Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 728 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Seção 6 Tópicos Especiais

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Este capítulo aborda os efeitos nocivos dos fármacos, tanto no contexto de

uso terapêutico – as chamadas reações adversas medicamentosas – quanto

na superdosagem deliberada ou acidental. Estamos preocupados aqui com

os efeitos adversos graves, por vezes ameaçadores da vida ou irreversíveis,

algo bem diferente dos efeitos adversos menores que praticamente todos os

fármacos produzem, como descrito ao longo do livro. Considera-se a

classificação das reações adversas, seguida pelos aspectos tóxicos do

fármaco: testes de toxicidade no desenvolvimento dos fármacos,

mecanismos gerais de lesão e de morte celular induzidos por toxinas,

mutagênese e carcinogênese, teratogênese e reações alérgicas.

 

INTRODUÇÃO

É de Paracelso, alquimista do século XVI, o crédito pelo aforismo de que

todos os fármacos são venenosos: “(…) a dosagem faz com que seja veneno

ou remédio.” Atualmente, os efeitos tóxicos dos fármacos continuam a ser

clinicamente relevantes no contexto da superdosagem (o autoenvenenamento corresponde a aproximadamente 10% dos casos de

atendimento de emergência no Reino Unido; em contraste, o

envenenamento homicida é extremamente raro). Alguns indivíduos

suscetíveis podem experimentar toxicidade associada à dosagem, inclusive

na dosagem terapêutica, e algumas dessas suscetibilidades são determinadas

pela genética. Existe agora uma ampla gama de testes genéticos para

identificação e predição do risco de indivíduos suscetíveis, embora

relativamente poucos destes testes sejam usados por rotina na prática clínica

atual (ver Capítulo 12).

Testes rigorosos em animais (p. 740), incluindo testes de

carcinogenicidade, teratogenicidade e de toxicidade órgão-específica, estão

sendo realizados com os novos fármacos em potencial durante seu

desenvolvimento (ver Capítulo 60), o que, em muitos casos, leva ao

abandono do composto antes de seu teste em seres humanos. Esses estudos

de toxicidade integram um conjunto de informações, rotineiramente

submetido às agências reguladoras pela indústria farmacêutica quando

procura aprovar a comercialização de um novo fármaco. Apesar disso,

efeitos nocivos são muitas vezes encontrados após a comercialização de um

fármaco para uso humano, devido à emergência de efeitos adversos não

detectados em animais. Em geral, esses danos são referidos como “reações

adversas aos fármacos” (RAF) e representam motivo de grande

preocupação pelas autoridades reguladoras dos medicamentos, as quais são

encarregadas de zelar pela segurança, bem como pela eficácia dos

fármacos. Eventos imprevisíveis são particularmente preocupantes.

Algumas RAF são previsíveis como consequência do principal efeito

farmacológico do fármaco e são relativa e facilmente reconhecidas, mas

algumas (p. ex., reações imunológicas) são imprevisíveis e, por vezes, até

mesmo graves, podendo ocorrer apenas em alguns pacientes.