Rang e Dale: Farmacologia
Biofármacos
criando, assim, uma impressão mais favorável sobre a eficácia clínica de
um novo fármaco do que se todos os ensaios fossem publicados. Para
assegurar que todos os dados, bons e ruins, sejam publicados e estejam
disponíveis para as entidades reguladoras e os investigadores, é agora
mandatório registrar o início de qualquer ensaio em seres humanos e
publicar os resultados completos quando o ensaio estiver concluído. A
questão difícil sobre requerer todos os ensaios passados de fármacos
atualmente registrados está sob discussão. A acessibilidade a dados
passados, muitos deles na forma de registros em papel em depósitos
empoeirados, e o custo deste exercício, são sérios problemas.
BIOFÁRMACOS
Os “biofármacos”, ou seja, agentes terapêuticos produzidos pela
biotecnologia, e não pela química sintética convencional, são discutidos no
Capítulo 5. Tais agentes terapêuticos compreendem atualmente cerca de
30% dos novos produtos registrados a cada ano. Os princípios subjacentes
ao desenvolvimento e ao teste dos produtos biofarmacêuticos são,
basicamente, os mesmos dos fármacos sintéticos. Na prática, os
biofármacos apresentam menos problemas toxicológicos que os fármacos
sintéticos,8 porém mais problemas relacionados com produção, controle de
qualidade, imunogenicidade e oferta. Walsh (2003), Revers e Furzcon
(2010) cobrem este campo especializado com mais detalhes. Em 2017, os
primeiros produtos de terapia gênica (para a esclerose lateral amiotrófica) e
terapias com base celular para o câncer avançado (ver Capítulo 57) foram
aprovados – um marco significativo.
ASPECTOS COMERCIAIS
A Figura 60.1 mostra o tempo aproximado despendido em um desses
projetos e a taxa de atrito (em cada estágio e geral) com base em dados
recentes de várias grandes companhias farmacêuticas. As mensagens-chave
são (i) que isso é um assunto arriscado, com apenas cerca de um projeto de
descoberta de fármacos em 50 e um desenvolvimento de composto em 10
atingindo o objetivo de colocar um novo fármaco no mercado, (ii) que
demora muito tempo – em torno de 12 anos, em média, e (iii) que custa
muito dinheiro desenvolver um fármaco – estimado em incompreensíveis
US$ 4 bilhões por fármaco (Munos, 2009; DiMasi et al., 2016).9 Em
qualquer projeto, o custo sobe rapidamente à medida que o
desenvolvimento prossegue, sendo os ensaios clínicos de fase III e os
estudos toxicológicos a longo prazo particularmente dispendiosos. O fator
tempo é crucial, porque o novo fármaco deve ser patenteado, em geral, no
final da fase da descoberta, e o período de exclusividade (20 anos, na
maioria dos países), durante os quais a companhia fica livre da competição
no mercado, começa nessa data. Depois de 20 anos, a patente expira e
outras companhias que não tiveram que arcar com os custos do
desenvolvimento estão livres para fabricar e vender o fármaco mais barato,
de modo que as receitas da companhia original diminuem rapidamente daí
por diante. Muitos fármacos lucrativos chegaram ao fim das suas patentes
antes de 2018, aumentando os problemas da indústria. A redução do tempo
de desenvolvimento depois da patente é uma importante preocupação para
todas as companhias; no entanto, até então, manteve-se teimosamente em
torno de 10 anos, parcialmente porque as autoridades regulamentadoras
estão exigindo mais dados clínicos antes de concederem a licença. Na
prática, apenas um fármaco em três que entram no mercado traz retorno
suficiente para cobrir seu custo de desenvolvimento. O sucesso para a companhia depende de este fármaco gerar lucro suficiente para pagar o