Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 732 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Toxicidade do fármaco

O Meyler’s Side Effects of Drug é uma fonte abrangente de cobertura

detalhada de livros-textos e regularmente atualizada sobre RAF e suas

manifestações clínicas (Aronson, 2015).

 

TOXICIDADE DO FÁRMACO

 

TESTES DE TOXICIDADE

Realizam-se testes de toxicidade em animais com novos fármacos para se

identificarem eventuais riscos em potencial antes de estes serem

administrados a seres humanos. Isso envolve a aplicação de grande espectro

de testes em diferentes espécies, com a administração do fármaco por

longos períodos, monitoramento regular de anomalias fisiológicas e

bioquímicas e exame detalhado após a morte do animal, ao final dos

experimentos, a fim de se detectar qualquer anomalia em geral ou

histológica. Testes de toxicidade são realizados com doses bem acima dos

limites de ação terapêuticos esperados e estabelecem quais tecidos ou

órgãos são possíveis “alvos” de efeitos tóxicos do fármaco. Testes de

recuperação são realizados para se estimar se os efeitos tóxicos são

reversíveis, e as mudanças irreversíveis, como carcinogênese e

neurodegeneração, recebem atenção particular. A premissa básica é que os

efeitos tóxicos causados por fármacos sejam semelhantes em seres humanos

e em outros animais. Há, contudo, grandes variações interespécies,

sobretudo em enzimas que metabolizam fármacos; em consequência, um

metabólito tóxico formado em uma espécie pode não ser formado em outra,

e, portanto, os testes de toxicidade em animais nem sempre são modelos

confiáveis. O pronetalol, o primeiro antagonista de receptor β-adrenérgico

sintetizado, não foi desenvolvido devido à carcinogênese em camundongos;

posteriormente, percebeu-se que a carcinogênese ocorria apenas na linhagem testada – mas, a essa altura, outros β-bloqueadores já estavam em

desenvolvimento.

Efeitos tóxicos podem variar de insignificantes a tão graves que

impedem o futuro desenvolvimento do composto. Níveis intermediários de

toxicidade são mais aceitáveis nos fármacos direcionados a doenças graves

(p. ex., AIDS ou cânceres), e quase sempre é difícil tomar decisões quanto a

prosseguir ou não em seu desenvolvimento. Quando o desenvolvimento

prossegue, o monitoramento de sua segurança deve ser concentrado no

sistema “identificado” como possível alvo de toxicidade por testes em

animais.2 A segurança de um fármaco (o oposto da toxicidade) só pode ser

estabelecida com o uso em seres humanos.

Tipos de toxicidade de fármacos

 

• Os efeitos tóxicos dos fármacos podem ser:

– Relacionados com a principal ação farmacológica (p. ex., sangramento com

anticoagulantes), podendo ser em geral previstos a partir do conhecimento dos

locais-alvo

– Não relacionados com a principal ação farmacológica (p. ex., lesão hepática com

paracetamol). Isso pode ser difícil de prever, e por vezes é chamado lesão “fora de

alvo”, colateral ou do espectador

• Algumas reações adversas que ocorrem com doses terapêuticas normais são inicialmente

imprevisíveis, graves e incomuns (p. ex., agranulocitose com o carbimazol). Tais reações

(designadas como idiossincráticas) são, quase inevitavelmente, detectadas apenas após a

utilização difundida de um novo fármaco. Às vezes, é possível desenvolver um teste para

excluir indivíduos suscetíveis à exposição do fármaco (p. ex., variantes do DNA

mitocondrial/suscetibilidade aumentada à ototoxicidade provocada pelos

aminoglicosídios)

• Efeitos adversos não relacionados com a principal ação de um fármaco são quase sempre

causados por metabólitos reativos e/ou reações imunológicas.