Rang e Dale: Farmacologia
Considerações finais
Mesmo com a descrição, ainda que superficial, apresentada aqui e no
Capítulo 7, deve ser evidente para o leitor que a resposta de defesa do
hospedeiro está entre as mais complicadas de todas as respostas
fisiológicas. Talvez isso não seja surpreendente, dada a importância central
da sua missão para a sobrevivência do organismo. Pela mesma razão,
também é compreensível que tantos e vários mediadores orquestrem essa
operação. Que a atividade de vários desses mediadores possa ser
aparentemente bloqueada em observações experimentais e gerar pouco ou
nenhum efeito sobre o início ou o resultado da inflamação, apontando para
a redundância de muitos dos sistemas componentes e explicando, pelo
menos até certo ponto, porque, até o advento das terapias baseadas em
anticorpos (ver Capítulo 27), a nossa capacidade para conter os piores
danos causados pela doença inflamatória crônica era muito limitada.
REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR
Chung, K.F., 2005. Drugs to suppress cough. Expert. Opin. Invest. Drugs 14, 19–27. (Revisão útil
dos tratamentos da tosse, com uma seção sobre o papel dos antagonistas dos receptores de
neurocinina e bradicinina)
Dinarello, C.A., Simon, A., van der Meer, J.W., 2012. Treating inflammation by blocking interleukin-
1 in a broad spectrum of diseases. Nat. Rev. Drug Discov. 11, 633–652. (Estudo extremamente
extenso sobre o papel de IL-1 na doença e os benefícios terapêuticos que podem advir do
bloqueio da sua ação. Escrito por pioneiros desta área. Bons diagramas)
Gerard, C., Rollins, B., 2001. Chemokines and disease. Nat. Immunol. 2, 108–115. (Discute as
doenças associadas à ativação inapropriada da rede de quimiocinas e algumas implicações
terapêuticas; descreve como os vírus resistem às respostas imunológicas mimetizando as
quimiocinas ou seus receptores)
Horuk, R., 2001. Chemokine receptors. Cytokine Growth Factor Rev. 12, 313–335. (Revisão
abrangente que analisa observações recentes de pesquisas sobre os receptores de quimiocinas;
descreve as propriedades moleculares, fisiológicas e bioquímicas de cada receptor de
quimiocina)
IUPHAR/BPS. Guide to Pharmacology. www.guidetopharmacology.org/. (Guia dos alvos
farmacológicos e das substâncias que atuam em cada um deles)
Jaffer, U., Wade, R.G., Gourlay, T., 2010. Cytokines in the systemic inflammatory response
syndrome: a review. HSR Proc. Intensive Care Cardiovasc. Anesth. 2, 161–175. (Resenha de fácil
leitura sobre o papel das citocinas no SIRS, incluindo uma boa revisão sobre a biologia das
citocinas. Alguns bons diagramas)
Luster, A.D., 1998. Mechanisms of disease: chemokines – chemotactic cytokines that mediate
inflammation. N. Engl. J. Med. 338, 436–445. (Excelente revisão; diagramas excepcionais)
Mackay, C.R., 2001. Chemokines: immunology’s high impact factors. Nat. Immunol. 2, 95–101.
(Apresentação clara e elegante do papel das quimiocinas na interação das células endoteliais
com os leucócitos, do controle das respostas imunológicas primárias e da interação das células T
e B, das células T nas doenças inflamatórias e da subversão viral das respostas imunológicas)
Maggi, C.A., 1996. Pharmacology of the efferent function of primary sensory neurones. In: Geppetti,
P., Holzer, P. (Eds.), Neurogenic Inflammation. CRC Press, London. (Trabalho valioso. Discute a
inflamação neurogênica, a liberação de neuropeptídios pelos nervos sensitivos e os mediadores
da inflamação. Discute os agentes que inibem a liberação e a modulação farmacológica da
liberação mediada por receptores)
Murphy, P.M., 2001. Viral exploitation and subversion of the immune system through chemokine
mimicry. Nat. Immunol. 2, 116–122. (Excelente descrição da interação do sistema imunológico
com os vírus)
Patel, H.B., Montero-Melendez, T., Greco, K.V., Perretti, M., 2011. Melanocortin receptors as novel
effectors of macrophage responses in inflammation. Front. Immunol. 2, 41–46. (Estudo sucinto e
de fácil leitura sobre o papel das melanocortinas na resolução inflamatória, com ênfase no papel
do receptor MC3. Diagramas úteis)
Pease, J.E., Williams, T.J., 2006. The attraction of chemokines as a target for specific anti-
inflammatory therapy. Br. J. Pharmacol. 147 (Suppl. 1), S212–S221. (Revisão muito boa sobre a
história da pesquisa sobre quimiocinas, com especial ênfase na sua ação potencial como alvo
para fármacos)
Perretti, M., D’Acquisto, F., 2009. Annexin A1 and glucocorticoids as effectors of the resolution of
inflammation. Nat. Rev. Immunol. 9, 62–70. (Explora a função da proteína regulada por
glicocorticoides anexina 1 no controle da resolução da inflamação. Fácil leitura e bons
diagramas)
Pisi, G., Olivieri, D., Chetta, A., 2009. The airway neurogenic inflammation: clinical and
pharmacological implications. Inflamm. Allergy Drug Targets 8, 176–181.
Rodi, D., Couture, R., Ongali, B., et al., 2005. Targeting kinin receptors for the treatment of
neurological diseases. Curr. Pharm. Des. 11, 1313–1326. (Uma visão geral da função potencial
dos antagonistas dos receptores de cininas nas doenças neurológicas, abordando
particularmente aqueles com origem imunológica)
Schulze, U., Baedeker, M., Chen, Y.T., Greber, D., 2014. R&D productivity: on the comeback trail.
Nat. Rev. Drug Discov. 13, 331–332. (Visão geral interessante do declínio de novos fármacos de
pequenas moléculas no mercado em comparação com os bioterapêuticos. Compara a custo-
efetividade histórica do processo de descoberta de medicamentos)
Schulze-Topphoff, U., Prat, A., 2008. Roles of the kallikrein/kinin system in the adaptive immune
system. Int. Immunopharmacol. 8, 155–160. (Visão geral atualizada desses mediadores,
particularmente no que diz respeito ao seu envolvimento na resposta adaptativa)
Livros
Murphy, K.M., Travers, P., Walport, M., 2011. Janeway’s Immunobiology, eighth ed. Taylor &
Francis, London. (Um livro clássico, agora completamente atualizado e disponível também como
e-book. Excelentes diagramas)
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1 As bactérias são pobres em modificações pós-traducionais; portanto, mais da metade de todos os fármacos proteicos (biofármacos) é gerada usando culturas de células de mamíferos.
2 No caso do invertebrado Aplysia, um precursor proteico contém não menos que 28 cópias do mesmo peptídio curto.
3 Quando essas grandes sequências de funções desconhecidas foram descobertas no nosso DNA, elas foram denominadas “DNA lixo”, não porque eram lixo, mas arrogantemente porque não as entendíamos. O fato é que o “DNA lixo” é realmente muito importante no controle da função celular e nas doenças etc. Do mesmo modo, com a função desconhecida do “peptídio lixo”, assista ao desenvolvimento para descobrir seu verdadeiro papel.
4 Trata-se de uma condição séria e dolorosa, na qual as enzimas proteolíticas são liberadas a partir das células pancreáticas danificadas, inciando cascatas que liberam, entre outras substâncias, bradicinina.
5 É provável que o leitor esperasse que a evolução pudesse ter gerado mais exemplos de antagonistas endógenos de receptores como reguladores fisiológicos, mas, com exceção de IL-1ra, eles são usados apenas como toxinas direcionadas contra outras espécies.
6 MCP, proteína quimiotáxica de monócitos (monocyte chemoattractant protein); RANTES, regulado na ativação, expresso e secretado pela célula T normal (regulated on activation normal T cell expressed and secreted). (Não nos culpe!)
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