Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 223 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Bradicinina

Tendo traçado os mecanismos gerais pelos quais os peptídios são

sintetizados, processados e liberados, vamos agora descrever alguns

mediadores importantes que se encaixam nesta categoria.

 

BRADICININA

A bradicinina e a lisilbradicinina (calidina) são peptídios ativos formados

pela clivagem proteolítica de proteínas circulantes chamadas cininogênios,

por meio de uma via de cascata de proteases (ver Figura 7.1).

 

FONTE E FORMAÇÃO DE BRADICININA

A Figura 19.2 mostra o esquema da formação da bradicinina a partir do

cininogênio plasmático de alto peso molecular por ação da serina protease

denominada calicreína. O cininogênio é uma α-globulina plasmática que

existe em duas formas: o cininogênio de alto peso molecular (Mr 110.000) e

o cininogênio de baixo peso molecular (Mr 70.000). A calicreína é derivada de um precursor inativo, a pré-calicreína, pela ação do fator de Hageman

(fator XII; ver Figura 7.1 e Capítulo 25). O fator de Hageman é ativado por

contato com superfícies que apresentam cargas negativas, como colágeno,

membrana basal, lipopolissacarídios bacterianos, cristais de urato, entre

outros. O fator de Hageman, a pré-calicreína e os cininogênios extravasam

dos vasos sanguíneos durante a inflamação devido ao aumento da

permeabilidade vascular, e a exposição a superfícies de cargas negativas

promove a interação do fator com a pré-calicreína. A enzima ativada, então,

“extrai” a bradicinina do seu precursor cininogênio. A calicreína pode

também ativar o sistema do complemento e pode converter o plasminogênio

em plasmina (ver Figura 7.1 e Capítulo 25).

Além da calicreína plasmática, existem outras isoenzimas produtoras de

cininas, que são encontradas em: pâncreas, glândulas salivares, cólon e pele. Essas calicreínas teciduais atuam tanto sobre o cininogênio de alto