Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 481 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Considerações finais

reflexa excessiva e violentos espasmos musculares (contratura da

mandíbula).11

A glicina é removida do espaço extracelular por dois transportadores,

GlyT1 e GlyT2 (Eulenburg et al., 2005). GlyT1 está primariamente

localizado nos astrócitos e é expresso pela maior parte das regiões no SNC.

Por outro lado, GlyT2 é expresso nos neurônios glicinérgicos na medula

espinal, córtex cerebral e cerebelo. O inibidor de GliT1 bitopertina

fracassou na fase III de ensaios clínicos para o tratamento de sintomas

negativos da esquizofrenia (ver Capítulo 47). Pensava-se que os inibidores

GlyT2 tivessem potencial como analgésicos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo dos aminoácidos e seus receptores no cérebro foi um dos campos

mais ativos de pesquisa nos últimos 30 anos, e a quantidade de informação

disponível é prodigiosa. Esses sistemas de sinalização foram implicados de

maneira especulativa em quase todos os tipos de alterações neurológicas e

psiquiátricas, e a indústria farmacêutica despendeu grande esforço para

identificar ligantes específicos – agonistas, antagonistas, moduladores,

inibidores enzimáticos, inibidores de transporte – desenhados para

influenciá-los. Embora tenha surgido uma ampla série de compostos

farmacologicamente irrepreensíveis e muitos ensaios clínicos tenham sido

realizados, graças à falta de eficácia e a efeitos adversos graves houve

muito poucos avanços terapêuticos. A visão otimista é que a melhor

compreensão das funções particulares de muitos dos subtipos moleculares

desses alvos, e o desenho de ligantes mais específicos para os subtipos

levará a avanços futuros. As expectativas, entretanto, certamente

diminuíram nos últimos anos.

Aminoácidos inibitórios | GABA e glicina

 

• O GABA é o principal transmissor inibitório no cérebro

• Ele está presente uniformemente por todo o cérebro; há muito pouco dele nos tecidos

periféricos

• O GABA é formado a partir do glutamato pela ação da descarboxilase do ácido glutâmico.

Sua ação é nalizada principalmente por captura, porém também por desaminação,

catalisada pela GABA-transaminase

• Há dois tipos principais de receptores GABA: GABA A e GABAB

• Os receptores GABAA, que ocorrem sobretudo pós-sinapticamente, estão diretamente

acoplados a canais de cloreto, cuja abertura reduz a excitabilidade da membrana

• O muscimol é agonista GABAA especí co, e o convulsivante bicuculina é antagonista

• Outros fármacos que interagem com os receptores GABAA e com seus canais incluem:

– Tranquilizantes benzodiazepínicos, que agem em um ponto de ligação alostérico para

facilitar a ação do GABA

– Convulsivantes, como a picrotoxina, que bloqueiam o canal aniônico

– Neuroesteroides, incluindo os metabólitos endógenos da progesterona

– Depressores do SNC, tais como barbituratos e muitos agentes anestésicos gerais, que

facilitam a ação do GABA

• Os receptores GABAB são receptores heterodiméricos acoplados à proteína G. Eles causam

inibição pré e pós-sináptica, inibindo a abertura do canal de cálcio e aumentando a

condutância do K +. O baclofeno é agonista GABA usado para tratar a espasticidade. Os

B

antagonistas GABAB não são usados clinicamente

• A glicina é um transmissor inibitório, principalmente na medula espinal, agindo em seu

próprio receptor, estrutural e funcionalmente similar ao receptor GABA A

• O fármaco convulsivante estricnina é antagonista competitivo da glicina. A toxina

tetânica age principalmente interferindo na liberação de glicina.

 

REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR

Aminoácidos excitatórios

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Aspectos fisiológicos

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____________

1 O perampanel, um antagonista não competitivo do receptor AMPA, foi

aprovado para o tratamento da epilepsia (ver Capítulo 46). A memantina,

um antagonista do NMDA, licenciada para o tratamento da doença de

Alzheimer de moderada a grave (ver Capítulo 41), tem sido usada há algum

tempo, assim como o anestésico dissociativo cetamina, bloqueador do

canal de NMDA (ver Capítulo 42).

2 No passado, os receptores AMPA e de cainato eram frequentemente

agrupados juntos, como receptores AMPA/cainato ou não NMDA; porém

cada um contém composições distintas de subunidades e não devem ser

agrupados juntos.

3 Um comitê internacional foi criado para colocar ordem nesse campo; no

entanto, apesar da lógica de suas recomendações, a maneira como serão

aceitas ainda deve ser observada (ver Collingridge et al., 2009 e

<www.guidetopharmacology.org>). Os cientistas podem ficar muito

estagnados em suas próprias maneiras.

4 No SNC, os canais iônicos pré-sinápticos dependentes de ligantes, como

os receptores cainato e NMDA, assim como o receptor nicotínico e P2X

(ver Capítulo 40), controlam a liberação de neurotransmissor. Uma

explicação sobre como esse controle pode tanto facilitar quanto inibir é

oferecida por Khahk e Henderson (2000).

5 Surpreendentemente, por ser o enantiômero “errado” para os aminoácidos

dos organismos superiores. Apesar disso, os vertebrados contêm enzimas

específicas e transportadores para esse D-aminoácido, que é abundante no

cérebro.

6 Propôs-se que os receptores mGlu possam formar heterodímeros com os

receptores não mGlu, tais como o receptor 5-HT (González-Maeso et al., 2A

2008).

7 A síndrome do X frágil é causada pela mutação de um único gene no

cromossomo X. Afeta cerca de 1:4.000 crianças de ambos os sexos e

provoca retardamento mental, autismo e perturbações motoras.

8 Foi sugerido que o GABA poderia também ser sintetizado no cérebro a

partir da putrescina pela ação da diamina oxidase e da aldeído

desidrogenase.

9 O comitê de nomenclatura da IUPHAR recomendou (Olsen e Sieghart,

2008) que os receptores anteriormente referidos como receptores

“GABAC”, porque são insensíveis à bicuculina, aos benzodiazepínicos e ao

baclofeno, deveriam ser subtipos da família dos receptores GABAA, uma vez que são canais pentaméricos Cl– – canais permeáveis ligados por

ligantes e que englobam conjuntos de subunidades e homoméricas e

heteroméricas. São referidos como receptores GABA-rho e GABA--. A sua importância funcional vem sendo gradualmente estudada (Naffaa et al.,

2017).

10 Durante o desenvolvimento inicial do cérebro (no qual o GABA

desempenha um papel importante) e também em algumas regiões do

cérebro adulto, o GABA tem um efeito excitatório em vez de inibidor,

porque a concentração intracelular de Cl– está relativamente elevada, de

forma que o potencial de equilíbrio é positivo em relação ao potencial de

membrana.

11 A toxina botulínica (também conhecida como botox) e, a seguir, a toxina

tetânica detêm o prêmio para as duas substâncias mais mortais, com LD 50s de cerca de 1 e 3 ng/kg. Isso significa que 1 g de cada uma delas é

suficiente para matar cerca de 8 milhões de pessoas, ou que 935 g poderiam

potencialmente aniquilar a população global inteira!

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