Rang e Dale: Farmacologia
30 Rim e Sistema Urinário
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Montaremos o cenário com um sucinto esboço da fisiologia renal com base
na unidade funcional do rim – o néfron – antes de descrever os fármacos
que afetam a função renal. Enfatizaremos os diuréticos – fármacos que
aumentam a excreção de íons Na+ e água e reduzem a pressão sanguínea
arterial. Falaremos, ainda, de fármacos usados no tratamento de pacientes
com insuficiência renal e distúrbios do trato urinário, muitos dos quais
também são abordados em outros capítulos.
INTRODUÇÃO
A principal função dos rins é manter a constância do “ambiente interior”,
eliminando os produtos residuais e regulando o volume, o conteúdo em
eletrólitos e o pH do líquido extracelular, em função da variação da ingestão
e de outras necessidades ambientais (p. ex., climáticas). Os rins recebem
aproximadamente 20% do débito cardíaco a partir do qual, em um ser
humano adulto jovem, os glomérulos filtram cerca de 180 ℓ de líquido por dia, dos quais 99% são reabsorvidos pelos túbulos. Isso resulta em uma
produção de urina diária de aproximadamente 1,8 ℓ (Tabela 30.1). Os rins
apresentam importantes funções endócrinas relacionadas, incluindo a
síntese da eritropoetina (ver Capítulo 25), de renina (ver Capítulo 23) e da
forma ativa da vitamina D (ver Capítulo 37), sendo locais de ação de
mediadores como a vasopressina (ver Capítulo 34) e a angiotensina II (ver
Capítulo 23).
Os rins são alvo de um vasto conjunto familiar de processos patológicos
– infecciosos, estruturais, imunológicos, tóxicos (incluindo toxicidades de
fármacos) e assim por diante –, no entanto, as várias doenças resultantes
convergem por comprometimento da função renal (redução da taxa de
filtração glomerular) para um estágio final comum de insuficiência renal
que (se o processo patológico for reversível) pode ser agudo e recuperável
ou (se não) crônico e irreversível, a menos que seja realizado transplante.
Os principais fármacos que atuam alterando a função renal – os
diuréticos – são essenciais no tratamento de doenças cardiovasculares, em
especial a hipertensão e a insuficiência cardíaca (ver Capítulo 23), bem
como no tratamento de pacientes com doença renal com deficiência na
capacidade de excretar sal e água. Os fármacos imunossupressores (efetivos
em várias das doenças que podem causar insuficiência renal e essenciais
após o transplante renal) são abordados no Capítulo 27. Os fármacos
antibacterianos (usados para tratar infecções renais e do trato urinário) são
abordados no Capítulo 52. Vários fármacos que atuam no sistema nervoso
autônomo influenciam o músculo da bexiga (o músculo detrusor) e o seu
esfíncter. Alguns destes são usados terapeuticamente na tentativa de
melhorar os sintomas de instabilidade do detrusor ou da obstrução urinária
(“prostatismo”) (ver Capítulos 14, 15 e 36).