Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 749 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Biofármacos

criando, assim, uma impressão mais favorável sobre a eficácia clínica de

um novo fármaco do que se todos os ensaios fossem publicados. Para

assegurar que todos os dados, bons e ruins, sejam publicados e estejam

disponíveis para as entidades reguladoras e os investigadores, é agora

mandatório registrar o início de qualquer ensaio em seres humanos e

publicar os resultados completos quando o ensaio estiver concluído. A

questão difícil sobre requerer todos os ensaios passados de fármacos

atualmente registrados está sob discussão. A acessibilidade a dados

passados, muitos deles na forma de registros em papel em depósitos

empoeirados, e o custo deste exercício, são sérios problemas.

 

BIOFÁRMACOS

Os “biofármacos”, ou seja, agentes terapêuticos produzidos pela

biotecnologia, e não pela química sintética convencional, são discutidos no

Capítulo 5. Tais agentes terapêuticos compreendem atualmente cerca de

30% dos novos produtos registrados a cada ano. Os princípios subjacentes

ao desenvolvimento e ao teste dos produtos biofarmacêuticos são,

basicamente, os mesmos dos fármacos sintéticos. Na prática, os

biofármacos apresentam menos problemas toxicológicos que os fármacos

sintéticos,8 porém mais problemas relacionados com produção, controle de

qualidade, imunogenicidade e oferta. Walsh (2003), Revers e Furzcon

(2010) cobrem este campo especializado com mais detalhes. Em 2017, os

primeiros produtos de terapia gênica (para a esclerose lateral amiotrófica) e

terapias com base celular para o câncer avançado (ver Capítulo 57) foram

aprovados – um marco significativo.

 

ASPECTOS COMERCIAIS

A Figura 60.1 mostra o tempo aproximado despendido em um desses

projetos e a taxa de atrito (em cada estágio e geral) com base em dados

recentes de várias grandes companhias farmacêuticas. As mensagens-chave

são (i) que isso é um assunto arriscado, com apenas cerca de um projeto de

descoberta de fármacos em 50 e um desenvolvimento de composto em 10

atingindo o objetivo de colocar um novo fármaco no mercado, (ii) que

demora muito tempo – em torno de 12 anos, em média, e (iii) que custa

muito dinheiro desenvolver um fármaco – estimado em incompreensíveis

US$ 4 bilhões por fármaco (Munos, 2009; DiMasi et al., 2016).9 Em

qualquer projeto, o custo sobe rapidamente à medida que o

desenvolvimento prossegue, sendo os ensaios clínicos de fase III e os

estudos toxicológicos a longo prazo particularmente dispendiosos. O fator

tempo é crucial, porque o novo fármaco deve ser patenteado, em geral, no

final da fase da descoberta, e o período de exclusividade (20 anos, na

maioria dos países), durante os quais a companhia fica livre da competição

no mercado, começa nessa data. Depois de 20 anos, a patente expira e

outras companhias que não tiveram que arcar com os custos do

desenvolvimento estão livres para fabricar e vender o fármaco mais barato,

de modo que as receitas da companhia original diminuem rapidamente daí

por diante. Muitos fármacos lucrativos chegaram ao fim das suas patentes

antes de 2018, aumentando os problemas da indústria. A redução do tempo

de desenvolvimento depois da patente é uma importante preocupação para

todas as companhias; no entanto, até então, manteve-se teimosamente em

torno de 10 anos, parcialmente porque as autoridades regulamentadoras

estão exigindo mais dados clínicos antes de concederem a licença. Na

prática, apenas um fármaco em três que entram no mercado traz retorno

suficiente para cobrir seu custo de desenvolvimento. O sucesso para a companhia depende de este fármaco gerar lucro suficiente para pagar o