Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 67 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Terapia genética

como monoclones para uso humano, constituem problemas particulares,

uma vez que eles podem não reagir com as proteínas correspondentes de

outras espécies, escapando assim à detecção nos testes pré-clínicos de

segurança animal. Pode ser que mAb “substitutos” que sejam

específicos da espécie tenham de ser desenvolvidos para teste em

modelos animais da doença.

 

TERAPIA GENÉTICA

Surpreendentemente, o primeiro estudo a demonstrar a viabilidade da

transferência de genes teórica deu-se em 1944, quando Avery et al.

mostraram que um fator de virulência podia ser transferido entre duas cepas

de pneumococos e identificaram o fator como (o que nós atualmente

chamamos) DNA, que ainda não tinha sido sequer reconhecido na época

como material genético. No entanto, após a revolução da biologia molecular

nos anos 1980, o significado dessa experiência tornou-se claro e a noção de

que se poderia substituir genes defeituosos ou em falta passou a ser uma

perspectiva emocionante – ainda que distante. Apesar das grandes

esperanças e esforços intensivos de investigação nos anos seguintes, ainda

não se compreendeu todo o potencial da terapia genética. Contudo, a ideia

tem tanto apelo, que vastos recursos (tanto públicos quanto privados) foram

direcionados para esse desenvolvimento. Existem várias razões que a

tornam tão atrativa. Primeiro, é uma abordagem (enganosamente) simples

para uma cura radical de doenças de gene único, como a fibrose cística e as

hemoglobinopatias, que são coletivamente responsáveis por muita miséria

no mundo. Segundo, muitas outras doenças mais comuns, incluindo

doenças malignas, neurodegenerativas e infecciosas, têm um grande

componente genético. O tratamento convencional para essas doenças é (tal como os leitores dos capítulos adiante irão apreciar) longe de ser ideal;

assim, a promessa de uma abordagem totalmente nova é muito sedutora.

 

Tabela 5.4 Características de alguns sistemas de entrega

para terapia genética.

 

Utilização

Vetor Vantagens Desvantagens do

sistema a

Lipossomas Livre de vírus, produção barata Baixa e ciência, por vezes citotóxico 6%

Cassetes de DNA Livre de vírus Baixa e ciência, expressão temporária 18%

Herpes-vírus simples Altamente infeccioso, expressão Sem integração com o DNA do hospedeiro,

3%

tipo I persistente citotóxico, difícil de manejar

Imunogênico e transitório, requer administração

Adenovírus Altamente infeccioso nos epitélios 23%

repetida

Vírus adenoassociado Estável Baixa capacidade 5%

Baixa capacidade, instável, deve integrar-se no

Retrovírus E ciente, permanente DNA do hospedeiro, necessita de células em 22%

divisão

a Porcentagem aproximada de ensaios que utilizaram este tipo de sistema de entrega. (Segundo Wolf e Jenkins, 2002; e com

informação de Wirth et al., 2013.)

 

Os gurus são enfáticos em dizer que “a parte conceitual da revolução da

terapia genética de fato ocorreu (…)” – portanto, onde estão as terapias? O

diabo, claro, está nos detalhes: neste caso, os detalhes sobre:

 

• Farmacocinética: entrega do gene ao interior de células-alvo adequadas

(especialmente aquelas no SNC)