Rang e Dale: Farmacologia
Fármacos antienxaqueca
Existe uma subida repentina na excreção urinária do principal metabólito de 1. 5-HT, o 5-HIAA, durante a crise. A concentração sanguínea de 5-HT cai,
provavelmente em virtude da depleção da 5-HT plaquetária.
2. Muitos dos fármacos que são efetivos no tratamento da enxaqueca são
agonistas ou antagonistas dos receptores 5-HT. Ver Figura 16.3 e o boxe
usos clínicos a seguir para informação adicional.
FÁRMACOS ANTIENXAQUECA
Os principais fármacos usados no tratamento da enxaqueca estão resumidos na
Tabela 16.3, e os seus locais de ação definidos são mostrados na Figura 16.3. É importante distinguir entre fármacos usados terapeuticamente para tratar crises agudas de enxaqueca (apropriados quando as crises são bastante infrequentes) e
fármacos usados profilaticamente. Além dos antagonistas dos receptores 5-HT2, os fármacos usados de modo profilático constituem uma grande miscelânea, e incluem o agente anticonvulsivo topiramato (não no Reino Unido), o diurético poupador de potássio amilorida e a toxina botulínica. Os fármacos anti-
inflamatórios não esteroides (AINE) (ver Capítulo 27) parecem ter efeito variável, sendo úteis para alguns pacientes, mas não para outros.
Usos Clínicos dos fármacos usados para enxaqueca
Crise aguda
• Analgésicos comuns (p. ex., ácido acetilsalicílico, paracetamol; ver Capítulo 27) com ou sem
metoclopramida (ver Capítulo 31) para acelerar a absorção
• Ergotamina (agonista parcial do receptor 5-HT1D)
• Sumatriptana, zolmitriptana (agonistas 5-HT1D).
Pro laxia
• Antagonistas β-adrenérgicos (p. ex., propranolol, metoprolol; ver Capítulo 15)
• Pizotifeno (antagonista do receptor 5-HT2)
• Outros antagonistas do receptor 5-HT2:
– Cipro-heptadina: também tem ações anti-histamínicas
– Metisergida: raramente usada devido ao risco de brose retroperitoneal
• Antidepressivos tricíclicos (p. ex., amitriptilina; ver Capítulo 48)
• Clonidina, um agonista α2-adrenérgico (ver Capítulo 15)
• Antagonistas do cálcio (p. ex., di-hidropiridinas, verapamil; ver Capítulo 22): a cefaleia é um
efeito secundário desses fármacos, mas, paradoxalmente, eles podem reduzir a frequência das crises de enxaqueca.
Os agentes mais importantes para o tratamento das crises agudas são
atualmente os triptanos. Estes são agonistas 5-HT1 e são geralmente classificados como agonistas 5-HT1B/1D, em grande parte devido à dificuldade em distinguir entre ações desses dois receptores. Contudo, agonistas seletivos com
alta afinidade pelo receptor subtipo 5-HT1D mostraram-se decepcionantes na clínica. A sumatriptana tem também alta afinidade pelo receptor 5-HT1F (Agosti, 2007) e o lasmiditano, um fármaco em investigação não triptano, que é um
agonista seletivo para o receptor 5 H1F, é altamente eficaz em abortar as crises de enxaqueca (Tfelt-Hansen, 2012). De modo interessante, esse subtipo de receptor é escasso na vasculatura, lançando dúvidas adicionais sobre o papel das alterações vasculares per se na dor sentida pelos pacientes. Isso é relevante, visto que a maior desvantagem da terapia com triptanos é a vasoconstrição em outros leitos vasculares periféricos, incluindo o coração. Seria esperado que o lasmiditano não tivesse tais efeitos adversos; no entanto, ele geralmente causa outros efeitos adversos (p. ex., tonturas e náuseas), que podem ser acentuados. Está postulado que a ação antienxaqueca dos triptanos se dê por meio da