Rang e Dale: Farmacologia
Terapia genética
como monoclones para uso humano, constituem problemas particulares,
uma vez que eles podem não reagir com as proteínas correspondentes de
outras espécies, escapando assim à detecção nos testes pré-clínicos de
segurança animal. Pode ser que mAb “substitutos” que sejam
específicos da espécie tenham de ser desenvolvidos para teste em
modelos animais da doença.
TERAPIA GENÉTICA
Surpreendentemente, o primeiro estudo a demonstrar a viabilidade da
transferência de genes teórica deu-se em 1944, quando Avery et al.
mostraram que um fator de virulência podia ser transferido entre duas cepas
de pneumococos e identificaram o fator como (o que nós atualmente
chamamos) DNA, que ainda não tinha sido sequer reconhecido na época
como material genético. No entanto, após a revolução da biologia molecular
nos anos 1980, o significado dessa experiência tornou-se claro e a noção de
que se poderia substituir genes defeituosos ou em falta passou a ser uma
perspectiva emocionante – ainda que distante. Apesar das grandes
esperanças e esforços intensivos de investigação nos anos seguintes, ainda
não se compreendeu todo o potencial da terapia genética. Contudo, a ideia
tem tanto apelo, que vastos recursos (tanto públicos quanto privados) foram
direcionados para esse desenvolvimento. Existem várias razões que a
tornam tão atrativa. Primeiro, é uma abordagem (enganosamente) simples
para uma cura radical de doenças de gene único, como a fibrose cística e as
hemoglobinopatias, que são coletivamente responsáveis por muita miséria
no mundo. Segundo, muitas outras doenças mais comuns, incluindo
doenças malignas, neurodegenerativas e infecciosas, têm um grande
componente genético. O tratamento convencional para essas doenças é (tal como os leitores dos capítulos adiante irão apreciar) longe de ser ideal;
assim, a promessa de uma abordagem totalmente nova é muito sedutora.
Tabela 5.4 Características de alguns sistemas de entrega
para terapia genética.
Utilização
Vetor Vantagens Desvantagens do
sistema a
Lipossomas Livre de vírus, produção barata Baixa e ciência, por vezes citotóxico 6%
Cassetes de DNA Livre de vírus Baixa e ciência, expressão temporária 18%
Herpes-vírus simples Altamente infeccioso, expressão Sem integração com o DNA do hospedeiro,
3%
tipo I persistente citotóxico, difícil de manejar
Imunogênico e transitório, requer administração
Adenovírus Altamente infeccioso nos epitélios 23%
repetida
Vírus adenoassociado Estável Baixa capacidade 5%
Baixa capacidade, instável, deve integrar-se no
Retrovírus E ciente, permanente DNA do hospedeiro, necessita de células em 22%
divisão
a Porcentagem aproximada de ensaios que utilizaram este tipo de sistema de entrega. (Segundo Wolf e Jenkins, 2002; e com
informação de Wirth et al., 2013.)
Os gurus são enfáticos em dizer que “a parte conceitual da revolução da
terapia genética de fato ocorreu (…)” – portanto, onde estão as terapias? O
diabo, claro, está nos detalhes: neste caso, os detalhes sobre:
• Farmacocinética: entrega do gene ao interior de células-alvo adequadas
(especialmente aquelas no SNC)