Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 666 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Fármacos utilizados para tratar a hanseníase

Fármacos usados na hanseníase

 

• Hanseníase tuberculoide: dapsona e rifampicina (rifampina)

– A dapsona é semelhante à sulfonamida e inibe a síntese do folato. É administrada

por via oral. Os efeitos adversos são bastante frequentes e alguns são graves. A

resistência está aumentando

– Rifampicina (ver boxe Fármacos contra tuberculose)

• Hanseníase virchowiana: dapsona, rifampicina e clofazimina

– A clofazimina é um corante administrado por via oral e pode acumular-se no corpo

em decorrência de sequestro nos macrófagos. Sua ação é retardada por 6 a 7 semanas

e a meia-vida é de 8 semanas. Os efeitos adversos incluem pele e urina avermelhadas

e, por vezes, distúrbios GI.

 

▼ Aspectos farmacocinéticos. A maior parte do fármaco é eliminada na

forma ativa na urina, mas cerca de 35% são metabolizados.

Os efeitos adversos são majoritariamente no SNC. Podem ocorrer

vários distúrbios, de cefaleia e irritabilidade a depressão, convulsões e

estados psicóticos.

 

FÁRMACOS UTILIZADOS PARA TRATAR A HANSENÍASE

A hanseníase é uma das doenças mais antigas conhecidas pelo homem, com

suas primeiras menções em textos anteriores a 600 a.C. O microrganismo

causador é M. leprae. Trata-se de uma doença crônica desfigurativa com

longa latência. Historicamente, as pessoas com hanseníase eram afastadas

da comunidade e forçadas a viver isoladas, embora a doença não seja

particularmente contagiosa. Anteriormente tida como incurável, o

aparecimento, nos anos 1940, da dapsona e, posteriormente, da rifampicina e da clofazimina, nos anos 1960, mudou completamente a perspectiva

sobre a hanseníase. Atualmente, em geral, é curável, e os números mundiais

mostram que as taxas de prevalência da doença baixaram 99% nos últimos

20 anos, resultado de medidas de saúde pública e de esquemas de múltiplos

fármacos (para impedir eventual ocorrência de resistência aos fármacos)

implementados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e apoiados por

algumas empresas farmacêuticas. Os últimos (2017) números da OMS

sugerem que a doença foi agora eliminada de todos, menos alguns dos

países menores. No entanto, em 2016, cerca de 210.000 novos casos foram

notificados, principalmente na Ásia e na África.

Existem duas formas:

 

• A hanseníase paucibacilar, caracterizada por uma a cinco lesões

cutâneas, é majoritariamente do tipo tuberculoide,8 sendo geralmente

tratada durante 6 meses com dapsona e rifampicina

• A hanseníase multibacilar, caracterizada por mais de cinco lesões

cutâneas, é majoritariamente do tipo virchowiano, sendo tratada durante

2 anos no mínimo, com rifampicina, dapsona e clofazimina.

 

Dapsona

A dapsona está quimicamente relacionada com as sulfonamidas e, como sua

ação é antagonizada pelo PABA, atua provavelmente por meio da inibição

da síntese do folato bacteriano. A resistência ao fármaco tem aumentado de

forma consistente desde a sua introdução e, atualmente, recomenda-se o

tratamento combinado com outros fármacos.

▼ Aspectos farmacocinéticos.A dapsona é administrada por via oral; é

bem absorvida e amplamente distribuída pela água corporal por todos os

tecidos. A meia-vida plasmática é de 24 a 48 horas, mas parte do

fármaco permanece no fígado, nos rins (e, de certo modo, na pele e nos