Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 353 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

30 Rim e Sistema Urinário

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Montaremos o cenário com um sucinto esboço da fisiologia renal com base

na unidade funcional do rim – o néfron – antes de descrever os fármacos

que afetam a função renal. Enfatizaremos os diuréticos – fármacos que

aumentam a excreção de íons Na+ e água e reduzem a pressão sanguínea

arterial. Falaremos, ainda, de fármacos usados no tratamento de pacientes

com insuficiência renal e distúrbios do trato urinário, muitos dos quais

também são abordados em outros capítulos.

 

INTRODUÇÃO

A principal função dos rins é manter a constância do “ambiente interior”,

eliminando os produtos residuais e regulando o volume, o conteúdo em

eletrólitos e o pH do líquido extracelular, em função da variação da ingestão

e de outras necessidades ambientais (p. ex., climáticas). Os rins recebem

aproximadamente 20% do débito cardíaco a partir do qual, em um ser

humano adulto jovem, os glomérulos filtram cerca de 180 ℓ de líquido por dia, dos quais 99% são reabsorvidos pelos túbulos. Isso resulta em uma

produção de urina diária de aproximadamente 1,8 ℓ (Tabela 30.1). Os rins

apresentam importantes funções endócrinas relacionadas, incluindo a

síntese da eritropoetina (ver Capítulo 25), de renina (ver Capítulo 23) e da

forma ativa da vitamina D (ver Capítulo 37), sendo locais de ação de

mediadores como a vasopressina (ver Capítulo 34) e a angiotensina II (ver

Capítulo 23).

Os rins são alvo de um vasto conjunto familiar de processos patológicos

– infecciosos, estruturais, imunológicos, tóxicos (incluindo toxicidades de

fármacos) e assim por diante –, no entanto, as várias doenças resultantes

convergem por comprometimento da função renal (redução da taxa de

filtração glomerular) para um estágio final comum de insuficiência renal

que (se o processo patológico for reversível) pode ser agudo e recuperável

ou (se não) crônico e irreversível, a menos que seja realizado transplante.

Os principais fármacos que atuam alterando a função renal – os

diuréticos – são essenciais no tratamento de doenças cardiovasculares, em

especial a hipertensão e a insuficiência cardíaca (ver Capítulo 23), bem

como no tratamento de pacientes com doença renal com deficiência na

capacidade de excretar sal e água. Os fármacos imunossupressores (efetivos

em várias das doenças que podem causar insuficiência renal e essenciais

após o transplante renal) são abordados no Capítulo 27. Os fármacos

antibacterianos (usados para tratar infecções renais e do trato urinário) são

abordados no Capítulo 52. Vários fármacos que atuam no sistema nervoso

autônomo influenciam o músculo da bexiga (o músculo detrusor) e o seu

esfíncter. Alguns destes são usados terapeuticamente na tentativa de

melhorar os sintomas de instabilidade do detrusor ou da obstrução urinária

(“prostatismo”) (ver Capítulos 14, 15 e 36).