Rang e Dale: Farmacologia
Bradicinina
Tendo traçado os mecanismos gerais pelos quais os peptídios são
sintetizados, processados e liberados, vamos agora descrever alguns
mediadores importantes que se encaixam nesta categoria.
BRADICININA
A bradicinina e a lisilbradicinina (calidina) são peptídios ativos formados
pela clivagem proteolítica de proteínas circulantes chamadas cininogênios,
por meio de uma via de cascata de proteases (ver Figura 7.1).
FONTE E FORMAÇÃO DE BRADICININA
A Figura 19.2 mostra o esquema da formação da bradicinina a partir do
cininogênio plasmático de alto peso molecular por ação da serina protease
denominada calicreína. O cininogênio é uma α-globulina plasmática que
existe em duas formas: o cininogênio de alto peso molecular (Mr 110.000) e
o cininogênio de baixo peso molecular (Mr 70.000). A calicreína é derivada de um precursor inativo, a pré-calicreína, pela ação do fator de Hageman
(fator XII; ver Figura 7.1 e Capítulo 25). O fator de Hageman é ativado por
contato com superfícies que apresentam cargas negativas, como colágeno,
membrana basal, lipopolissacarídios bacterianos, cristais de urato, entre
outros. O fator de Hageman, a pré-calicreína e os cininogênios extravasam
dos vasos sanguíneos durante a inflamação devido ao aumento da
permeabilidade vascular, e a exposição a superfícies de cargas negativas
promove a interação do fator com a pré-calicreína. A enzima ativada, então,
“extrai” a bradicinina do seu precursor cininogênio. A calicreína pode
também ativar o sistema do complemento e pode converter o plasminogênio
em plasmina (ver Figura 7.1 e Capítulo 25).
Além da calicreína plasmática, existem outras isoenzimas produtoras de
cininas, que são encontradas em: pâncreas, glândulas salivares, cólon e pele. Essas calicreínas teciduais atuam tanto sobre o cininogênio de alto