Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 376 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Purgativos

Fármacos e motilidade do trato GI

 

• Os purgativos incluem:

– Laxativos formadores de volume (p. ex., casca de psílio, primeira escolha para ação

lenta)

– Laxativos osmóticos (p. ex., lactulose)

– Emolientes fecais (p. ex., docusato)

– Purgativos estimulantes (p. ex., sena)

• Os fármacos usados no tratamento de diarreia são:

– Reidratação oral com soluções isotônicas de cloreto de sódio (NaCl) mais glicose e

cereal à base de amido (importante em lactentes)

– Agentes antimotilidade, como loperamida (efeitos adversos: sonolência e náuseas).

 

PURGATIVOS

O trânsito do alimento ao longo do intestino pode ser agilizado por

diferentes tipos de fármacos, como laxativos, emolientes fecais e purgativos

estimulantes. Estes últimos podem ser usados para aliviar constipação

intestinal ou evacuar o intestino antes de cirurgia ou exame.

 

Laxativos formadores de volume e osmóticos

Os laxativos formadores de volume incluem metilcelulose e certos extratos

de plantas, como estercúlia, ágar, farelo e casca de psílio. Esses agentes

são polímeros polissacarídicos que não são digeridos na parte alta do trato

GI. Formam massa hidratada volumosa no lúmen do intestino, promovendo

o peristaltismo e melhorando a consistência fecal. Podem levar vários dias

para produzir efeitos, mas não têm ações adversas graves.

Os laxativos osmóticos consistem em solutos pouco absorvidos

(purgativos salinos) e na lactulose. Os principais sais em uso são o sulfato e

o hidróxido de magnésio. Produzindo uma carga osmótica, esses agentes

prendem volumes aumentados de líquido no lúmen do intestino, acelerando

a transferência do conteúdo intestinal ao longo do intestino delgado. Isso

resulta em volume anormalmente grande que entra no cólon, causando

distensão e purgação em cerca de 1 h, podendo ocorrer cólicas abdominais.

A quantidade de magnésio absorvida depois de uma dose oral geralmente é

pequena demais para ter efeitos sistêmicos adversos, mas esses sais devem

ser evitados em crianças pequenas e em pacientes com função renal

comprometida, nos quais podem causar bloqueios cardíaco e neuromuscular

ou depressão do SNC. Conquanto soluções isotônicas ou hipotônicas de

purgativos salinos causem purgação, as soluções hipertônicas podem

provocar vômitos. Algumas vezes, outros sais sódicos de fosfato e citrato

são administrados por via retal, por supositório, para aliviar a constipação

intestinal.

A lactulose é um dissacarídeo semissintético de frutose e galactose,

pouco absorvida e com efeito semelhante ao de outros laxativos osmóticos.

A latência para sua ação é de 2 a 3 dias. Os efeitos adversos, observados

com altas doses, incluem flatulência, cólicas, diarreia e desequilíbrio

eletrolítico. Pode desenvolver-se tolerância. Outro agente, o macrogol, que

consiste em polímeros inertes do etilenoglicol, atua do mesmo modo e, por

vezes, é formulado junto com íons eletrolíticos para assegurar que o efeito

laxante não cause importantes alterações no equilíbrio entre sódio, potássio

e água.

 

Emolientes fecais O docusato de sódio é um composto tensioativo que atua no trato GI de

maneira semelhante a um detergente e produz fezes mais amolecidas.

Adicionalmente, tem um modesto efeito estimulante laxativo. Outros

agentes que proporcionam o mesmo efeito incluem o óleo de amendoim,

administrado na forma de enema, e a parafina líquida, raramente usada na

atualidade.

 

Laxativos estimulantes

Os laxativos estimulantes atuam principalmente aumentando a secreção de

eletrólitos e, portanto, de água pela mucosa, além de aumentar o

peristaltismo, possivelmente por estimulação de nervos entéricos. Podem

ocorrer cólicas abdominais como efeito colateral com praticamente

qualquer um desses fármacos.

O bisacodil pode ser administrado por via oral, mas a forma mais

comum é em supositório. Nesse último caso, estimula a mucosa retal,

induzindo defecação em 15 a 30 min. Supositórios de glicerol atuam da

mesma maneira. O picossulfato de sódio e o docusato sódico têm ações

semelhantes. O primeiro é administrado por via oral e costuma ser usado

em preparação para cirurgia intestinal ou colonoscopia.

Sena e dantrona são laxativos do tipo antraquinona. O princípio ativo

(depois da hidrólise de ligações glicosídicas no caso do extrato de planta, a

sena) estimula diretamente o plexo mioentérico, causando aumento do

peristaltismo e, desse modo, a defecação. A dantrona é semelhante; porém,

como esse fármaco é um irritante de pele e pode ser carcinogênico,

geralmente é usado apenas em pacientes terminais.

Os laxativos de qualquer tipo não devem ser empregados quando

houver obstrução intestinal, e seu uso exagerado pode levar a atonia de

cólon, caso em que há diminuição da atividade propulsora natural. Nessas circunstâncias, o único modo de obter a defecação é tomar quantidades