Rang e Dale: Farmacologia
Catinonas
MDMA (ecstasy)
• MDMA é um análogo da anfetamina que tem efeitos psicoestimulantes potentes, assim
como efeitos psicotomiméticos leves
• MDMA inibe os transportadores monoamina, principalmente o transportador 5-
hidroxitriptamina (5-HT), e libera 5-HT
• MDMA pode causar reação de hipertermia aguda, assim como hiper-hidratacao e
hiponatremia, algumas vezes fatal
• MDMA não causa dependência física
CATINONAS
Catinona e catina são os ingredientes ativos na planta Catha edulis (khat).
É comum mastigar as folhas em partes da África, como Etiópia e Somália, e
o seu uso está se difundindo entre populações de imigrantes em países
ocidentais.
Derivados sintéticos da catinona tornaram-se drogas ilícitas populares
de rua por produzirem a sensação de melhora do humor e da função mental.
A mefedrona aumenta os níveis extracelulares tanto de DA quanto de 5-
HT, possivelmente por meio da inibição da recaptação e do aumento da
liberação.
METILXANTINAS
Diversas bebidas, particularmente chá, café e chocolate, contêm
metilxantinas, as quais são responsáveis pelos seus efeitos estimulantes
centrais leves. Os principais compostos responsáveis são a cafeína e a
teofilina. As nozes da planta cola também contêm cafeína, que está
presente em refrigerantes com sabor cola. No entanto, de longe, as fontes mais importantes são o café e o chá, que podem ser responsáveis por mais
de 90% do consumo de cafeína. Mais informações sobre a farmacologia e a
toxicologia da cafeína são apresentadas por Fredholm et al. (1999).
■ Efeitos farmacológicos
As metilxantinas apresentam as seguintes principais atividades
farmacológicas:
• Estímulo do SNC
• Diurese leve, clinicamente insignificante
• Estimulação do músculo cardíaco (ver Capítulo 22)
• Relaxamento do músculo liso, especialmente o músculo brônquico (ver
Capítulo 29).
Os dois últimos efeitos lembram aqueles da estimulação do β-
adrenorreceptor (ver Capítulos 15, 22 e 29). Acredita-se que seja porque as
metilxantinas (em especial, teofilina) inibem a fosfodiesterase, a qual é
responsável pelo metabolismo intracelular de cAMP (ver Capítulo 3). Elas,
então, aumentam o cAMP intracelular e produzem efeitos semelhantes aos
dos mediadores que estimulam a adenilato ciclase. As metilxantinas
também antagonizam muitos dos efeitos da adenosina, agindo nos
receptores A1 e A2 (ver Capítulo 17). Camundongos transgênicos que não
contêm receptores A 2 são anormalmente ativos e agressivos, e não demonstram aumento da atividade motora em resposta à cafeína, sugerindo
que o antagonismo aos receptores A2 é, no mínimo, parcialmente responsável pela sua atividade estimulante do SNC. A cafeína também
sensibiliza receptores rianodina (ver Capítulo 4), mas esse efeito ocorre em
maiores concentrações (> 10 mmol/l) do que aquelas alcançadas pela
ingestão recreativa de cafeína. A concentração de cafeína alcançada no plasma e no cérebro depois de duas ou três xícaras de café forte – cerca de
100 μmol/l – é suficiente para produzir um bloqueio importante do receptor
de adenosina e um grau leve de inibição da fosfodiesterase. O bloqueio do
receptor de adenosina provavelmente causa o efeito diurético ao reduzir a
reabsorção tubular proximal de sódio.
A cafeína e a teofilina têm efeitos estimulantes no SNC bastante
semelhantes. Seres humanos apresentam redução da fadiga, com aumento
da concentração e melhor fluxo de pensamento. Isso é confirmado por meio
de estudos objetivos, que demonstraram que a cafeína reduz o tempo de
reação e produz aumento na velocidade na qual cálculos simples podem ser
realizados (apesar de não haver muita melhora na precisão). O desempenho
em tarefas motoras, como digitação e simulação de direção, também
melhora, particularmente em sujeitos cansados. Tarefas mentais, como
aprendizado de sílabas, testes de associação e daí por diante, também são
facilitadas com doses moderadas (até 200 mg de cafeína, ou cerca de duas
xícaras de café), mas prejudicadas com doses mais altas. A insônia é
comum. Em comparação com as anfetaminas, as metilxantinas produzem
menos estímulo locomotor e não induzem euforia, padrões de
comportamento estereotipado ou estado psicótico, mas os seus efeitos na
fadiga e na função mental são semelhantes.
Há desenvolvimento de tolerância e habituação em pequena escala, mas
muito menos do que com anfetaminas; os efeitos de abstinência são
modestos, mas podem causar problemas.3 A cafeína não é autoadministrada
por animais e não pode ser classificada como uma substância que cause
dependência.
■ Uso clínico e efeitos adversos Existem poucos usos clínicos para a cafeína. Esta é incluída com o ácido
acetilsalicílico em algumas formulações para o tratamento de cefaleias e
outras dores, e com a ergotamina em algumas formulações para enxaqueca,
com o objetivo de produzir uma sensação de alerta levemente agradável. As
metilxantinas são estimulantes respiratórios eficazes para o tratamento da
apneia da prematuridade (uma alteração do desenvolvimento causada por
imaturidade do controle respiratório central), indicação para a qual a cafeína
é preferível em relação à teofilina em virtude de sua meia-vida longa e
segurança. A teofilina (formulada como aminofilina) é usada
principalmente como broncodilatador no tratamento de crises de asma
graves (ver Capítulo 29). Testes in vitro mostram que apresenta atividade
mutagênica e que altas doses são teratogênicas em animais. Entretanto,
estudos epidemiológicos não mostraram evidência de efeitos carcinogênicos
ou teratogênicos em indivíduos que bebem chá ou café.