonadotrofinas são extraídas da urina de mulheres grávidas (hCG) ou
após a menopausa (gonadotrofinas da menopausa humana, que contêm
mistura de FSH e LH). O FSH recombinante (folitropina) e o LH
(lutropina) também estão disponíveis.
Farmacocinética e uso clínico
Preparações de gonadotrofinas são administradas por injeção. Elas são
usadas para tratar a infertilidade causada pela perda da ovulação como
resultado do hipopituitarismo, ou após a falha do tratamento com
clomifeno; também são usadas por especialistas para induzir a ovulação e
possibilitar sua coleta para fertilização in vitro. Para esse uso, a
gonadotrofina é geralmente administrada após a secreção endógena de FSH
e LH ter sido suprimida. As gonadotrofinas, às vezes, são empregadas em
homens com infertilidade causada por baixa contagem de espermatozoides,
como resultado do hipogonadismo hipogonadotrófico (alteração às vezes
acompanhada de anosmia permanente, isto é, perda do olfato). É claro que
gonadotrofinas não funcionam em pacientes cuja contagem baixa de
espermatozoides seja resultado de falência testicular primária. A hCG tem
sido usada para estimular a síntese de testosterona em meninos com
puberdade retardada, mas, geralmente, prefere-se a testosterona.