Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 616 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Catinonas

MDMA (ecstasy)

 

• MDMA é um análogo da anfetamina que tem efeitos psicoestimulantes potentes, assim

como efeitos psicotomiméticos leves

• MDMA inibe os transportadores monoamina, principalmente o transportador 5-

hidroxitriptamina (5-HT), e libera 5-HT

• MDMA pode causar reação de hipertermia aguda, assim como hiper-hidratacao e

hiponatremia, algumas vezes fatal

• MDMA não causa dependência física

 

CATINONAS

Catinona e catina são os ingredientes ativos na planta Catha edulis (khat).

É comum mastigar as folhas em partes da África, como Etiópia e Somália, e

o seu uso está se difundindo entre populações de imigrantes em países

ocidentais.

Derivados sintéticos da catinona tornaram-se drogas ilícitas populares

de rua por produzirem a sensação de melhora do humor e da função mental.

A mefedrona aumenta os níveis extracelulares tanto de DA quanto de 5-

HT, possivelmente por meio da inibição da recaptação e do aumento da

liberação.

 

METILXANTINAS

Diversas bebidas, particularmente chá, café e chocolate, contêm

metilxantinas, as quais são responsáveis pelos seus efeitos estimulantes

centrais leves. Os principais compostos responsáveis são a cafeína e a

teofilina. As nozes da planta cola também contêm cafeína, que está

presente em refrigerantes com sabor cola. No entanto, de longe, as fontes mais importantes são o café e o chá, que podem ser responsáveis por mais

de 90% do consumo de cafeína. Mais informações sobre a farmacologia e a

toxicologia da cafeína são apresentadas por Fredholm et al. (1999).

 

■ Efeitos farmacológicos

As metilxantinas apresentam as seguintes principais atividades

farmacológicas:

 

• Estímulo do SNC

• Diurese leve, clinicamente insignificante

• Estimulação do músculo cardíaco (ver Capítulo 22)

• Relaxamento do músculo liso, especialmente o músculo brônquico (ver

Capítulo 29).

 

Os dois últimos efeitos lembram aqueles da estimulação do β-

adrenorreceptor (ver Capítulos 15, 22 e 29). Acredita-se que seja porque as

metilxantinas (em especial, teofilina) inibem a fosfodiesterase, a qual é

responsável pelo metabolismo intracelular de cAMP (ver Capítulo 3). Elas,

então, aumentam o cAMP intracelular e produzem efeitos semelhantes aos

dos mediadores que estimulam a adenilato ciclase. As metilxantinas

também antagonizam muitos dos efeitos da adenosina, agindo nos

receptores A1 e A2 (ver Capítulo 17). Camundongos transgênicos que não

contêm receptores A 2 são anormalmente ativos e agressivos, e não demonstram aumento da atividade motora em resposta à cafeína, sugerindo

que o antagonismo aos receptores A2 é, no mínimo, parcialmente responsável pela sua atividade estimulante do SNC. A cafeína também

sensibiliza receptores rianodina (ver Capítulo 4), mas esse efeito ocorre em

maiores concentrações (> 10 mmol/l) do que aquelas alcançadas pela

ingestão recreativa de cafeína. A concentração de cafeína alcançada no plasma e no cérebro depois de duas ou três xícaras de café forte – cerca de

100 μmol/l – é suficiente para produzir um bloqueio importante do receptor

de adenosina e um grau leve de inibição da fosfodiesterase. O bloqueio do

receptor de adenosina provavelmente causa o efeito diurético ao reduzir a

reabsorção tubular proximal de sódio.

A cafeína e a teofilina têm efeitos estimulantes no SNC bastante

semelhantes. Seres humanos apresentam redução da fadiga, com aumento

da concentração e melhor fluxo de pensamento. Isso é confirmado por meio

de estudos objetivos, que demonstraram que a cafeína reduz o tempo de

reação e produz aumento na velocidade na qual cálculos simples podem ser

realizados (apesar de não haver muita melhora na precisão). O desempenho

em tarefas motoras, como digitação e simulação de direção, também

melhora, particularmente em sujeitos cansados. Tarefas mentais, como

aprendizado de sílabas, testes de associação e daí por diante, também são

facilitadas com doses moderadas (até 200 mg de cafeína, ou cerca de duas

xícaras de café), mas prejudicadas com doses mais altas. A insônia é

comum. Em comparação com as anfetaminas, as metilxantinas produzem

menos estímulo locomotor e não induzem euforia, padrões de

comportamento estereotipado ou estado psicótico, mas os seus efeitos na

fadiga e na função mental são semelhantes.

Há desenvolvimento de tolerância e habituação em pequena escala, mas

muito menos do que com anfetaminas; os efeitos de abstinência são

modestos, mas podem causar problemas.3 A cafeína não é autoadministrada

por animais e não pode ser classificada como uma substância que cause

dependência.

 

■ Uso clínico e efeitos adversos Existem poucos usos clínicos para a cafeína. Esta é incluída com o ácido

acetilsalicílico em algumas formulações para o tratamento de cefaleias e

outras dores, e com a ergotamina em algumas formulações para enxaqueca,

com o objetivo de produzir uma sensação de alerta levemente agradável. As

metilxantinas são estimulantes respiratórios eficazes para o tratamento da

apneia da prematuridade (uma alteração do desenvolvimento causada por

imaturidade do controle respiratório central), indicação para a qual a cafeína

é preferível em relação à teofilina em virtude de sua meia-vida longa e

segurança. A teofilina (formulada como aminofilina) é usada

principalmente como broncodilatador no tratamento de crises de asma

graves (ver Capítulo 29). Testes in vitro mostram que apresenta atividade

mutagênica e que altas doses são teratogênicas em animais. Entretanto,

estudos epidemiológicos não mostraram evidência de efeitos carcinogênicos

ou teratogênicos em indivíduos que bebem chá ou café.