Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 453 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Hormônios envolvidos no metabolismo e na remodelação dos ossos

hidroxilado para calcitriol no fígado. OB, osteoblasto.

 

A absorção de fosfato é um processo que requer energia e é regulado

pelo calcitriol. A deposição do fosfato no osso, como hidroxiapatita,

depende da concentração plasmática de PTH, que, juntamente com o

calcitriol, mobiliza tanto o Ca2+ quanto o fosfato da matriz óssea. O fosfato

é eliminado pelos rins; aqui, o PTH inibe a reabsorção e, assim, aumenta a

eliminação.

 

HORMÔNIOS ENVOLVIDOS NO METABOLISMO E NA REMODELAÇÃO DOS OSSOS

Os principais hormônios envolvidos no metabolismo e remodelação ósseos

são o PTH, os membros da família da vitamina D, os estrógenos e a

calcitonina. Os glicocorticoides e o hormônio da tireoide também afetam o

osso.

Remodelação óssea

 

• O osso é continuamente remodelado ao longo da vida. Os eventos do ciclo de remodelação

são os seguintes:

– Os osteoclastos, após serem ativados pelos osteoblastos, reabsorvem osso pela

escavação de lacunas nas trabéculas ósseas. Nessas lacunas, os osteoblastos

formadores de osso secretam osteoide (matriz óssea), que consiste principalmente

em colágeno, mas também contém osteocalcina, osteonectina, fosfoproteínas e

citocinas, como o fator de crescimento semelhante à insulina (IGF) e o fator

transformador do crescimento (TGF)-β

– O osteoide é então mineralizado, ou seja, cristais de fosfato de cálcio complexados

(hidroxiapatita) são depositados

• O metabolismo ósseo e a mineralização envolvem a ação do paratormônio, a família da

vitamina D e várias citocinas (p. ex., IGF, a família do TGF-β e interleucinas). O declínio nos

níveis siológicos de estrógeno e nos níveis terapêuticos de glicocorticoides pode resultar

em reabsorção óssea não equilibrada pela formação óssea – levando à osteoporose.

 

Paratormônio

O PTH, que consiste em um polipeptídio de cadeia única com 84

aminoácidos, é um regulador fisiológico importante do metabolismo do

Ca2+. Ele atua no receptor tipo 1 do PTH,2 receptores acoplados à proteína

G presentes em vários tecidos, especialmente osso – em que é expresso nas

membranas celulares nos osteoblastos e rim para manter a concentração de

Ca2+ no plasma por meio da ativação de adenilciclase e fosfolipase C. Uma

molécula estreitamente relacionada, conhecida como peptídio relacionado

com o hormônio da paratireoide (PTHrP), contém a mesma terminação N-

terminal que o PTH e pode ativar os receptores de PTH de formas globalmente similares (Harslof e Langdahl, 2016). Quando o PTH ativa o

receptor de PTH tipo 1 do osteoblasto, os osteoblastos expressam RANKL,

o qual se liga ao RANK nos osteoclastos, ativando-os e aumentando a taxa

de reabsorção.

O PTH mobiliza Ca2+ a partir do osso, promove sua reabsorção pelos

rins e estimula a síntese de calcitriol, que, por sua vez, aumenta a absorção

de Ca2+ do intestino e age em sinergia com o PTH na mobilização do Ca2+

ósseo (ver Figuras 37.3 e 37.4). O PTH promove a eliminação de fosfato e,

assim, seu efeito final é aumentar a concentração de Ca2+ no plasma e

reduzir a de fosfato.

Os receptores de PTH existem em duas conformações (R0 e RG). É

observada duração mais curta da ativação (e efeito anabólico) com os

ligantes que têm maior afinidade pela conformação RG, enquanto os

ligantes que se ligam ao estado R0 têm duração de ação mais prolongada,

que conduz a reabsorção óssea. Níveis sustentados de PTH mobilizam Ca2+

do osso e reduzem a excreção renal de Ca2+. Em contraste, doses

terapêuticas intermitentes de PTH estimulam a atividade osteoblástica e

aumentam a formação de osso.

O paratormônio é sintetizado nas células das glândulas paratireoides e

armazenado em vesículas. O principal fator controlador de sua secreção é a

concentração de cálcio ionizado no plasma, com o Ca2+ plasmático baixo

estimulando a secreção; e, se elevado, ele diminui a secreção pela ligação e

ativação do receptor de superfície acoplado à proteína G sensível ao Ca2+

(CaSR, ver Capítulo 3 e Figura 37.3). (Para revisões, ver Stewart, 2004;

Deal, 2009.) O cinacalcete aumenta a sensibilidade do CaSR pelo Ca2+

plasmático, reduzindo, desse modo, a secreção de PTH.

A teriparatida e a abaloparatida são análogos sintéticos de cadeia

mais curta, clinicamente licenciados, do PTH e do PTHrP, respectivamente. Vitamina D

A vitamina D (calciferol) consiste em um grupo de precursores lipofílicos

que são convertidos no corpo em metabólitos biologicamente ativos que

funcionam como hormônios verdadeiros, circulando no sangue e regulando

as atividades de vários tipos celulares (Reichel et al., 1989). Sua principal

ação, mediada pelos receptores nucleares da superfamília de receptores

esteroides (ver Capítulo 3), é a manutenção do Ca2+ plasmático pelo

aumento da absorção de Ca2+ no intestino, mobilizando o Ca2+ a partir do

osso e diminuindo sua eliminação renal (ver Figura 37.3). Em seres

humanos, há duas formas importantes de vitamina D, denominadas D 2 e D3:

1. O ergocalciferol da dieta (D 2), derivado do ergosterol nas plantas.

2. O colecalciferol (D3), gerado na pele a partir do 7-desidrocolesterol,

pela ação da irradiação ultravioleta durante a exposição ao sol, ou

formado a partir do colesterol na parede do intestino.

No fígado, o colecalciferol é convertido em calcifediol (25-hidroxivitamina

D 3), que, por sua vez, é convertido em uma série de outros metabólitos de atividade variada nos rins, sendo o mais potente o calcitriol (1,25-di-

hidroxivitamina D3); ver Figura 37.4.

A síntese de calcitriol a partir do calcifediol é regulada pelo PTH e é

também influenciada pela concentração de fosfato no plasma e pela

concentração do próprio calcitriol por intermédio de um mecanismo de

retroalimentação (feedback) negativa (ver Figura 37.4). Os receptores para

o calcitriol são onipresentes, e o calcitriol é importante no funcionamento

de muitos tipos celulares.

As ações principais do calcitriol são estimular a absorção do Ca2+ e do

fosfato no intestino e mobilizar o Ca2+ a partir do osso, mas ele também

aumenta a reabsorção de Ca2+ nos túbulos renais (ver Figura 37.3). Promove

a maturação dos osteoclastos e estimula a atividade destes (ver Figuras 37.1

e 37.3). Ele diminui a síntese de colágeno pelos osteoblastos. No entanto, o

efeito no osso é complexo e não está limitado à mobilização de Ca2+, porque

na deficiência clínica de vitamina D (p. 477), na qual a mineralização do

osso está prejudicada, a administração de vitamina D restaura a formação

óssea. Uma explicação pode ser encontrada no fato de o calcitriol estimular

a síntese de osteocalcina, a proteína de ligação do Ca2+ da matriz óssea.

 

Estrógenos

Os estrógenos desempenham papel importante na manutenção da

integridade do tecido ósseo nas mulheres adultas, atuando nos osteoblastos

e nos osteoclastos. O estrógeno inibe as citocinas que recrutam osteoclastos

e que impedem a reabsorção óssea, a ação mobilizadora de Ca2+ do PTH.

Aumenta a proliferação de osteoblastos, eleva a produção de TGF-β e de

BMP e inibe a apoptose. A queda de estrógeno, como acontece

fisiologicamente na menopausa, leva frequentemente à osteoporose.

 

Calcitonina

A calcitonina é um hormônio peptídico secretado pelas células “C”,

encontradas entre as células foliculares da tireoide (ver Capítulo 35).

A ação principal da calcitonina ocorre no osso; inibe a reabsorção óssea

ao ligar-se a um receptor inibitório nos osteoclastos. Nos rins, ela reduz a

reabsorção do Ca2+ e do fosfato nos túbulos proximais. Assim, como efeito

final, tem a diminuição da concentração de Ca2+ plasmático (ver Figura

37.3).

A secreção é determinada principalmente pela concentração de Ca2+ no

plasma. Um análogo da calcitonina, a salcatonina (calcitonina sintética de

salmão), é utilizado clinicamente (ver adiante).

 

Outros hormônios Concentrações fisiológicas de glicocorticoides são necessárias para a